Eu vejo o passado me assombrando
Uma sombra recai sobre mim
Quem sou eu nessa batalha terrível?
Sou nada além de um abismo.
Carlos de Campos

Eu vejo o passado me assombrando
Uma sombra recai sobre mim
Quem sou eu nessa batalha terrível?
Sou nada além de um abismo.
Carlos de Campos

Reúno as minhas forças para o embate final
Estou muito deprimido.
Um mar de ilusão me afoga.
O que faço nessa situação?
Além de olhar fixamente para a parede?
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Reúno as minhas forças para o embate final
Estou muito deprimido.
Um mar de ilusão me afoga.
O que faço nessa situação?
Além de olhar fixamente para a parede?
Insisto no mar envolto,
Destituir a minha tristeza.
Sou mais forte.
Só preciso começar a lutar.
Eu sei que não será fácil.
Eu sei que em um campo de batalha não existem regras.
Sei que na guerra o único instinto é sobreviver.
Sou sobrevivente de tantas guerras.
O sangue que já regou o front dessa trincheira.
Sou a vida, sou a morte.
Sou as derrotas, sou as vitórias.
Sou só mais uma pessoa querendo viver.
O meu olhar se volta para o meu filho.
O meu ser se enche de esperança,
Da mais doce e profunda esperança,
É com amor que se vence o ódio.
Carlos de Campos

Livro 4: Título provisório — Solidão Digital
Poema 01/60 — Que os dias de solidão acabem logo
Um quarto de prisão.
Sou inocente,
condenado pela insistência de existir.
Existo no instante do veredito.
Quando a alma está encarcerada,
nossas orações já não fazem mais sentido.
Sinto este instante me comprimindo;
a prisão calou os meus sentidos.
Enquanto a solidão me abraça, Compre aqui.
No cárcere desta longa solidão,
alimento-me do medo,
na embriaguez de minhas palavras,
do ódio que alimento no canto mais frio da alma.
Os cadáveres me assombram todos os dias.
Esqueletos são as minhas companhias.
Noite fria, nua, me seduzindo.
Mergulho em mim.
O que esperar desta solitária prisão?
Dos dejetos que se acumulam em minha alma?
Da sombria decisão da vida?
O que devo esperar dos abusos que sofro aqui?
Tudo é tão gelado,
sem dia para terminar.
Nesta cela fria, eu me vejo.
Encorajo-me a ser só solidão.
Carlos de Campos
16AL01

Cansado de Ser Solidão
Abro a janela com o desânimo estampado na alma.
Na escuridão da noite, eu me refugio.
Da mente atormentada tento me afastar,
e no vazio encontro o meu sentido.
Suave é o peso que devo carregar.
É suave nos sufocar constantemente.
De um dia para o outro, me prendo ainda mais.
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Um mar de mágoas me submerge.
Me afogo, esperneio até me cansar.
Afundo devagar, muito devagar.
Aos poucos, não sinto mais meu corpo.
Esse antro de preocupações,
desejos assombrados,
volta para a superfície.
Tento respirar os tóxicos existenciais,
a amargura universal
estampada em nossa cara,
a cara de iludidos.
Me afogo no êxtase da realidade,
no alcoolismo das minhas entranhas.
Na fuga, acendo um cigarro contendo nicotina.
Aqui nesta terra precisamos escolher.
Um passo de cada vez para sobreviver.
Um experienciar de cada sensação por vez.
Na sutileza da vida, desconfiar
para mais tarde não se ferir.
Em cada amanhecer é preciso ser feliz,
mesmo que isso lhe custe a própria vida.
Carlos de Campos

Um instante passageiro
Me vejo absorto.
Nada parece estável.
Preciso de segurança.
O solo deixa buracos.
No percurso, destilamos ofensas.
Encaramos os nossos próprios medos,
sabendo que, lá no fundo, estamos apavorados.
Precisamos seguir sem demonstrar inquietação.
Lutar é o que dá sentido para a vida.
Internamente, somos tão humanos
que cada passo parece uma longa jornada.
Tentamos dar os passos mais seguros.
Há pior momento do que perder?
Tudo, absolutamente tudo,
no movimento seguinte,
deixamos algo pelo caminho.
Quem, olhando para a própria vida,
quis desaparecer?
Procurou sentido no próprio existir?
Na fadiga que nos envolve?
Não estou vendo uma saída,
se é que existe uma saída.
Um olhar mais detalhista,
um dia de sorte.
Olhei para além do que via
e vi que existia uma saída.
Uma nova chance eu encontrava,
além das minhas possibilidades.
Insisti em reconsiderar,
como se tudo estivesse acabado,
como se os meus desejos não contassem.
Respirei para reconsiderar.
Purifiquei as minhas ideias.
As distrações me perseguiam.
Desejo e sonho ao mesmo tempo.
O que farei agora?
O meu testemunho é verdadeiro.
Lutar para viver é necessário.
É a realidade indagando,
o mundo estreitando.
Um belo sonho estou sonhando,
um canto estou compondo.
Tudo é santo,
como eu sou pecador.
O sonho é verdadeiro
quando sonhar faz total sentido.
No meu viver, não fez.
Não estou sendo pessimista demais?
Meu Deus do céu,
o sol apagou.
Na escuridão da vida,
sigo a minha rotina.
Um breve silêncio ecoou.
Na chama fria da vida se fez,
se fez desejo, sonho e solidão,
se fez a mais pura contradição.
Instante ferido pela morte
não poupou nem a própria sorte.
Nas profundezas de um sortilégio,
sem nenhuma animação.
O que passou, passou.
Sou este instante,
essa lucidez calculada.
Eu sou o tempo perdido.
Leveza abstrata,
sonho fascinante,
um toque.
Tua é a nossa sorte.
Uma cadência pura de razão.
Vê quem está perto,
perto demais para entender
que o momento exige paciência.
Os seus olhos me seduzem,
me revelam detalhes,
detalhes que passam despercebidos
e que são essenciais nesse momento.
Peça batendo cabeça,
sorte contida,
impulsos desprovidos de certezas.
Desistir tornou-se uma opção.
A morte é a minha nova sorte,
é o destino insistindo,
é o preço a se pagar.
Respiro para voltar.
Oh, demasiadamente bizarro,
os desígnios se revelam,
as abstrações tomam formas.
O que vejo é imperdoável.
Resta saber: quem viu?
Quando, estando prestes a saber, soube
que esse seria o movimento certo,
quem não soube compreender?
Os desejos inflamados querem correr.
Cegaram os olhos que nunca viram
além do que lhes era permitido ver,
e, quando viram, já era tarde demais.
Resistir é necessário,
mas qual seria a melhor resposta?
Sem saída,
o fim se aproxima.
Apego-me às soluções improvisadas,
em espantalhos imaginários,
no destino traçado pela sorte
para quem ainda não viu.
O que são esses movimentos,
além de movimentos
de meras incertezas,
sem observações?
Um recuo se faz necessário,
um salto para o escuro.
Sem medo algum, eu sigo o meu destino,
incerto, mas ainda é o meu destino.
Move-se em pleno voo
um pensamento congruente,
um passado absoluto
contando um presente.
Nossa é a vida presente
dos momentos apaixonados.
Um dia é como vemos.
Voar é estar livre.
Carlos de Campos
Poema baseado “Na partida imortal de xadrez do dia 21 de junho de 1851 entre adolf andressen e lionel kieseritzky”

Caio na realidade
Meu ser está vagando.
Minha alma procura conforto,
procura a alegria.
Quando foi a última vez que tive alegria?
Tento dar sentido às coisas.
Carlos de Campos
17090304

O amor consumido pela eternidade
É um medo que me assombra,
Se esquece de que eu já não tenho vida.
Esquecido por mim mesmo,
Subtraio os bons sentimentos.
Tudo me dá má impressão.
São dias frios,
Uma ansiedade para me esconder,
Esconder-me dos meus pensamentos intrometidos.
Estranhamento do meu próprio mundo,
Das perfeitas imperfeições que me assolam,
Que fazem os meus mundos ruírem.
Exatamente aqui foi que me dei conta.
Sou a encarnação da infelicidade,
Rascunho malfeito,
O impasse existencial,
O fim como chegada.
Singelo toque que me devolve,
Volto para o campo de batalha:
Da aniquilação total à proexistência,
A verdade que acende o meu ser.
Fixo o meu olhar no que transcende,
No que me alveja em sentimentos,
No que me faz vibrar em gemidos
Deliciosos, intensos e contínuos.
Carlos de Campos
O sistema da internet me contou um segredinho: você está adorando o poema — alguns até voltam para reler ou reassistir (e eu fico todo bobo com isso). Mas aí vem a grande questão filosófica: por que você ainda não curtiu, comentou, compartilhou ou me seguiu?
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Consumir sem interagir? Aí o algoritmo me olha torto e derruba meu trabalho…
Se quiser que eu pare, é só avisar — mas eu prefiro continuar, viu? 😂💛
