Os sonhos foram destruídos Como as nossas memorias de infancia Uma a uma se vão Sem paz observo no escuro.
Moedores de esperança Triunfam sobre as nossas cabeças Desacreditada Maldito és tu capitalismo.
O que somos? Além de artefatos para gerar riqueza alheia Somos os sonhos que foram destruídos Somos quem vive por viver.
Em um mundo onde as cartas já estão marcadas O que somos além da memória? Uma parcela enorme que vive de barriga vazia O que somos além de assalariados?
No cárcere desta longa solidão, alimento-me do medo, na embriaguez de minhas palavras, do ódio que alimento no canto mais frio da alma.
Os cadáveres me assombram todos os dias. Esqueletos são as minhas companhias. Noite fria, nua, me seduzindo. Mergulho em mim.
O que esperar desta solitária prisão? Dos dejetos que se acumulam em minha alma? Da sombria decisão da vida? O que devo esperar dos abusos que sofro aqui?
Tudo é tão gelado, sem dia para terminar. Nesta cela fria, eu me vejo. Encorajo-me a ser só solidão.