Tag: solidão

  • De noite a solidão me acolhe


    De noite a solidão me acolhe

    Minha solidão é intensa,
    cheia de atritos internos.
    Na mais intensa noite escura,
    no anoitecer que nunca termina.

    Noite fria, apesar do calor,
    noite tenebrosa.
    Assustadora é essa noite sem fim,
    noite de uma solidão intensa.

    Os dias que se tornaram noites
    me orientam nessa jornada.
    Tateando, eu prossigo.
    Insisto.

    No caminhar, me guio pela persistência.
    A resistência é minha fortaleza.
    O desejo de continuar só aumenta:
    é o caminho dos vitoriosos.

    Que o nosso mundo se ilumine,
    nos oriente para irmos além —
    não distante —
    caminhe.

    No anoitecer, por mais escuro que esteja,
    há esperança de que voltará a amanhecer,
    que a solidão dará lugar à confraternização
    e que a paz interior prevalecerá.

    Carlos de Campos
    Foto por Lukas Rodriguez em Pexels.com
  • É ilusão acelerada demais



    É ilusão acelerada demais

    Nada é como antes. O amor existe só nos livros de romance.
    Tudo está tão acelerado, artificial. Ninguém procura ir um pouco mais além.
    Ir além é preciso; é a vida quem exige isso de nós. É exatamente onde nós precisamos nos encontrar para podermos dar o próximo passo.

    Carlos de Campos


    Foto por Lars H Knudsen em Pexels.com
  • Na medida em que adormeço



    Na medida em que adormeço

    É o vento quebrando nas folhas das árvores. É a solidão deitada no vazio, música insistente para a sua mente. Abraço esse sentimento que já é tão meu.

    Carlos de Campos


  • Sou a incompletude de nossas diferenças



    Sou a incompletude de nossas diferenças

    Aos dias, o descanso.
    O descanso para o corpo.
    A mente se desconecta,
    o íntimo não descansa.

    Encontro-me separado.
    Distante de tudo, estou em um vazio,
    conectado com o sofrimento,
    meu relacionamento mais próspero.

    Urge te encontrar,
    para, desse encontro, voltar
    à origem do amor.

    Se o dia passar, sei que vou te encontrar.
    Com força, abraçá-la,
    sabendo que o amor venceu novamente.

    Carlos de Campos
    Foto por Markus Spiske em Pexels.com
  • Preciso de você na ausência de minha alma

    Preciso de você na ausência de minha alma

    No desejo escondido revela-se a tua essência. É no amor que me recolho. Na incerteza dos dias, me rebelo. Restaram-me o teu olhar frio e vazio, inocente de malícia. Estou em busca — em busca dos sonhos não resolvidos, dos dilemas que foram enaltecidos. É hora do amor, das ilusões de cada momento. Quem sou eu nesse mundo de tristeza e desencanto coletivo?

    Longe do amor, dedico-me a estar perto de você. Nesse momento sombrio, fico sem entender mais nada. Longe de você, só me resta a solidão — vazio cheio de presença, ausência de mim e de você, dos desvios existenciais e dos desejos carnais. Carne fresca de frescura exuberante, de um declínio extravagante de nossa liberdade, pautada pelos nossos erros, que vão deixando rastros pela história.

    O instinto primitivo nos rege, fazendo-nos reagir de maneira um tanto grosseira. Os instintos primitivos me fazem sucumbir em devaneios sinceros, em alucinações rabiscadas pelo ópio da contradição de uma tradição que me contraria a todo tempo, sufocando-me. Quase sempre estou cansado de ser quem sou.

    Carlos de Campos

    Foto por Pixabay em Pexels.com
  • Perdido



    Perdido

    Perder-me em você em noites frias como a de hoje.
    Perder-me em sua história, história de um dia encoberto pela noite.
    No caos, é como me encontro — encontro-me sozinho.

    Carlos de Campos


    Foto por cottonbro studio em Pexels.com
  • Mundos em conflitos se perderam no egoísmo

    Mundos em conflitos se perderam no egoísmo

    O meu mundo é o mesmo que o seu,
    são contraditórios e unificados,
    distante e mais distante ainda,
    porque é um mundo em busca de solidão.

    Em um mundo em que a distância é fascinante
    e, ao mesmo tempo, ultrajante,
    distante das pessoas,
    próximo da ausência plena.

    Nada é como antes,
    e antes é toda a base sólida,
    entre mundos tão iguais
    e completamente diferentes.

    Que caminha para o caminho do sofrimento
    pela busca incessante da angústia,
    consciente de que, em seu íntimo, é desejado;
    é o desejo dos desejos a ser conquistado.

    Impor é se destruir,
    é revidar contra si mesmo,
    é lutar com a imagem refletida pelo espelho,
    é ser, na essência, a essência contraditória.

    Lutar é assumir ser desonesto.
    O desonesto sofre na essência,
    vê sua saúde mental diminuindo,
    abreviando o fim do seu próprio mundo.

    Carlos de Campos
    Foto por Valdans Media em Pexels.com
  • Meu espelho


    Meu espelho

    No auge,
    me vi.
    A solidão é você.

    Carlos de Campos


    Foto por Tasha Kamrowski em Pexels.com
  • O amor existe?



    O amor existe?

    Longe do amor,
    cá estou.
    Livre?
    Não sei exatamente.

    Estou sozinho.
    O que sei sobre o amor?
    Somente quem amou sabe?
    O que é o amor?

    O amor é uma prisão?
    O amor é a liberdade?
    O que é o amor, afinal?
    Os que dizem amar estão presos.

    Os solteiros estão livres?
    O que é estar livre?
    Sou solteiro e livre?
    O que é ser livre, afinal?

    O que é estar vivendo?
    Vivo para amar?
    Vivo para ser solteiro?
    Vivo para ser livre?

    Estou livre em minha intimidade?
    Amo na liberdade dos aprisionados.
    Amo na solidão dos que vivem solteiros.
    Amo porque posso amar.

    Carlos de Campos
    Foto por HONG SON em Pexels.com
  • Meu Tempo Brutal



    Meu Tempo Brutal

    As mudanças me cercam.
    Estou enroscado,
    perdido no tempo,
    meu contrassenso.

    Estou enroscado no tempo,
    no contrassenso do bom senso.
    Sensações de um mau tempo —
    é tempo de mudanças.

    Enroscado na mudança
    de um tempo perdido,
    cercado de gente infeliz,
    me sinto tão triste.

    Fiel aos meus pensamentos,
    divago pelo tempo.
    No contrassenso do bom senso,
    eu me entrego.

    Infelicidade é a mudança
    de um desejo não correspondido,
    da brutalidade permissiva —
    desejo tempo.

    Divagam em minha memória
    as mudanças dos tempos terríveis,
    da antipatia do destino,
    destino de um dia triste.

    Carlos de Campos

    Foto por Skyler Ewing em Pexels.com