Tag: tempo

  • Íntimo dos meus apegos

    Íntimo dos meus apegos

    Em tudo seja grato.
    Em tudo seja transparente.
    Dê uma chance ao ser –
    não perca tempo tentando.

    Fingir que tudo está bem não resolve.
    Cada ato é importante,
    tem o seu próprio valor,
    rico de oportunidades pelo caminho.

    Não beba dentro da solidão,
    para não ser engolido pelo vazio existencial
    e sucumbir, preso aos grilhões da vida.
    É das escolhas certas que vivemos.

    Muito se fala do amor.
    Poucos entregam suas vidas aos seus cuidados.
    Desistem do amor no primeiro obstáculo.
    Sem o amor, máquinas é o que somos.

    O lago está escuro,
    mas mesmo assim nele mergulho.
    Sinto-me confortável nesse lago escuro,
    longe dos olhos cínicos.

    No lago escuro, sinto-me protegido.
    Minhas obsessões cessam,
    meus desejos proibidos se calam.
    Aqui, tudo é corriqueiro.

    Carlos de Campos

    Foto por Pon Thhao em Pexels.com
  • Longe de casa

    Longe de Casa

    A noite está fria, sigo em claro, pensando na saudade que vou sentir. O tempo aqui passa devagar, quase inexistente na velocidade de um conta-gotas. Lugar frio onde constantemente paira o cheiro de morte, bom para morrer de qualquer infecção pulmonar. Vou parar de escrever porque chegou a minha vez.

    Carlos de Campos

    Foto por Ron Lach em Pexels.com
  • O contratempo da memória

    O contratempo da memória

    Morremos todos os dias
    Cada minuto é um minuto perdido
    É um minuto que não volta mais
    Um minuto que se foi.

    É o tempo quem nos mantém presos ao chão
    Perdidos em nossas convicções
    Surpresos de nossas contradições
    É o tempo quem nos faz perceber nossas limitações.

    Tudo vai se esvaindo pelas nossas mãos
    Ilusões são passageiras em nosso trem
    Compreensões incompreendidas se vão
    Busco só saber o que restou dessa quimera.

    Lampejos são as memórias
    De uma mente sem pátria
    Sendo o tempo a nossa âncora.

    Tempo de amar
    De viver o tempo todo
    Dando sentido às nossas memórias.

    Carlos de Campos

  • Nostalgia

    Nostalgia

    A cidade envolvida em neblina
    Faz o tempo parar
    Retornamos às memórias tristes
    Carregados de saudades.

    Memórias
    Levo essa tristeza
    Recai em mim o que não queria saber
    Inesperadamente, sou surpreendido.

    Fantasma que me assombra
    Em recordações involuntariamente invocadas
    Temo não mais encontrar a paz.

    Memórias do passado
    Que passam sem deixar saudades
    É só mais um dia de melancolia.

    Carlos de Campos

    Foto por Ricardo Oliveira em Pexels.com
  • A última palavra

    A última palavra 

    A sua ambição nos faz sofrer
    Depois de algum tempo
    Tudo cairá sobre as nossas cabeças
    E nada será como antes.

    O tempo é como o gelo
    Sob o ataque do calor, torna-se frágil
    Debilitado de suas forças, é consumido
    Implacável é a dor em nossa alma.

    Momentos em que na vida se teve felicidade
    Já estivemos imersos em alegria
    O sorriso era contagiante
    Fecho os olhos, sou tomado de alegria.

    O que acaba de acontecer é belo
    Cuidadosamente preparado para você
    Que pensa que tudo chegou ao fim
    Esquecendo que a última palavra é sua.

    Carlos de Campos

    Foto por Nataliya Vaitkevich em Pexels.com
  • Somos os agressores da natureza

    Somos os agressores da natureza 

    Não existe fiscalização que impeça essa tormenta
    Que destrói tudo o que encontra pela frente
    Quando estamos mergulhados na indiferença política
    E, achamos que nossa vida não depende disso.

    O tempo é um organismo vivo
    Que não podemos chantageá-lo
    A nossa única opção é nos submetermos
    A cada agressão de nossa parte, experimentaremos as consequências.

    É, uma bagunça que podemos evitar
    Se nosso compromisso de não agressão se concretizar
    Se a nossa consciência cristalizada se despertar.

    No dia em que formos melhores com a natureza
    Celebraremos um mundo de paz
    Nesse dia será nosso principal passo à evolução.

    Carlos de Campos


    Foto por Pok Rie em Pexels.com
  • Morte em tempo de pandemia

    Morte em tempo de pandemia

    Oh, morte !

    Tua presença me consome

    Suspiros que me destroem.

    Oh, morte !

    São tantas as possibilidades para o nosso encontro

    Que cada segundo se torna tão importante.

    Oh, morte !

    Vilão ou herói

    Quente ou frio.

    Oh, morte !

    São teus “amigos”, que mais nos assustam

    Sofrimento e incerteza.

    Oh, morte !

    Sou tão apegado a insignificância

    Que teu abraço me revela toda minha fraqueza.

    Sou a vela sendo soprada

    Sou a mulher em trabalho de parto

    Sou eu quem dá pouca importância à vida.

    Carlos de Campos