Tarde de uma existência
O sol se põe diante de minha insignificância
Manifestou dia a dia sua profunda ausência
Mistério é continuar acreditando.
Carlos de Campos

Tarde de uma existência
O sol se põe diante de minha insignificância
Manifestou dia a dia sua profunda ausência
Mistério é continuar acreditando.
Carlos de Campos

Você sou eu
Morrer é necessário para que a vida tenha força,
para que o tempo não te congele na história.
Percebe que ficar parado não te movimenta?
Que os movimentos são calculados?
Que a insistência é o remédio para a vida?
Carlos de Campos

Livro 3: O Tempo e a Rotina (Poema 02/20)
O tempo é o peso
O peso que carregamos em nosso viver
É a consequência de um tempo indomável,
Do querer e não conseguir mais.
É o tempo que passa, meu amor.
Adquira seu exemplar aqui e mergulhe em uma leitura que abraça a alma.
É a memória que falha,
A voz que se cala,
Os pés que já não sustentam mais.
A cada segundo, eu me esqueço de você.
O peso que sustento
É o peso do tempo,
Da tua história.
Cadê o meu rosto jovial?
As forças vão se acabando,
O fim implacável.
O peso é pensar sobre o meu fim,
De uma história que me foi generosa.
O tempo voa.
As emoções emergem da mente subterrânea.
O sentimento de que não vivi como deveria ter vivido é lancinante,
Toma a minha mente por inteiro.
O medo é avassalador.
Sou colocado diante da minha verdade.
Do que mais eu temia pode vir a acontecer.
É o tempo quem me avisa.
Carlos de Campos

Livro 3: O Tempo e a Rotina (Poema 01/20)
Não estamos imunes ao tempo
Um dia desses, eu vi o tempo passar.
Passou com o passado,
Passou na companhia do presente,
Passou e permaneceu com o futuro.
Adquira seu exemplar aqui
No tempo que resta,
A fresta se abriu.
Observei o tempo,
Que dormia tranquilo.
O que é o tempo?
É a corrida contra o tempo,
É o nosso contratempo,
O tempo é o instante que nunca foi.
Nunca foi sentido,
Nunca foi buscado.
O tempo sempre foi temido,
Sempre foi o nosso maior inimigo.
Vem o ditador de nossas vidas,
O contador de nossa existência,
O medo que nos apavora
E que nos mostra o limite da nossa história.
O tempo desgastado,
O amuleto parado,
A fé do tempo que partiu,
Sem se despedir, sumiu.
Carlos de Campos

Sorte é florescer no jardim da própria morte
O sol
pôs-se diante dos meus olhos,
dos mesmos olhos que viram a saudade
sem saber das cores
de uma vida sem flores,
que floresceu na morte —
morte que desabrocha a nossa sorte,
sorte de não se ter o amanhã.
É importante o dia da morte,
que floresceu em um dia de sorte.
Em dia de sorte,
provamos da própria morte,
da sorte que gera a ilusão
de sermos eternos —
eternos até florescer a nossa própria sorte.
Caímos na própria teimosia:
eternos até o grande dia,
dias de paz,
de um silêncio sepulcral.
Flores que florescem a todo tempo,
flores da morte,
da sorte,
da insensibilidade com a vida —
vida temida.
A morte deu sorte:
sorte de florescer na própria morte.
Carlos de Campos

Viva antes que seja tarde demais
Qual é o mistério da vida que mais perturba as pessoas? A morte. É sempre bom lembrar que ela é irremediável. O melhor negócio é viver a vida ao máximo.
Carlos de Campos
O lendário medo de ter tempo
Meu mundo muda e fica mudo
Dialogam…
Entre um e outro existe um espaço de tempo
Tempo…
O tempo dialoga com o meu mundo
Um mundo que fica mudo
O tempo requer espaço
Intervalo…
No intervalo de tempo existe o meu mundo
O mundo que fica mudo
Explosões sensoriais
Dentro do meu mundo que fica mudo.
Olha no meu mundo
Delícia…
Existencial…
Olhar antinatural.
Demasiadamente obsoleto
Olhar comportado, desconfiado
Confinado no ar
No meu corpo.
Instinto condenável
No ar congestionado
Corpo inteiro
Desejo escondido.
Meu mundo é um labirinto
Lá existe um labirinto escuro
Um mundo de labirintos escuros
O tempo é no labirinto.
Lá, o tempo fica mudo
Sem o tempo, tudo fica insosso
Labirinto…
No mundo distante e escuro…
Meu mundo é um mundo de desejos
Enrolado em papel cor-de-rosa
Dá nuances
Prefiro um labirinto cor-de-rosa.
Jovem cheio de energia
De nuance, prefiro a cor da pele
Mundo cheio de labirinto
Cai a bolsa e tudo tem um novo aspecto.
Me deixe ir
Soltar a pipa
Debaixo daquele aquário
Que laboriosamente foi esculpido.
Com o sangue cor-de-rosa
Meu mundo é um labirinto escuro
Fechado…
Escuro…
Ainda é o meu mundo mudo.
Meu mundo é um mundo mudo
Estrela no céu brilha no escuro
Mudo é como me sinto
Lá existe um medo existente.
O meu medo está no labirinto
No labirinto escuro
Isto é assustador
Um labirinto que causa tanta dor.
Medo…
Tempo do medo
Escuro do medo
Delícia…
Mundo do medo
Do tempo
Lá existe o tempo do medo
Medo do medo.
Existe o medo da existência
Para a sobrevivência
De soberba
Sua mania do tempo.
Existe o medo da existência
No mundo mudo
Quem sobrevive é porque tem medo
Medo de um mundo sem tempo.
Carlos de Campos

Boas e más notícias
Numa tarde qualquer, um homem desorientado, embriagado por mágoas. Longe dos olhares que o condenam, pessoas iguais a mim. Sou cão sem dono, sem princípios. Aos homens como eu, digo apenas uma coisa: tudo é tempo. Tempo que passa, que passa longe de mim. Nada melhor que o tempo para nos curar.
Carlos de Campos
