Livro 7: Título provisório — A Filosofia do Gramado O Tempo (Poema 01/60)
O que é o tempo em uma partida de futebol? Sair de campo sem ter feito o seu melhor? O que cada um sabe sobre companheirismo? Perder, e o sabor amargo que fica?
Tudo gira em torno de uma bola, um objeto minúsculo, capaz de movimentar corpos e almas. Futebol, da origem ao colapso.
Muitas crianças, algum dia, sonharam em ser jogadores de futebol, um sonho que aparentemente parece ser o caminho mais fácil para quem sabe, um dia, sair da pobreza. O futebol era o alimento, dia e noite, de suas almas.
Almas abatidas por tanta injustiça, que, desde crianças, precisaram driblar cedo para se virar na vida. Que aulas precárias frequentavam, porque sabiam que precisavam ser o Man of the Match.
O estádio está lotado. Almas frenéticas. Tudo é decidido em pouco tempo, no tempo da dedicação.
O vento sopra. O apito recebe o estímulo vital. Tudo é paradoxal: o tempo para quando o jogo começa.
O que aconteceu não foi uma ação humana. Não. É até difícil de acreditar. Estávamos no quartel, na torre do Distrito Norte.
— Peçam apoio aos caças!
Eu e outros dois respondemos imediatamente ao chamado. Tudo aconteceu em segundos para mim, mas meu comandante disse que ficamos desaparecidos por cinco anos.
Observei, enquanto nos aproximávamos do local, que tudo estava tranquilo, exceto por um cheiro estranho. Não conseguia distinguir de onde vinha.
Parecia que vinha de fora. Ao mesmo tempo, parecia que estava dentro da aeronave. Não conseguia distinguir de onde aquele forte cheiro vinha. Tudo ficava cada vez mais forte, estranho e intenso.
No cárcere desta longa solidão, alimento-me do medo, na embriaguez de minhas palavras, do ódio que alimento no canto mais frio da alma.
Os cadáveres me assombram todos os dias. Esqueletos são as minhas companhias. Noite fria, nua, me seduzindo. Mergulho em mim.
O que esperar desta solitária prisão? Dos dejetos que se acumulam em minha alma? Da sombria decisão da vida? O que devo esperar dos abusos que sofro aqui?
Tudo é tão gelado, sem dia para terminar. Nesta cela fria, eu me vejo. Encorajo-me a ser só solidão.