No além do seu olhar, me vejo. Mergulho no mais profundo dos teus desejos. Me pego sonhando com você no cantinho da minha solidão.
Me vejo para além dos teus desejos, em sonhos disfarçados de vontade. Vontade que bate forte em meu peito, peito que anda vazio de amor.
Levo a sua imagem em minha retina. De dia e de noite, só penso em você. Penso em como seria estar com você. O vazio em meu peito diz que é saudade.
A solidão não me deixa avançar; sequestrou minha esperança de amar. Meus sonhos e desejos desapareceram. Sua imagem anda mais nebulosa do que antes.
Mistério do amor: por que sofrer para amar? Amar precisa ser um parto para frutificar? É ilusão o amor que sinto?
Sinto como se estivéssemos entre paredes de vidro: nos vemos e nos desejamos, porém, não nos sentimos de verdade. Nosso amor é, antes de tudo, virtual.
Em momentos difíceis como este, estar próximo de quem amamos é o ideal e se faz necessário para a nossa saúde mental. Ninguém vence a guerra sozinho.
Estar junto é indispensável. Sentir-se parte da comunidade é importante para o desenvolvimento humano: poder olhar para o lado e se sentir seguro, apesar das lutas.
Em momentos difíceis, estar no aconchego do amor faz toda a diferença. O amor é bálsamo.
É a cura do coração machucado, da vida cansada. É o descanso seguro, é o amor curando no acolhimento.
Homem e mulher, busquem se apoiar, decidam-se pelo amor, inspirem-se mutuamente. Deixem o contágio da mentira longe do relacionamento.
Nos momentos de dificuldade, pede-se lucidez das partes, coragem para percorrer o caminho que nos leva ao amor e à unidade.
O sol pôs-se diante dos meus olhos, dos mesmos olhos que viram a saudade sem saber das cores de uma vida sem flores, que floresceu na morte — morte que desabrocha a nossa sorte, sorte de não se ter o amanhã. É importante o dia da morte, que floresceu em um dia de sorte.
Em dia de sorte, provamos da própria morte, da sorte que gera a ilusão de sermos eternos — eternos até florescer a nossa própria sorte. Caímos na própria teimosia: eternos até o grande dia, dias de paz, de um silêncio sepulcral.
Flores que florescem a todo tempo, flores da morte, da sorte, da insensibilidade com a vida — vida temida. A morte deu sorte: sorte de florescer na própria morte.
Qual é o mistério da vida que mais perturba as pessoas? A morte. É sempre bom lembrar que ela é irremediável. O melhor negócio é viver a vida ao máximo.
“Preciso me dar um tempo” é um poema honesto, impactante e sensivelmente atual. Ele traduz, com lucidez e dor, o retrato de um sujeito contemporâneo esgotado pelas exigências do mundo, que encontra no próprio colapso uma chance de lucidez: cuidar-se antes que seja tarde.
Preciso me dar um tempo
Leveza de um destino entrelaçado Em uma busca sem desfecho Ironia É só o que encontro.
Os desafios são sem fim No auge, procurei desistir Sem saber que não estava no auge Só estava cansado.
Ir sempre além Mesmo estando cansado É como gostaria de pensar Só que a realidade me diz que ando esgotado.
Cansado… Estou aflito por sentimentos que não sinto Ir além… É ir de encontro com a morte.
Preciso me afastar do mundo Das pessoas que sabem de tudo É vital focar nas coisas que se passam em minha mente E parar de ser intransigente comigo.
Com urgência, preciso me cuidar Antes que seja tarde demais E eu venha a sucumbir Me desfazendo em partículas pelo asfalto.
Era de madrugada, ouço passos Pressinto a chegada de um estranho Ofegante… Bate na porta com violência.
Me levanto, olho pela fresta da janela Um homem nu, caído. Noto que seu corpo está todo perfurado Me dirijo até a porta, enquanto aciono a polícia.
A polícia chega, e sua única preocupação É me olhar com olhares de quem já me condenou. Em meio àquele falatório e acusações sem provas, Me concentro em meus pensamentos.
E em cada detalhe do corpo à minha frente, O que mais me intriga É a tatuagem em seu peito Com os dizeres em latim: "Advocata mea pro me loquitur."
Depois de alguns dias mergulhado nessa história, As ideias e provas foram sendo construídas, Me levando a uma única dedução: Em meio ao caos — identidade, vingança.
O morto veio de uma cidade distante daqui, Encontrou-se com o bispo local. Localizei sua advogada por meio da tatuagem. Bispo e advogada estavam abraçados — e mortos.
Jogos de emoções são a liberdade sendo pervertida, que, ao eclodirem, se desnudam em falanges de egocentrismo. O que são esses demônios induzindo à miséria? Na verdade, são crenças limitantes de uma pessoa gestando desejos inconscientes. Fidelidade promíscua com o submundo. Demônios entoam em minha alma: abuso de poder! Eis que vem o abuso de poder…
O silêncio canta junto da alma: desejos sombrios, venham todos à luz…