Categoria: memoria e poesia

  • Mente em Peregrinação

    Mente que vai de um lado para outro
    Em busca de estabilidade,
    Indo sem ao certo saber
    O que há de encontrar.

    Carlos de Campos
    Mente em Peregrinação
    Mente em Peregrinação
  • Solteira e feliz



    Solteira e feliz

    Estou magoada comigo mesma.
    Caí em mais um golpe do amor:
    o príncipe encantado era só mais uma fraude —
    e, peculiarmente, agressivo.

    Não... hoje não é um dia que quero me recordar.
    Me incomoda a facilidade que tenho
    de atrair homens infantilizados
    e extremamente desrespeitosos.

    Fico assustada ao perceber
    que o amor talvez não tenha nascido pra mim.
    Hoje é um dia para me entristecer
    ou me convencer de que nasci para ser solteira.

    Sabe de uma coisa? Vou é ser feliz,
    mesmo estando solteira.
    Vou me cuidar, viver minha independência
    e fazer deste dia... o Dia da Solteira.

    Carlos de Campos
    Foto por Andre Furtado em Pexels.com
  • Deleite Divino



    “Deleite Divino” é um poema que celebra o amor como uma experiência sensorial e transcendental. O toque, o olhar, a contemplação do cotidiano. Um convite à fusão entre corpo, alma e instante.

    Neste poema, a poesia se revela como um caminho para viver o amor com profundidade, liberdade e consciência. Ideal para quem busca palavras que tocam, curam e despertam emoções.

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    Poema sensorial e espiritual sobre o amor. “Deleite Divino” é uma entrega poética ao instante, ao corpo e à alma — com delicadeza e intensidade.



    Deleite Divino

    Preciso me embriagar dos teus beijos,
    deliciar-me do teu jeito,
    olhar atrevido,
    suavemente tocando o sentido.

    Leve como um bom sonho,
    livre é como me encontro,
    mergulhado em tuas sensações,
    distante estou do mundo.

    Descasco uma laranja
    enquanto te observo:
    delicada em teus movimentos,
    insistente em teu olhar.

    O elixir das deusas recai sobre minha cabeça.
    Explodem em meu ser fogos de artifício.
    Estou todo entregue ao momento,
    no êxtase do amor.

    Carlos de Campos
    Foto por Eric Moura em Pexels.com
  • Ser o Mar



    Neste poema, o mar é metáfora do equilíbrio e da aceitação. Não há tormenta, nem euforia — apenas o fluxo natural da vida. “Ser o Mar” é um convite ao desapego, à leveza e ao entendimento de que viver é navegar com confiança no que não se controla.

    Poema contemplativo sobre o mar como metáfora da vida, do equilíbrio e da entrega. Um texto profundo sobre navegar com leveza, sem resistência.


    Ser o Mar

    O mar da vida me carrega,
    me incentiva a prosseguir,
    me direciona para bons lugares.
    O mar da vida me inspira.

    Vou para onde sou levado,
    vou na direção do vento,
    do viver enquanto se existe,
    do amar enquanto se vive.

    Vou em direção ao vento.
    Em alto-mar me vejo,
    velejando o barco da minha história.
    Ao mar me rendo.

    O meu direcionamento é o mar.
    O vento de esperança me carrega.
    Ser o mar é o meu objetivo:
    imenso e profundo.

    Carlos de Campos
    Foto por Kenzhar Sharap em Pexels.com
  • Contato Fatal


    Um desaparecimento misterioso, uma carta enigmática e nenhum final claro. Leia o poema “Contato Fatal” e tire suas próprias conclusões.

    Contato Fatal é um poema narrativo que convida o leitor a assumir o papel de detetive, juiz ou simplesmente testemunha silenciosa.

    Uma mulher tímida, um vizinho carismático e uma carta com relatos que ultrapassam a realidade.

    Não espere respostas. Aqui, quem fecha o caso é você.

    Leia, sinta e tire suas próprias conclusões.


    Contato Fatal

    Lídia é uma mulher simples,
    tímida,
    de olhar atencioso.
    Bem... Túlio.

    É o seu vizinho:
    sempre prestativo,
    homem com mais de quarenta anos,
    adorava ir à academia.

    Lídia, apesar de sua timidez,
    gostava de conversar com Túlio,
    especialmente quando a mulher dele não estava.
    O clima só esquentava.

    Às vezes, Túlio saía na esperança de ver Lídia,
    e nada de Lídia aparecer.
    E assim aconteceu por longos dois meses.

    Maria, a única amiga de Lídia,
    vai até a casa de Túlio
    com uma carta endereçada a ele.
    Ele recebe a carta, agradece a Maria
    e busca um lugar longe dos olhos da esposa.

    A carta trazia um longo e confuso relato:
    Lídia descrevia um contato com alienígenas
    e dizia temer por sua vida.
    A data da carta coincidia...
    com o dia do seu desaparecimento.


    Carlos de Campos

    O que você acha que aconteceu com Lídia?
    Comente abaixo. Mas lembre-se: talvez ela esteja lendo…

    Foto por cottonbro studio em Pexels.com
  • Não é mais uma mulher, é a regra do machismo





    “Não é mais uma mulher, é a regra do machismo” é um poema que transcende a estética para se tornar denúncia. Aqui, cada verso é um passo em direção ao colapso — não só do corpo da personagem, mas de uma estrutura social adoecida. Um texto que precisa ser lido com o coração aberto e a consciência alerta.



    Não é mais uma mulher, é a regra do machismo

    Impaciente…
    Dirige-se ao balcão do caixa.
    Está com pressa,
    E a fila é enorme.

    Impaciente, fila enorme,
    Começa a passar mal.
    Seu corpo pálido e fraco
    Desaba na fila daquele supermercado.

    A ambulância chega.
    A mulher, ali mesmo, recebe os primeiros socorros.
    É preciso levá-la com urgência para o hospital:
    É mais grave do que parece.

    É vida ou morte!
    É sangramento interno.
    Os paramédicos correm contra o tempo.
    É vida ou morte!

    O silêncio do centro cirúrgico
    É interrompido pelo “piiiiiii” do monitor cardíaco,
    Um som específico que revela
    Que a vida se esvaiu.

    Os médicos nada mais podiam fazer.
    Um tiro nas costas perfurou seu pulmão.
    Foi alvejada na fila do supermercado
    Pelo próprio filho.

    Carlos de Campos
    Foto por Charlie Rock-driguez em Pexels.com
  • Teu é o dom para ser feliz

    “Teu é o dom para ser feliz” é um poema de escuta, silêncio e retomada de si. Ele pulsa na fronteira entre o trauma e a cura, e oferece ao leitor um caminho possível: confiar na intuição, firmar os próprios passos e se reconectar com o dom de existir.

    Teu é o dom para ser feliz

    Não erga a sua mão,
    jovem…
    Não destrua sua juventude.
    Não se deixe levar.

    São tantas vozes que você ouve,
    também são exagerados “nãos”,
    mais gritos ecoando pela casa.
    A essa altura, nada faz sentido.

    Não se deixe ser levado pela vida,
    escondido…
    Fugindo a todo instante,
    instante em que a vida te feriu por dentro.

    Desta vida?
    Cadenciada…
    Desarticulada…
    Cadenciada.

    Ir além do que se pode ver,
    permitir que a intuição te conduza:
    consciência e verdade.
    Ir além, e o todo se revelará naturalmente.

    Cada passo em direção à sua intuição
    são passos firmes que precisam ser dados:
    manifestação do seu dom,
    o dom que você carrega para ser feliz.

    Carlos de Campos

    Foto por u3164 Aksay em Pexels.com
  • O barco da vida, turbulência encontra

    Poema intenso e existencial que reflete sobre insistir, desistir e o sentido de viver em meio ao caos. Leitura para pensar e sentir profundamente.

    O barco da vida, turbulência encontra

    No desistir, o insistir é uma chance de existir?
    Existimos…
    Por que existimos?
    Desistir de existir.

    Insistir em um projeto é burrice?
    É a valentia dos heróis?
    Alguém forçado pelo sistema?
    Um fracassado que só não quer dar o braço a torcer?
    Desistir de existir é uma opção viável?

    Existir, o que andas fazendo?
    Sonha acordado e anda parado?
    Insiste em desistir,
    O sonho dos alucinados?

    O sonho de existir passa pela realidade de desistir.
    Desisto, logo estou fodido,
    Frustrado em insistir no existir.
    Eis o âmago da existência.

    Carlos de Campos
    Foto por Katia Miasoed em Pexels.com
  • Te amo

    Te amo” é um poema que engana com sua simplicidade: ele se inicia com a proposta de um sentimento universal, mas logo mergulha em reflexões existenciais, dissoluções afetivas e colisões psíquicas.

    Te amo

    Vê, gente, o amor?
    Não é ilusão,
    descaso e mortalidade.

    Sou o sonho desfeito,
    caminho de felicidade destruído,
    sou desejo esquecido.

    O átomo da vida,
    sou a consciência diluída,
    sou você em rota de colisão.

    Me dê o seu coração;
    em troca, lhe dou o meu amor.
    Me dê o seu tempo;

    em troca, cuidarei de você.
    Eu te amo com amor infinito.
    Eu quero, espero assim poder.

    Carlos de Campos

    Foto por Hassan OUAJBIR em Pexels.com
  • Há um clima pesado na atmosfera do mundo. Ganhar e perder a vida se resume a isto.


    Este poema-reflexão mergulha fundo na sensação universal do vazio existencial, explorando o peso do sofrimento e a busca constante por sentido em um mundo marcado pela dor e pela injustiça. Com linguagem acessível e forte impacto emocional, a obra convida o leitor a uma viagem filosófica sobre a origem da consciência e o conflito entre esperança e desespero.
    Uma leitura essencial para quem busca compreender melhor o próprio lugar no mundo e os dilemas que moldam a experiência humana contemporânea.



    Há um clima pesado na atmosfera do mundo. Ganhar e perder a vida se resume a isto.


    No princípio da vida, existia um lugar onde encontrávamos conforto e segurança. Neste lugar, só eu e minha esperança coexistíamos. Mas, mesmo nesse lugar belo e confortável, eu me perguntava: Onde estou? Para onde vou?

    Dia após dia, na medida em que ia se formando a minha consciência, os meus questionamentos só aumentavam e iam se tornando cada vez mais intensos. E, com eles, os medos e as angústias me dominavam. O desejo de querer saber era terrível.

    Em dias “normais”, o desejo era mais intenso, essa minha “loucura” de querer saber qual era o sentido da minha vida. Era intrigante constatar que, desde a minha concepção até o meu nascimento, tudo o que experimentei e experimentava era só dor e sofrimento, com pequenos momentos de alívio que chamamos de felicidade.

    Em um dia mais tranquilo, eu vi o ódio, a fome, o genocídio, a injustiça — só para citar alguns — arrasarem livremente o mundo, e ninguém fazia nada para conter. Onde estava a lógica nisso tudo? Nascer, crescer, só para sofrer e ver os outros sofrerem? Quem preferiu a dor em vez do amor? A fome em vez do prazer?


    Eu sou só mais um, em meio a outras bilhões de pessoas que carregam em seu peito essa brasa flamejante, que, com persistência, nos queima a todo instante. Essa profunda marca nos interroga a todo momento sobre o que estamos fazendo aqui.

    Aconteça o que acontecer hoje de bom ao longo de seu dia, o que estamos fazendo aqui continuará ecoando dentro de você, e nada poderemos fazer sobre isso. E tudo isso, querendo ou não, influencia o nosso comportamento e decisões diariamente. O vazio existencial é assustador.

    Carlos de Campos
    Foto por Pixabay em Pexels.com