Categoria: memoria e poesia

  • A resistência não é um bom caminho

    A resistência não é um bom caminho

    Instinto de animal dominador que, sem perceber, vai colocando os pés pelas mãos. Impulsividade e agressividade andam juntas com a sua personalidade. Fiel aos que lhe são próximos e nada mais.

    Características que derivam de seu inconsciente o tornam uma pessoa difícil de se lidar, desde o momento em que acorda até o adormecer. E é claro que você, em certa medida, se atenta a como anda lidando com a situação, mas não é o suficiente.

    O seu lado protetor, de certa forma, acaba se tornando um peso em sua vida. Você entra em uma neurose de querer proteger tudo, e no final nada nunca estará bom o suficiente — especialmente se você não tiver colocado toda a sua energia.

    Infelizmente, esse seu modo de ser acaba consumindo toda a sua energia. Você acorda com energia total e, antes mesmo do fim da tarde, já está em um esgotamento completo. O que poderia ser uma qualidade é a chave para o seu constante fracasso emocional.

    O instinto de sobrevivência é compreendido de maneira equivocada. O que se busca, no final de tudo, é mais parecido com atos excessivamente egocêntricos e com a ideia de que vale tudo, desde que se conquiste o respeito e a validação do outro.

    O que você precisa pensar é: por que você toma essa atitude? O que você está sentindo ou pensando no momento? Dê mais atenção a como você faz as pequenas coisas da vida, porque são esses pequenos e bons momentos que nos oferecem a oportunidade de, quem sabe, nos encontrarmos com nosso mundo interior.

    Carlos de Campos

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  • Nem tanto ao céu ou ao inferno: Equilíbrio

    Nem tanto ao céu ou ao inferno: Equilíbrio

    Imoral!
    Deveras, és um imoral
    No canto que entoas,
    No caminho que caminhas.

    És um imoral,
    Inverno doloroso;
    De acontecimento em acontecimento,
    Tens a imoralidade como missão.

    No canto, cantas a tua imoralidade,
    Tua perversa covardia.
    Em cada verso eu digo:
    “Imoral contumaz!”

    Ressurges das cinzas com tua imoralidade.
    Em cada verso, sem me cansar, repetirei:
    Imoral é tudo o que você é
    No trato com suas famílias,

    Nos romances extraconjugais,
    Dos abortos forçados de suas amantes.
    És diligente em ser um mau caráter,
    Um usurpador de felicidades.

    Os acontecimentos
    São dramas reais:
    Abuso constante,
    Liberdade nunca mais.

    Longe de toda essa busca,
    Alimento a minha alma,
    Desnutrida,
    Descuidada pelo teu amor.

    Empatia!
    Delírio dos fracos,
    Do abismo entre a realidade
    Do que olhamos ou sentimos.


    Do amor à imoralidade,
    Das palavras que sinto,
    Das palavras que digo,
    Palavras que não são ditas.

    Ditas em uma ditadura,
    Ditas no esconderijo dos perseguidos,
    Impopularidade crescente
    Das palavras que nunca foram ditas.

    Imoral desde o nascimento,
    Da existência ao esquecimento,
    No prelúdio do ser,
    Ser imoral enquanto dorme.

    Nada se pode fazer quanto a isso.
    Cada um controla o que sente,
    Mente enquanto sente,
    Mente sem quaisquer escrúpulos.

    A gente caminha pela rua tranquilo...
    Desse jeito a gente caminha,
    Caminha desse jeito,
    Jeito de caminhar.

    Caminha como quem desfila,
    Desse jeito a gente caminha.
    Caminha como quem espera a morte,
    Desse jeito a gente caminha.

    Caminha de mãos dadas com a imoralidade,
    Desse jeito a gente caminha.
    Caminha como quem busca prostituição,
    Desse jeito a gente caminha.

    Imoral é nosso modo de viver a vida.
    Buscamos na imoralidade nossas justificativas.
    Impróprio,
    Me acomodo.

    Desse jeito a gente caminha:
    Consolação,
    Distante do mundo da gente,
    Em programa a programa.

    Me divirto na imoralidade desta vida.
    Dai-nos a sua bênção!
    Cautela!
    Nada mais nos resta.

    Filhas do amor,
    Consolação da vida terrena,
    Dia a dia,
    Minha existência se desfaz.

    Medo e segurança
    Já não fazem parte da minha essência.
    Desejos imorais é o que ainda sinto;
    Sinto como quem sente o sangue circulando.

    Esbanjando vitalidade,
    Enlouquecendo o meu ser...
    O que ainda me resta dessa tal imoralidade?
    Sinto que ela quer me deixar.

    Sinto que seus afagos,
    Carícias,
    Já não fazem parte de minha vida.
    Sinto sua falta.

    Ao mesmo tempo que não sinto mais nada,
    Sua ausência é sentida.
    Sua ausência é também celebrada.
    O que sinto por você, afinal?

    Bem, o que sinto eu não sei.
    O que me parece que sei
    É que não sinto mais sua falta,
    Que a sua presença não faz mais diferença.

    A ilusão me convida
    Para adentrar ao espetáculo da vida:
    Uma vida sofrida,
    Carcomida pela ignorância.

    Adentre ao grandioso circo de horrores,
    Onde a vida não vale a pena,
    O amor é somente ódio...
    Que circo é capaz de tirar sua noite de sono?

    E te levar a insônias agudas?
    Perturbar sua vida diariamente?
    Que circo de horrores é esse?
    Que vende ilusão como droga?

    Que vicia nossos jovens com tanta facilidade?
    Que circo dos horrores é esse,
    Onde a vingança é o primeiro da lista?
    O circo é um horror.

    Mas é uma máquina de destruição.
    Desinformação...
    Destruição...
    Desinformação...

    Máquina que pulveriza memórias,
    Afetos...
    Amor...
    Paz...

    Me rendo à imoralidade,
    Dou a minha única esperança,
    Me submeto à sua ignorância,
    Sou teu servo.

    Abro mão da minha liberdade,
    Abro mão do amor,
    Abro mão da felicidade.
    O que mais queres de minha pobre alma?

    Dou toda a minha história.
    Desejo de você só mais uma coisa:
    Desejo que você não pense,
    Não reflita.

    Pare de ler livros que alimentam a sua alma,
    Pare de querer ter esperança,
    Pare de ser amigável com os outros,
    Viva na mais pura ignorância.

    Odeie quem vos quer bem,
    Deixe os relacionamentos saudáveis no passado,
    Enlouqueça de uma vez.
    O que você não pode mais querer...

    É querer fazer a diferença para o mundo,
    É ser um agente de transformação contínua,
    É fazer de sua vida uma vida de partilha...
    O que você não pode mais querer
    É querer ser gente como a gente.

    Carlos de Campos
    Foto por Beyzaa Yurtkuran em Pexels.com
  • Incertezas

    Incertezas

    Perdão, oh, meu pai,
    difícil é a vida;
    joguei meu futuro no presente incerto.

    Meu Deus, quanta incerteza!
    Destemido é o que sinto;
    sua coragem é surpreendente.

    Instinto distinto,
    enigma do coração,
    desejos que vão.

    Meu filho!
    Sua busca é justa e inevitável;
    são nossos os prazeres do mundo.

    Fingir amor, se tudo é ódio,
    desejos extravagantes,
    almas enclausuradas.

    Cada um tem o seu preço,
    consumidores diuturnamente,
    destino sem futuro.

    Carlos de Campos
    Foto por Pixabay em Pexels.com
  • Da solidão avassaladora à vitória

    Da solidão avassaladora à vitória

    Gosto do cheiro da chuva.
    Daí, me sinto acolhido,
    Livre da solidão —
    Solidão, não sozinho.

    Que solidão é essa?
    E o que devo fazer?
    Da solidão, a tristeza
    Do tempo que passa.

    Ilusão e solidão,
    Sozinho e triste.
    Dia de chuva, sinto o cheiro da terra,
    Cheiro da terra incrustada.

    Luta-se diariamente.
    O confronto é corpo a corpo.
    Em cada luta, uma derrota.
    Luta-se para, quem sabe, um dia vencer.

    Luto porque luto.
    Mesmo derrotado, continuo lutando.
    Luto contra meu pior e mais letal inimigo:
    Luto contra minha própria mente.

    No dia em que a chuva cair
    E os terreiros forem molhados,
    Há de ser o sinal
    De que a minha próxima luta eu vencerei.

    Carlos de Campos
    Foto por Jou00e3o Cabral em Pexels.com
  • Distante do amor e próximo da dor

    Distante do amor e próximo da dor

    Loucura e morte,
    Imposição e medo,
    Desvio de caráter sem receio,
    Distante e tão perto ao mesmo tempo.

    É o tempo da distopia,
    Dos que não eram
    E passaram a ser vistos desde então.
    É o tempo do confronto da razão.

    Ninguém sairá vitorioso dessa batalha.
    Mercenários da ilusão,
    De um mundo em contínua submissão,
    Onde tudo se tornou um fracasso.

    Iluminados de autoritarismo
    Se somam aos ridicularizados.
    Ninguém estará fora ou dentro
    Dessa intervenção.

    Isolados e com medo, é como estamos:
    Distantes e próximos de nada,
    Do amor que eu perdi
    E, perdendo, me machuquei.

    É por dores assim que me movimento.
    Decepções são como baldes de água fria.
    Nem todos têm a mesma cabeça para lidar com a situação.
    Sofrimento: alimento para a alma dos decepcionados.

    Distante é como estou.
    Cada um segue o seu destino,
    Distinto e, ao mesmo tempo, próximo
    No sofrimento que nos une como irmãos.

    Diante do absurdo,
    O susto.
    Meus dias passam atropelando tudo.
    Eu sinto muito!

    Quem é o maior egocêntrico?
    O que o mundo deve esperar do homem?
    Do amor que nunca vem?
    Da ilusão que é a nossa realidade?

    Solidão: castigo dos corações apaixonados,
    Dos amores que nunca foram realizados,
    Da distância que nunca foi tão próxima,
    Alma que não soube amar na oportunidade que teve.

    Do céu buscam o socorro.
    Na Terra produzem destruição em massa,
    Tudo em nome da nobre arte de amar,
    Das virtudes que são violentadas.

    No mundo em que o caos é o imperador,
    Os soldados são os desesperançados,
    Forçados ao front de batalha,
    Sucumbem em êxtase de esperança.

    Faz-se ver ao longe,
    Caminhando entre corpos e escombros,
    A esperança!
    Recolhendo os corpos despedaçados.

    Limpando as feridas dos sobreviventes,
    Alimentando a alma dos esfomeados.
    Quem és tu, bela donzela?
    Como ousas salvar os meus condenados?

    Deixa-os para serem alimento de minha irmã, a morte.
    Quem leva a sério esses humanos tão patéticos?
    Deixa que suas almas alimentem a morte.
    Saia daqui!

    Imersa em solidariedade,
    Aquela honrada jovem continua o seu trabalho,
    Doando-se em amor, tempo, esperança e cuidado.
    Ao longe, ainda se pode ouvir o imperador vociferando.

    Palavrões, insultos e ordens de guerra são direcionados,
    Tudo em uma tentativa em vão de dissuadi-la de sua missão.
    Nesse momento, nada e ninguém é capaz de movê-la de seus propósitos,
    Na firmeza de seus passos descalços.

    Caminhante nessa vida,
    Alimenta almas e corpos com o dom sagrado,
    Com os dois únicos dons capazes de salvar esta humanidade.
    Cantemos ao amor! Cantemos à solidariedade!

    Carlos de Campos
    Foto por Jonathan Borba em Pexels.com
  • Em uma sociedade destruída, o que se diz sobre a vida?

    Em uma sociedade destruída, o que se diz sobre a vida?

    Imperfeição!
    É o grito do mundo atual,
    O vislumbre do poder a todo custo,
    O cômodo permanente.

    Quimera!
    Delírios de emoções,
    Autópsia do destino
    Invertidos.

    Imperfeitos!
    É como está a sociedade:
    Beleza desfocada da vida,
    Vida sem sentido.

    Imparcial é como nos movimentamos:
    Imparcial no amor e na dor,
    Imparcial no lazer e no trabalho,
    E imparcial em uma vida negligente.

    Falidos é como estamos,
    Emocionalmente derrotados,
    Em uma sociedade egocêntrica
    Que finge amor pela vida.

    Homem!
    Boca aberta,
    De espírito descontrolado,
    O mundo em pleno fracasso.

    Carlos de campos
    Foto por Valentin Antonucci em Pexels.com
  • O desejo me desafia a desejá-lo

    O desejo me desafia a desejá-lo

    O meu universo vai além das cores e formas,
    Além de tudo o que está além,
    Divagando…
    O que ninguém pode falar.

    Fala-se o que carrega peso
    Do tempo que ainda nem é tempo.
    Fala-se sobre o impronunciável,
    Divagando…

    O impronunciável detesta ser observado.
    De olhar atento, permanece como sentinela,
    Diluído e fragmentado,
    Esquecida está a sua fala.

    O impessoal precisa ser levado em conta,
    Desponta na escuridão,
    Doando-se.
    Déjà-vu…

    Encontro com o inesquecível,
    Perdido no vazio.
    Solidão…
    De rara e inesquecível beleza.

    Inesquecível beleza,
    Beleza rara,
    Destemida,
    Incompreendida.

    Ao destino, falo o que sinto,
    Falo o que omito.
    Desisto de falar porque me envergonho.
    Diante da realidade, apenas me comovo.

    São falas como essas que me aprisionam.
    Me sinto deslocado.
    Enfurecido estou, agora
    Perdido no tempo.

    Divago…
    Nos tumultos existentes, me desaguou.
    Na interminável exploração, eu reflito.
    Desisto, enquanto sinto.

    O impronunciável volta a se pronunciar
    No andar leve,
    No olhar sedutor.
    Fala-se o que não se pode falar.

    Beleza irradiante.
    Comovido, escorrem lágrimas.
    São lágrimas que não podem ser faladas,
    Falas que não podem ser sentidas.

    Discurso ofegante.
    Divago no presente ausente,
    Nas lutas perdidas,
    Dor dos abraços não correspondidos.

    Loucura…
    Mortandade…
    Funeral dos sentimentos.
    Loucura sentida.

    Sentimentos reprimidos
    Do que não pode ser falado.
    Dor…
    Deslocado estou no desejo.

    Imperfeito,
    Do mundo interior me escondo.
    Me abstenho dos desejos,
    Desejos imperfeitos.

    Impronunciáveis são os meus desejos,
    Distorcidos e incompreendidos,
    Desejos retidos,
    Encarcerados pelo sentido.

    Me encontro divagando em meus pensamentos.
    Desejo…
    Do falar impronunciável,
    Carcereiro dos meus atos.

    No auge do amor, me entrego.
    Destino traçado.
    Imparável!
    No demais, deixem o amor falar, se expressar.

    Carlos de Campos
    Foto por Alexander Grey em Pexels.com
  • Apresente uma ideia

    Apresente uma ideia

    No fim do começo,
    Distante de um começo,
    O pensamento se desfaz
    Diante dos meus olhos.

    Início do fim,
    Os meus pensamentos não existem mais.
    O que foi que aconteceu aqui?
    Desencadeou o que não se queria.

    Leia o que não se escreve,
    Escreva o que não se pode ler.
    O fim é só mais um começo,
    E nada começou de um fim.

    Início e meio,
    Tudo reunido em um fim.
    Histórias em histórias,
    Tudo percorrendo o mesmo fim.

    Mas nem tudo é sobre você,
    Sobre o seu destino,
    Equivocado e incompreensível.
    Tudo é sobre a existência de um fim.

    Tudo e nada nos afeta,
    Nem o começo do fim,
    O fim de tudo que teve um começo.
    Tudo e nada não são o que aparentam ser.

    Carlos de Campos
    Foto por Pixabay em Pexels.com
  • O lendário medo de ter tempo

    O lendário medo de ter tempo

    Meu mundo muda e fica mudo
    Dialogam…
    Entre um e outro existe um espaço de tempo
    Tempo…

    O tempo dialoga com o meu mundo
    Um mundo que fica mudo
    O tempo requer espaço
    Intervalo…

    No intervalo de tempo existe o meu mundo
    O mundo que fica mudo
    Explosões sensoriais
    Dentro do meu mundo que fica mudo.

    Olha no meu mundo
    Delícia…
    Existencial…
    Olhar antinatural.

    Demasiadamente obsoleto
    Olhar comportado, desconfiado
    Confinado no ar
    No meu corpo.

    Instinto condenável
    No ar congestionado
    Corpo inteiro
    Desejo escondido.

    Meu mundo é um labirinto
    Lá existe um labirinto escuro
    Um mundo de labirintos escuros
    O tempo é no labirinto.

    Lá, o tempo fica mudo
    Sem o tempo, tudo fica insosso
    Labirinto…
    No mundo distante e escuro…

    Meu mundo é um mundo de desejos
    Enrolado em papel cor-de-rosa
    Dá nuances
    Prefiro um labirinto cor-de-rosa.

    Jovem cheio de energia
    De nuance, prefiro a cor da pele
    Mundo cheio de labirinto
    Cai a bolsa e tudo tem um novo aspecto.

    Me deixe ir
    Soltar a pipa
    Debaixo daquele aquário
    Que laboriosamente foi esculpido.

    Com o sangue cor-de-rosa
    Meu mundo é um labirinto escuro
    Fechado…
    Escuro…
    Ainda é o meu mundo mudo.

    Meu mundo é um mundo mudo
    Estrela no céu brilha no escuro
    Mudo é como me sinto
    Lá existe um medo existente.

    O meu medo está no labirinto
    No labirinto escuro
    Isto é assustador
    Um labirinto que causa tanta dor.

    Medo…
    Tempo do medo
    Escuro do medo
    Delícia…

    Mundo do medo
    Do tempo
    Lá existe o tempo do medo
    Medo do medo.

    Existe o medo da existência
    Para a sobrevivência
    De soberba
    Sua mania do tempo.

    Existe o medo da existência
    No mundo mudo
    Quem sobrevive é porque tem medo
    Medo de um mundo sem tempo.

    Carlos de Campos


    Foto por Tom Fisk em Pexels.com
  • Educar com a própria vida é um ato de amor

    Educar com a própria vida é um ato de amor

    O caos na sociedade é fundamental para fomentar o ódio e produzir instabilidade política e econômica. Normalmente, nessas situações, a população é usada como “massa de manobra”.

    O que ninguém diz é que existe uma pequena parcela privilegiada da sociedade que lucra com uma sociedade em constante convulsão.

    “Massa de manobra” é um termo que se usa para dizer, de maneira pejorativa, que alguns indivíduos que compõem a sociedade não são capazes de tomar suas próprias decisões e acabam sendo instrumentalizados por grupos políticos, ideológicos ou midiáticos.

    O que precisamos entender é que existe, dentro de uma sociedade, diferentes grupos. E que esses grupos são compostos por pessoas — pessoas que carregam dentro de si uma ideologia, uma paixão, um desejo; alguns nobres, outros um tanto obscuros.

    O que quero dizer aqui é que as pessoas são essencialmente feitas de escolhas. Escolhas que constantemente estão se confrontando. Em uma sociedade plural, em que se respeita a liberdade de se expressar, de ir e vir e de ser quem você deseja ser, isso é totalmente aceitável.

    O que falta à sociedade brasileira para que essas escolhas de ideias divergentes se mantenham no ambiente do respeito? Como indivíduos, o que podemos fazer em nossa realidade cotidiana para que essa mentalidade bélica, em um diálogo saudável, encontre pontos comuns?

    Não existe uma receita pronta. Não existem maneiras de conciliar tudo e todos ao mesmo tempo. Não existe uma sociedade que possibilite essa tal paz constante e permanente. Não somos santos nem demônios; somos apenas pessoas tentando um lugar ao sol.

    O que, então, é fundamental e eficaz para que, pelo menos, tenhamos uma sociedade com indivíduos emocionalmente maduros e que sejam capazes de debater ideias e se manter no campo das ideias e do respeito mútuo?

    Educar — mas não educar somente com informações e formações. Conteúdos que, muitas vezes, entram por um ouvido e saem pelo outro, que não encontram ressonância no coração das pessoas por não terem ressonância com a realidade.

    O que é essencial em toda educação de excelência é o educar a partir do próprio exemplo. As pessoas, de modo geral, têm dificuldade de se colocar como exemplo; não se sentem confortáveis com esse método por não acreditarem que sua vida pode acrescentar à vida do outro ou que a educação de qualidade está atrelada somente a comportamentos impecáveis.

    Educar com a própria vida é usar tudo o que você tem e é como matéria-prima. Educar com a mentalidade ecológica, sabendo que tudo em nossa vida está em um constante processo de reciclagem e que sempre estamos em movimento.

    Ninguém nunca estará pronto, acabado e perfeito para ser capaz de educar o outro. E, se formos esperar essa tal perfeição, nunca seremos, de fato, um verdadeiro agente de transformação social, por meio da educação — esteja onde você estiver. Educar o outro é também uma autoeducação.

    O que a sociedade precisa hoje é de pessoas que se sintam educadoras, que, com seu exemplo, iluminem os caminhos das massas para que essa massa rígida passe a ser leve e macia. Educar é acrescentar à sociedade o fermento da sobriedade, da leveza e da paz.

    No fundo, no fundo, todos nós buscamos a paz em nossos corações, em nossas vidas e em nossa sociedade; buscamos ser e experimentar a reconciliação conosco e com o outro. Que hoje, em sua vida, seja o tempo de reconciliação e pacificação.

    O mundo e nossa vida estão intrinsecamente conectados. O que o mundo sofre com ódio é porque ainda estamos armados de ódio. O mundo só reverbera aquilo que somos e quem somos.

    Janela aberta para novas perspectivas e de fôlego renovado para continuarmos o que sempre será necessário e fundamental: educar com a própria vida — em nossa casa e em nossos convívios sociais. Educar com a própria vida para que vidas sejam melhoradas e transformadas em sua essência.

    Carlos de Campos

    Foto por thevibrantmachine em Pexels.com