Categoria: memoria e poesia

  • Defender a democracia é proteger a própria vida

    Defender a democracia é proteger a própria vida 

    Se observa a falta de comprometimento
    É a condição imposta
    Sujeito ao submundo
    Disperso pela vida.

    Ninguém sabe que sabia
    Pela noite adentro se tramava
    Que a pátria seria aniquilada
    Tomada no golpe.

    Não cante vitória
    Nem conte com nossa rendição de mão beijada
    Essa nossa jovem democracia
    Será defendida com a própria vida.

    Onde existe democracia, existe a força popular
    O direito fundamental
    Diálogo e muita resistência.

    A defesa da democracia é preservar a vida
    Se, hoje, o sol brilha em seu rosto
    É porque vive em uma democracia.

    Carlos de Campos

    Foto por michelle guimaru00e3es em Pexels.com
  • Apito estridente

    Apito estridente 

    Jogo no terrão
    Na esperança de jogar na grama
    Jogo no asfalto
    Assalto frustrado.

    Detido pela polícia
    Meu sonho é só mais um sonho
    De uma vida pré-determinada
    Morrer antes que o sonho se torne realidade.

    Mover-me para onde?
    Ah!
    Nada a declarar.

    Mais uma história repetida
    Das milhões que já ouvi em minha vida
    Sigo as migalhas que caem da mesa.

    Carlos de Campos
    Foto por Pixabay em Pexels.com
  • Monge longe de casa

    Monge longe de casa

    O fogo aquece a alma
    Tudo destrói, restando só as cinzas
    Lugar bagunçado
    De almas tão aflitas.

    O mosteiro procura o pecado
    Deixando de lado o pecador
    As lágrimas caem para salvar
    Enquanto minha alma segue queimando.

    Um coração para ser iluminado não precisa de combustível
    Mesmo se o tempo se mostra sombrio
    O amor é a nossa iluminação.

    De dentro do mosteiro posso ver um monge
    Apagado diante da tua consciência
    Dos horrores que tens praticado em vida.

    Carlos de Campos


    Foto por RDNE Stock project em Pexels.com
  • Livros

    Para despertar o desejo pela leitura, é preciso ler. Para ler, é preciso comprar um livro. Com os livros tão caros, é necessário colocá-los na balança junto com pagar luz, aluguel, água, comida, remédios ou comprar um livro, que aqui no Brasil é um artigo de luxo. Nem dá para culpar as pessoas quando os livros estão extremamente caros. Os livros usados estão quase no preço dos novos. Viva o alto preço dos livros, que gera o desinteresse em comprá-los. Viva os burgueses que querem que os livros permaneçam caros porque um livro liberta mentes, liberta almas, um livro é capaz de levar pessoas a desejar que a justiça social aconteça. Um livro gera transformação de vidas, um livro quando lido é revolucionário. Por isso os livros precisam permanecer caros; quanto mais caros, melhor para submeter a população. Viva os livros caros.

  • No suspirar de uma Deusa

    No suspirar de uma Deusa     

    O mosteiro em chamas,
    Pecados e pecadores
    Se consumindo em fornicações,
    Deleitando-se no moralismo barato.

    Incapaz de viver uma vida santa,
    Impõe aos fiéis o sacrifício vespertino,
    E finalmente bebe-se no cálice da redenção
    No silêncio sabático da mortificação.

    Eu prometo, diante do Deus Altíssimo,
    Cultuá-lo na sua ausência plena,
    Que só revela a sua inexistência.

    O adorador a ti se rende, dando glória,
    Enquanto entoa um hino que maltrata o próximo.
    Tua é a promessa vazia.

    Carlos de Campos
    Foto por Anna Shvets em Pexels.com
  • Além de nada

    Além de nada 

    Não existe futuro
    Quando não temos presente
    Ilusões e nada mais.

    Carlos de Campos

  • Morte

    Morte 

    Morte fim
    Começo da angústia
    Natureza antinatural.

    Carlos de Campos