O mosteiro em chamas, Pecados e pecadores Se consumindo em fornicações, Deleitando-se no moralismo barato.
Incapaz de viver uma vida santa, Impõe aos fiéis o sacrifício vespertino, E finalmente bebe-se no cálice da redenção No silêncio sabático da mortificação.
Eu prometo, diante do Deus Altíssimo, Cultuá-lo na sua ausência plena, Que só revela a sua inexistência.
O adorador a ti se rende, dando glória, Enquanto entoa um hino que maltrata o próximo. Tua é a promessa vazia.
Fingem pensar em paz Põem arma na mão Desejam guerra E querem os semelhantes mortos.
Onde queremos estar? Quando nossos atos nos levam às intrigas? Perdemos a consciência? Sabia que você é a principal vítima?
Às vezes as mudanças se fazem necessárias Sabendo que é difícil abrir mão de nossa verdade É preciso deixar o egoísmo de lado Para que a árvore da paz dê frutos.
Uma sociedade sem violência Depende do empenho individual de cada um Sem adesão pessoal continuamos na mesma.
Morremos todos os dias Cada minuto é um minuto perdido É um minuto que não volta mais Um minuto que se foi.
É o tempo quem nos mantém presos ao chão Perdidos em nossas convicções Surpresos de nossas contradições É o tempo quem nos faz perceber nossas limitações.
Tudo vai se esvaindo pelas nossas mãos Ilusões são passageiras em nosso trem Compreensões incompreendidas se vão Busco só saber o que restou dessa quimera.
Lampejos são as memórias De uma mente sem pátria Sendo o tempo a nossa âncora.
O delírio se esvai por entre minhas mãos Dia após dia segue sendo negado Fala-se por entre os dentes: “Mantenha tudo como está.”
Um dia chegarei ao poder Quero usufruir das mesmas regalias Quero as propinas escorregando pelas minhas mãos As mesmas mãos que aconchegam o meu filho.
Meus sonhos de dias melhores É que na minha vez tudo esteja como agora Porque pior sempre pode ficar.
Excluído dos meus direitos mínimos Órfão de governos tóxicos Me iludo consciente ou preservo minha saúde mental?