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  • Mostre os seus encantos

    Mostre os seus encantos

    Vi os inimigos diante de minha face,
    da noite fria que angustia.
    Vi e senti o conforto de suas mãos.

    Carlos de Campos
  • Morrer deveria ser instinto


    Morrer deveria ser instinto

    É corrida às cegas,
    cega como nossa ilusão.
    Quando percebemos, tudo se foi,
    foi com a mesma rapidez com que chegou.

    Morrer é o caminho natural da vida,
    de uma vida que insiste na rebeldia,
    na rebeldia que só reproduz caos,
    caos de uma vida cega pela ambição.

    Não é minha responsabilidade salvar o mundo.
    O mundo é um ser vivo que sabe se proteger.
    Cada pessoa sabe sobreviver,
    e cada escolha tem a sua consequência.

    O que aconteceu com a gente?
    A gente que era gente,
    e agora somos que tipo de gente?
    Agentes do caos é o que somos?

    O que estamos esperando?
    Quando retomaremos nosso equilíbrio elementar?
    A nossa capacidade de nos reorganizar?
    De investir mais em princípios e menos no caos?

    Liberdade é a sensação de leveza.
    Mesmo diante do caos, se permanece leve.
    Nas contradições da vida, se mantém em equilíbrio.
    Na morte, se encontra com a vida.

    Carlos de Campos
  • Ossos escondidos


    Ossos escondidos

    No terreno abandonado,
    ossos foram escondidos.
    Investigações mal feitas
    dão conta do que querem esconder.
    Ossos enterrados em um terreno abandonado.
    O que precisam esconder?
    A quem pertencem esses ossos?

    Todas as manhãs perdidas,
    evitando ser descobertas,
    perdidas em pensamentos.
    Que pensamentos são esses
    que nos fazem descuidar da própria vida?
    Uma vida negligenciada pelo ciúme.

    Os dias passam depressa,
    lentos quanto o meu sucesso.
    Os ossos escondidos nos apavoram.
    Tudo não passou de um sonho,
    sonho acordado, sem direção,
    sem êxtase…
    sem verdade…
    Tudo não passou de uma fantasia
    de um sonho escondido em um terreno baldio,
    instante antes de ser descoberto,
    de estar livre,
    enquanto existir um novo amanhã.

    Carlos de Campos
  • Reviver o amor, no amor, pelo amor


    Reviver o amor, no amor, pelo amor

    Reviver é o mesmo que sobreviver?
    É a espera em uma esperança fria?
    É a universalidade do finito?
    É a mentira posta como verdade?
    É o meio de um inteiro?
    É a alma de um corpo sem vida?
    É a vida em um corpo morto?
    O que eu devo saber?
    No momento certo saberei?
    Não existe o momento certo para as incertezas.

    Soube onde iria quando nasci,
    quando me abraçastes pela primeira vez.
    Naquela noite,
    tudo fazia mais sentido.
    Sentia como se fosse um delírio,
    momento único para estar só,
    na trincheira da vida, sozinho.
    Longo silêncio interior.
    Não há mais nada para viver.

    Uma centelha de esperança se acende
    no fundo da alma humana,
    na escuridão profunda da consciência,
    no mar tempestivo das emoções,
    na mais bela razão que nos faz estar vivos,
    na finitude da existência que nos aprisiona.
    Nada mais é tão simples como viver,
    como pena lançada ao vento, que apenas voa.

    Carlos de Campos
  • Norteando

    Norteando

    O que esperar dessa vida?
    Um pouquinho de esperança?
    Ou uma solução mágica?

    Carlos de Campos

  • O que está acontecendo comigo?


    O que está acontecendo comigo?

    O que se passa em você?
    Nos cabelos?
    Nos olhos cansados?
    No corpo exausto?

    Olhar distante,
    pensamento profundo.
    Se ainda me lê,
    sabe para onde queremos estar.

    Mergulhe em sua própria mente,
    se assim desejar,
    quando assim se sentir mais confortável.
    Mas como saber se está pronto?

    Luzes se apagando,
    sono acalmando,
    cadenciando o fluxo,
    olhar bem distante.

    No labirinto de tua alma, você se encontra.
    Busca em cada detalhe com calma,
    está atento a cada detalhe,
    sente, profundo.

    Livre, você se encontra,
    correndo com um sorriso no rosto.
    Você celebra com paz no coração,
    desfruta sabendo que sempre pode voltar.

    Carlos de Campos
  • Onde estaremos?


    Onde estaremos?

    O relógio está mais lento,
    os ponteiros estão parados.
    Há tempo para respirar.

    Carlos de Campos
  • Prometemos


    Prometemos

    Promessa de dias em paz,
    de uma vida mais tranquila.
    Decidi escolher
    por um dia de estresse.

    O horizonte não me parece nítido.
    Estamos em constante perigo.
    Cadê o meu refúgio?
    Os dias de paz?

    Um sinal nunca é certo.
    São imensas as variações
    em nossa tomada de decisão.

    Carlos de Campos
  • Os sonhos escondidos


    Os sonhos escondidos

    Foi no auge de minha lucidez,
    onde os caminhos já não tinham mais volta,
    os sonhos foram despedaçados.
    A vida complicada ficou,
    a ilusão finalmente chegou.

    Carlos de Campos

  • Ruminar no santuário do coração


    Ruminar no santuário do coração

    Os deleites da alma
    transbordam em emoção.
    São décadas enclausuradas,
    cultivando o amor sagrado
    que, sangrando, se faz sozinho.

    Carlos de Campos