Sua mão perdida em minha perna. Meu silêncio denuncia o medo. O que fazer? Pergunto-me. No silêncio, perco-me dentro de mim, na angustiante dúvida de denunciar. Já não estou mais lá.
Durante toda a noite, fiquei acordada. Fazer o que sobre isso? Me calar? Denunciar? Há tantas perguntas, onde só deveria existir uma certeza: que não fosse a certeza da impunidade. Sinto-me confusa, estranhamente lúcida, pela certeza que tenho de que me calar é o melhor caminho. O medo só aumenta à medida que o dia se aproxima. Não me sinto bem. Minha voz desapareceu. Ainda sinto sua mão suja em mim.
A cidade se movimenta. Deitada e com calafrios, me encontro. Distante da realidade, tento me projetar. Projeto-me para tão longe que não quero mais voltar. Voltar significa me acovardar. Na penumbra dos meus pensamentos, me escondo.
A nossa beleza está nos brasileiros e brasileiras, no clima amistoso com a vida, no sorriso de um povo cheio de esperança, de uma esperança que nunca se cansa.
O povo de várias camadas, complexas e profundas, de traumas que ainda machucam e que comovem por ainda buscar forças para lutar.
Nosso Brasil! Natureza oponente, vibra quem aqui vive, não estamos à venda.
Brasil da incoerência, coração que pulsa na boca, na alma verde e amarela, no campo verde da integridade.
O Brasil, como qualquer outro país, tem os seus altos e baixos. Cada país, assim como o Brasil, espera que o seu povo esteja lúcido.
O povo unido é mais forte, um povo que busca os mesmos ideais: justiça e fraternidade para todos, um povo solidário e muito brasileiro.