• O apocalipse está batendo em nossa porta

    O apocalipse está batendo em nossa porta

    Os detritos de nossa reles existência
    Pedem para que paguemos o que devemos.
    Destruição, calamidade no concreto.
    O tempo já se esgotou para cada um de nós.

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    Corram para dentro de si.
    Confronte sua consciência com as suas omissões.
    O tempo de achacar o planeta acabou.
    É tempo de sentirmos o peso da completa destruição.

    Temperatura corporal elevadíssima.
    Sua carne derretendo como plástico.
    O seu sangue cozinhando em suas entranhas.
    E você destituído de suas capacidades cognitivas.

    Camadas e mais camadas de morte.
    A morte como destino.
    O sofrimento, sua companheira mais velha.
    Só nos restarão as lágrimas com sangue.

    O que podemos fazer para amenizar essa realidade?
    Devemos nos conformar com esse nosso fim?
    O que você anda fazendo enquanto comunidade?
    Buscando se unir e agregando forças nessa luta?

    A escolha é individual.
    O sofrimento será comunitário.
    Independentemente de qual classe social você ocupe.
    A natureza vai barbarizar geral.

    Carlos de Campos

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  • Procura-se por um amor

    Procura-se por um amor

    Saio pelas ruas na esperança de me encontrar com você. Caminho observando atentamente; quem sabe não possa ser você que mexa com esse meu coração de pedra, um coração resistente que, incrédulo, vive em busca de um sentimento do qual nem acredita e que, mesmo sem acreditar, se põe no caminho.

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    O que me faz resistir ao amor? Além dos frequentes fracassos? Quem nunca fracassou quando precisou amar ou ser amado? O amor é aparentemente simples e complexo ao mesmo tempo. O amor é um belo jardim repleto de inúmeros bonsais, pequenos, belos, sensíveis e exigentes bonsais.

    Uma pessoa, quando decide experienciar o amor, precisa ter duas coisas muito importantes em mente. Ela precisa buscar o entendimento de que está “mortamente” ferida, em um contínuo processo de mutilação por suas próprias dores existenciais. E saber que essa carga emocional, quando você menos esperar, sempre virá à tona. É aqui que mora o enorme perigo, é nesse ponto em que os mais belos bonsais que foram cultivados por anos se vão de uma hora para outra. É onde tantos nobres amores morreram. Quando permitimos que os nossos medos subterrâneos falem mais alto.

    Por enquanto, esse é o meu primeiro passo: me encontrar com você. Você que compartilha do mesmo antídoto de cura, para que assim possamos nos curar mutuamente. Por enquanto, prossigo por essas ruas, expurgando de minha alma essa dolorosa realidade, para que, nesse dia, o amor possa sobreviver em nós. Antes de qualquer coisa, eu preciso me encontrar e me curar interiormente.

    Carlos de Campos

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