O sol pôs-se diante dos meus olhos, dos mesmos olhos que viram a saudade sem saber das cores de uma vida sem flores, que floresceu na morte — morte que desabrocha a nossa sorte, sorte de não se ter o amanhã. É importante o dia da morte, que floresceu em um dia de sorte.
Em dia de sorte, provamos da própria morte, da sorte que gera a ilusão de sermos eternos — eternos até florescer a nossa própria sorte. Caímos na própria teimosia: eternos até o grande dia, dias de paz, de um silêncio sepulcral.
Flores que florescem a todo tempo, flores da morte, da sorte, da insensibilidade com a vida — vida temida. A morte deu sorte: sorte de florescer na própria morte.
Vê o mundo em transformação? Sua hegemonia já não é mais relevante. É preciso ter coragem para se adaptar ao novo tempo e saber agir dentro das possibilidades reais no momento, porque qualquer outra tentativa é autodestruição. O caminho atual já não é mais o que deve ser percorrido; insistir nele é o mesmo que se desfazer. O passo mais promissor é tentar se organizar internamente — essa é a melhor forma de não sucumbir por completo. Esqueça sua hegemonia: não há como recuperá-la.
Em tudo o que observamos, os estragos são grandiosos e irreversíveis — especialmente se continuar aplicando o velho modelo. É necessária uma mudança de mentalidade, e o primeiro passo em direção a essa transformação é reconhecer que uma era chegou ao fim. Nada é para sempre. Ser capaz de dar novas respostas é o diferencial. É preciso estar aberto ao novo, reinventar-se diante do que se apresenta à nossa frente.
É um duro golpe, mas previsível — idealizado, desenvolvido e construído ao longo dos anos, consciente ou inconscientemente. É, basicamente, o alicerce sobre o qual foi erguida toda a sua história. Tudo na vida tem seu preço. Se plantamos couve, esperamos colher couve. Quando, na vida, plantamos couve e passamos a colher laranja, há algo sendo feito de forma errada — e tudo aquilo que fazemos mal feito, só porque ninguém está vendo, mais cedo ou mais tarde vem cobrar o seu preço.