Tag: amor

  • O gorjear da alma

    O gorjear da alma

    Gorjeia, no fundo de nossa alma,
    o canto do sabiá,
    cantando o cântico da solidão,
    da solidão.

    Gorjeia a alma solitária,
    cantada pelo sabiá.
    Canto no canto da alma,
    da alma ferida pelo amor.

    Não se ouve mais o sabiá;
    seu gorjear silenciou-se
    pela ferida da alma.
    A solidão nos convida.

    Carlos de Campos


  • Podcast – Episódio: Silêncio, Medo e Aceitação

    Pip: Memória e poesia chegou com versos que não deixam ninguém em paz — no melhor sentido possível.

    Mara: É isso. Os textos de Mensagem com poesia percorrem dois territórios pesados: a violência silenciada do assédio e a inevitabilidade da morte. Vamos começar pelo que dói mais de perto — o poema que fala de mãos, medo e a pergunta que não deveria ter resposta incerta.

    Violência, silêncio e a certeza errada

    Pip: O poema “Mãos de Assédio” coloca o leitor exatamente onde não quer estar — dentro da cabeça de alguém que passou a noite acordada pesando se denuncia ou se cala, sabendo que ambas as opções têm um custo.

    Mara: O poema nomeia isso com precisão: “Há tantas perguntas, onde só deveria existir uma certeza: que não fosse a certeza da impunidade.”

    Pip: Ou seja, a única certeza disponível é a pior de todas. Não a certeza de que denunciar resolve — mas a de que provavelmente não resolve. É aí que o silêncio vira uma escolha racional, e não uma fraqueza.

    Mara: O poema sustenta essa tensão do começo ao fim. Há uma lúcidez perturbadora na voz: “Sinto-me confusa, estranhamente lúcida” — os dois estados coexistindo, sem resolução fácil.

    Pip: “Estranhamente lúcida” é uma das combinações mais honestas que já vi num poema sobre trauma. A confusão e a clareza não se cancelam — se alimentam.

    Mara: E o corpo aparece como registro do que aconteceu: “Ainda sinto sua mão suja em mim.” A cidade segue em movimento, o mundo não parou, mas ela está deitada com calafrios, tentando se projetar para longe o suficiente para não ter que voltar.

    Pip: Voltar, no poema, é sinônimo de se acovardar. O que é uma inversão brutal — porque o senso comum diria que ficar é coragem. Aqui, partir é a única saída que sobrou.

    Mara: É um poema que não consola e não resolve. Ele documenta. E essa escolha de não oferecer alívio é, em si, uma forma de denúncia.

    Pip: Falando em aceitar o que não tem conserto — o próximo poema vai fundo em outro assunto que ninguém quer encarar.

    O que se esvai com o tempo

    Mara: O poema “Morte” é curto e direto: “No passar dos anos, tudo se esvai naturalmente. Aceitar é o melhor caminho.”

    Pip: Três linhas que fazem o que a maioria dos textos sobre morte não consegue — não dramatizam, não consolam com promessas, só nomeiam.

    Mara: Há uma serenidade austera nisso. O poema não pede que a morte seja bonita ou justa. Pede que seja aceita. E essa distinção importa.


    Pip: Silêncio forçado de um lado, aceitação necessária do outro — os dois poemas falam de rendição, mas com cargas completamente diferentes.

    Mara: Uma rendição que dói, outra que libera. Vale a pena voltar a esses versos com calma.

  • Mãos de Assédio

    Mãos de Assédio

    Sua mão perdida em minha perna.
    Meu silêncio denuncia o medo.
    O que fazer? Pergunto-me.
    No silêncio, perco-me dentro de mim,
    na angustiante dúvida de denunciar.
    Já não estou mais lá.

    Durante toda a noite, fiquei acordada.
    Fazer o que sobre isso?
    Me calar?
    Denunciar?
    Há tantas perguntas,
    onde só deveria existir uma certeza:
    que não fosse a certeza da impunidade.
    Sinto-me confusa,
    estranhamente lúcida,
    pela certeza que tenho
    de que me calar é o melhor caminho.
    O medo só aumenta
    à medida que o dia se aproxima.
    Não me sinto bem.
    Minha voz desapareceu.
    Ainda sinto sua mão suja em mim.

    A cidade se movimenta.
    Deitada e com calafrios, me encontro.
    Distante da realidade, tento me projetar.
    Projeto-me para tão longe que não quero mais voltar.
    Voltar significa me acovardar.
    Na penumbra dos meus pensamentos, me escondo.

    Carlos de Campos

  • O desejo

    O desejo

    Os ensinamentos de uma vida:
    aceite quem você é,
    comunique-se corretamente,
    nunca deixe margem para dúvidas.

    Um olhar fala mais que mil palavras.
    Um toque ancora os desejos.
    Não seja arrogante.
    Compreensão é um charme de poucos.

    Quando for falar,
    fale com naturalidade,
    fale somente a verdade,
    fale sobre o que você sabe.

    Noite feliz é quando você vem
    abraçando-me com prazer,
    com profundo sentimento de vontade,
    para deixar marcada na alma a saudade.

    Carlos de Campos
  • Tuas belas pernas


    Tuas belas pernas

    Diga-nos:
    existe amor entre nós?
    Em nós bate o mesmo sentimento?
    O que é que você quer que eu faça?
    Façamos nossas aventuras entre quatro paredes.

    Carlos de Campos

    Foto por cottonbro studio em Pexels.com
  • Existe um plano mundial, e você não pode saber


    Existe um plano mundial, e você não pode saber

    Vê: o paraíso existe.
    Libélulas indicam para nós o caminho,
    o caminho da gratidão,
    dos pequenos momentos felizes.

    Os desvios que a vida nos obriga a fazer,
    em um simples ato de amor,
    intenso,
    que reverbera em todo o nosso ser.

    Enquanto a solidão me abraça é um livro para quem busca paz, sentido e amor nos pequenos gestos — disponível na Caravana Grupo Editorial

    A beleza ilumina a minha mente,
    meu corpo se ancora
    em tuas mãos poderosas.
    Quero a paz em minha alma.

    Música para minhas células,
    que fazem festa de alegria,
    celebram a força da fortaleza
    que derrama tanta satisfação.

    O paraíso existe,
    e precisamos vivenciá-lo
    em cada simples ato de generosidade.
    Abrem-se comportas de bondade.

    Estes são os sonhos de nossas almas.
    Tudo existe para nos fazer felizes.
    A felicidade nos quer alcançar.
    E você quer ser feliz?

    Carlos de Campos

    Se este poema falou com você, continue a leitura em outros textos no blog Memória e Poesia — memoriaepoesia.com
    Foto por Pixabay em Pexels.com
  • Te amo com cada célula do meu corpo


    Te amo com cada célula do meu corpo

    Infinito é o amor
    Que encontram os corações abertos.
    Os corações, mesmo os feridos,
    São capazes de amar.

    Você foi feito para o amor,
    Para curar por meio do amor.
    Você é convidado a se derramar de amor.
    Ouça: é o amor que te chama.

    Rompem-se os muros de gelo.
    Cada gota mata a sede da humanidade,
    A sede de amor.
    Tudo flui.

    O teu sonho
    É saciar a sede dessa humanidade,
    A sede do amor,
    Amor que está sedento para amar.

    Teu coração transborda saudades,
    Tuas mãos percorrem memórias,
    Tua existência transpira a mais pura gratidão,
    A gratidão dos que amam de verdade.

    O meu coração se derrama em ti,
    O meu olhar te acolhe,
    O meu corpo busca o teu corpo.
    Nessa união nasce o nosso amor.

    Carlos de Campos
    Foto por cottonbro studio em Pexels.com
  • O seu amor me acalma



    O seu amor me acalma

    E, no auge, me encontrei com você.
    Tua beleza me inspira,
    me leva a repensar,
    calma que produz alegria.

    Essa calma que você me faz sentir
    é a calma que venho buscando
    dia após dia;
    é essa calma que venho desejando.

    Desde minha adolescência,
    te amei já à primeira vista.
    Amor que foi soterrado pelas preocupações
    que me fizeram perdê-la no caminho.

    Hoje me vejo abatido;
    me encontrar com você,
    depois de tantos anos,
    reacendeu aquele amor verdadeiro.

    Amor que traz essa calmaria,
    que não permite que nada saia do controle,
    porque o amor é equilíbrio certo,
    é a manifestação mais pura da leveza.

    Sou essa calmaria
    quando olho em teus olhos.
    Sou a tranquilidade segura
    quando estou perto de você.

    Carlos de Campos
    Foto por Pixabay em Pexels.com
  • Força acolhedora



    Força acolhedora

    Todo o meu amor por você é vibrante. A vida passa despercebida quando não te vejo.
    É no meu íntimo que tudo se dá. É um sentimento poderoso e crescente.
    É o sentimento desamparado unindo-se a sentimentos cordiais.

    Carlos de Campos
    Foto por Marek Piwnicki em Pexels.com
  • O amor sendo cura para os nossos corações



    O amor sendo cura para os nossos corações

    Como as suaves gotas de chuva,
    É o meu amor por você.
    Como a vida que quer ser vivida,
    É o meu amor por você.

    É o amor que vem,
    É o amor que nasce,
    Quem nos dá sentido à vida
    É o amor que nos faz viver.

    É a vida quem deixa o amor florescer,
    É o amor que, com seus frutos, alimenta a vida.
    É o amor como solução,
    Como marco de transformação.

    Nada e ninguém
    Estão imunes ao amor.
    Os teus sentimentos estão impregnados de amor,
    Puro e valioso amor.

    Quem nunca amou na vida?
    Tudo o que mais queremos é amar.
    E, amando, ser amado.
    Quem não espera ser amado?

    O desejo entreabre o coração,
    Coração que, mesmo machucado,
    Insiste em amar
    E ama sem qualquer medida.

    Carlos de Campos
    Foto por Karola G em Pexels.com