Tag: literatura contemporanea

  • Os sonhos escondidos


    Os sonhos escondidos

    Foi no auge de minha lucidez,
    onde os caminhos já não tinham mais volta,
    os sonhos foram despedaçados.
    A vida complicada ficou,
    a ilusão finalmente chegou.

    Carlos de Campos

  • Uma opção é ver, e a outra?


    Uma opção é ver, e a outra?

    Os caminhos são tortuosos.
    Tudo é precário.
    São caminhos,
    caminhos necessários.


    https://caravanagrupoeditorial.com.br/produto/enquanto-a-solidao-me-abraca/

    O que preciso fazer para passar por esse caminho?
    Caminho da desolação,
    do tédio,
    da ilusão à flor da pele.

    Moedor da dignidade,
    dos valores esquecidos.
    Caminham juntos pelos caminhos tortuosos,
    caminham com o risco de não caminharem mais.

    Vê o que não se pode ver?
    Porque, vendo, você descobre a lucidez.
    Porque, vendo, você vê o que eu vejo.
    Vê, porque é preciso ver?

    Diga-me: o que vê?
    Para que lado olhas?
    Vê-se com outros sentidos também.
    Vê-se sentindo o pulsar da razão.

    Jovem ou idoso,
    todos fazem parte desse caminho.
    Caminhos, por muitas vezes, tortuosos.
    Caminho que nos dá a esperança de caminhar.

    Carlos de Campos
    Foto por Dee Onederer em Pexels.com
  • O teu alicerce está corrompido


    O teu alicerce está corrompido

    Tudo gira em torno de você.
    Esperar uma mudança
    é como esperar por um milagre.

    Merece tudo de ruim.
    Seu caráter é nebuloso.
    Você é uma pessoa tão triste.

    Tudo perde força,
    suspendendo a razão,
    deixando-se levar pelas emoções.

    Tudo fala à alma
    quando se tem ouvidos para ouvir
    quem percebe o percebido.

    Carlos de Campos
    Foto por maycon rodrigues em Pexels.com
  • O distorcido da realidade


    O distorcido da realidade

    Mostre o desejo escondido.
    Tudo o que há para ser revelado.
    Inteireza.
    Poder dissonante da vida.

    Carlos de Campos
  • Tudo em nós é potencial



    Tudo em nós é potencial

    Os meus pés tocam as estrelas.
    Em cada estrela encontrei o meu lugar,
    a minha direção para a vida.
    Toquei os pés como se tocasse a alma.

    Um lugar eu encontrei
    em que posso chamar de lar.
    Esse lugar é além do céu,
    onde os olhos não podem pousar.

    Os meus pés tocaram esse lugar,
    um lugar magnífico,
    cheio de mistério.
    Não existe solidão.

    As estrelas têm vida,
    compartilham de sua existência,
    dos dias que sucederam a história.
    É vida produzindo vida.

    Importa saber
    que nossa tristeza é infinita.
    Cultivamos a dor como privilégio.
    Não existe luminosidade entre nós.

    Indignado é nossa melhor versão.
    Tudo em nós é empáfia.
    É o iludido cultivando a ilusão.
    É vida seguindo a mesmice.

    Carlos de Campos
    Foto por Pruthvi Raj Konda em Pexels.com
  • Leveza que nos conduz à tranquilidade



    Leveza que nos conduz à tranquilidade

    Olhe bem para mim.
    Para o meu destino.
    Olhe bem.
    Deitado, observe sua alma.

    Olhe para dentro de minha alma,
    espelho refletindo a tua alma.
    Deitado, observo você fazendo parte de mim,
    sentindo leveza e profundidade.

    Tua alma está em minha alma,
    em um fluxo para além,
    além de tua própria alma,
    dos desejos contidos.

    Leve como pena é como me sinto.
    Sinto uma tranquilidade além da tranquilidade.
    Deitado nos braços de minha dignidade,
    estou tranquilo.

    Estou tranquilo.
    Além dos meus desejos,
    estou como precisava estar,
    além de onde deveria estar.

    Nossas almas estão unidas,
    refletindo essa intensa alegria.
    Distantes de todo o ruído,
    estamos livres e tranquilos.

    Carlos de Campos
    Foto por Caitlin em Pexels.com
  • Sua desolação ofegante



    Sua desolação ofegante

    Os olhares do mundo estão atordoados,
    Perplexos pela ausência
    De qualquer resquício de esperança.
    Ausência silenciosa.

    Caem na face lágrimas
    De um dia triste,
    Sem qualquer atrativo,
    Só o estímulo do instante.

    São dias de muita tristeza,
    O ser já não aguenta mais existir.
    Existir se tornou enfadonho,
    Pandemia de uma mente doente.

    Não existe promessa.
    Não temos nada com o que festejar.
    Só a lamentação orienta.
    Existe quem não queira aceitar.

    Não existe um novo amanhã.
    Existe um novo tormento.
    Não existe um porto seguro.
    Deus sorri com ironia.

    Existo.
    No existir, adormeço.
    Na desolação, me esqueço.
    No esquecimento, eu existo.

    Carlos de Campos

    Foto por Ahmed akacha em Pexels.com
  • Nada é mais precioso que a sua presença


    Nada é mais precioso que a sua presença

    O que você deseja na vida?
    Este é o momento para pensar:
    Dinheiro?
    Fama?

    Quer ser feliz?
    Escolhe permanecer na mediocridade?
    Ser massa de manobra?
    E agora, eu te pergunto:

    Dentre todas essas opções,
    o que você deseja para si?
    Continuar como está?
    Encontrar um lugar melhor para refletir?

    Enquanto reflete,
    o que eu posso te dizer
    é que o melhor lugar é o blog memoriaepoesia.com.
    Aqui você encontra o melhor da poesia.

    Venha fazer parte desse movimento poético,
    venha se emocionar,
    formar uma ideia de mundo.
    Juntos, vamos refletir a partir de nossa história.

    Os poemas são radiografias de nossas almas,
    a fonte mais preciosa de nossa verdade.
    São ouro de homens e mulheres como eu e você.
    Venha, junte-se a nós nesse caminho.

    Carlos de Campos
  • A contradição contra-ataca



    A contradição contra-ataca

    Ainda que o desejo seja só mais um desejo. Tudo o que temos no final são só desejos. Sonhamos com um mundo mais justo, e o que encontramos são só injustiças que projetamos.

    Os nossos sonhos anulam os nossos desejos. Somos feitos da poeira da injustiça, da rivalidade estratégica, da dominação do mais forte. Tudo o que temos em termos de direitos e garantias é ilusão.

    Somos seres viventes à base de ilusão. Somos desejos e sonhos não realizados. Somos os dominados e os dominadores, somos a naturalização dessas relações. Somos e queremos ser assim.

    Se algum dia estivermos dispostos a enfrentar as nossas causas interiores, nos rebelarmos contra as nossas incoerências, quando tivermos a coragem de dialogar com a nossa essência, é possível que o mundo melhore.

    No paradoxo da nossa existência sempre nos encontraremos; cada um de nós carrega essa profunda contradição, contradições em cima de contradições; essencialmente, tudo em nós é contraditório.

    Um dia encontraremos o caminho onde a doce ilusão será subjugada pela dura realidade; neste momento, é preciso entender que não sobrará contradição sobre contradição.

    Carlos de Campos
    Foto por Paul Blenkhorn @SensoryArtHouse em Pexels.com
  • Existe um mundo que não foi feito para nós


    Existe um mundo que não foi feito para nós

    Deitado,
    longe de tudo,
    existe uma decisão
    dura, que perdura
    na nossa triste condição.

    Quem sou eu?

    Eu, a solidão em pessoa,
    o peso da eterna injustiça,
    o diamante bruto rejeitado,
    a decisão mais indecisa,
    o desejo de pensar grande,
    mais longe do que meus olhos possam tocar.

    Eu sou o mar de rosas,
    as rosas putrefatas,
    o delírio de um mundo em declínio.

    Este é o sonhador que acordou.
    Sinto muito.

    O elemento central da vida.
    Homem de futuro duvidoso,
    integrado às decisões
    falsas e ridículas.

    Quem sou eu?

    A humanidade esquecida.
    O que ouve, vê e sente.
    O que nada pode fazer
    além de saber
    que não existe mais futuro,
    que o futuro se esvaiu
    pelas decisões mal decididas.

    Por existir um ecossistema
    corrupto,
    excludente,
    promotor de desvios públicos.

    E onde eu estou nesse ecossistema?

    Diariamente,
    estou sendo calado,
    desestimulado,
    fadado a concluir
    que eu sou o problema.
    Dia por dia,
    caímos e levantamos.
    E esse é o problema.

    O problema é se levantar.
    É resistir.
    O problema é continuar.

    Para nós, não existe espaço.
    Não existe futuro.
    O que queremos não existe para nós.

    Em nome da decisão,
    existir é resistir às injustiças.
    É adentrar no submundo da exclusão
    e, daí, arrancar o poder à força,
    forçando nas ruas as ilusões,
    o desespero escondido
    na forma de vícios.

    Quem sou eu?

    O pilantra inconsequente.
    Os horrores de um dia chuvoso.
    Sua eterna amada
    que, de joelhos,
    suplica por sua benevolência.

    Covarde.
    Homicida.

    Olho e vejo.
    Vejo a eternidade
    ferida por seus crimes,
    infidelidades contraídas.
    Vejo olhares sangrentos
    que, de quatro, são subjugados,
    maltratados,
    esculachados.

    Eterna é essa glória
    que desonra toda a nossa história.

    Deitado, me encontro.
    Sob a minha cabeça,
    existem lembranças.
    Escondidas estão essas tristes lembranças
    que me fazem esquecer
    que amanhã é outro dia
    do mesmo modelo corrupto de subsistência
    que existe somente para nos frustrar.

    É mais um dia.
    Um dia perdido.
    Promíscuo.
    Que temos de enfrentar.

    Carlos de Campos
    Foto por Tara Winstead em Pexels.com