Tag: literatura contemporanea

  • Mesmo Casada, Ainda Sinto Frio

    Mesmo Casada, Ainda Sinto Frio

    Em dia frio como hoje,
    emoções me envolvem.
    Sinto um vazio,
    pego-me a chorar.

    Fêmea cheia de desejo,
    aspiração: viver feliz,
    ser mulher toda inteira.
    Só falta você.

    Instinto distinto,
    fluidos harmônicos,
    sensações me fazem querer você
    completamente disponível.

    Em dias de frio, me sinto só,
    sofro por sua ausência.
    Você me faz querer sonhar,
    sinto sua falta!

    São raros os momentos em que não penso em você.
    Mesmo estando casada, sinto necessidade,
    porque você se tornou tudo o que mais quero.
    Preciso tanto do teu abraço.

    O seu lugar em meu coração está reservado.
    Nos dias frios, me aqueço em suas lembranças.
    Despojada, um dia quero estar em tua presença.
    Quero, uma única vez, poder me sentir amada.

    Carlos de Campos

    Even Married, I Still Feel Cold

    (Adapted from “Nos dias frios, preciso ser amada por você”)

    On a cold day like this,
    emotions wrap around me.
    An emptiness echoes—
    I catch myself crying.
    A woman full of longing,
    I ache to live in joy,
    to be whole, fully a woman.
    Only you are missing.
    My instincts awaken,
    pulses flow in harmony.
    Something in me wants you—
    utterly present, completely mine.
    In cold days, I feel alone,
    bruised by your absence.
    You make me believe in dreams.
    I miss you—so much.
    Rarely does a moment pass
    when you're not on my mind.
    Even though I'm married,
    I crave you still.
    Your embrace,
    your space in my heart,
    is already taken—by you.
    On cold days,
    I warm myself in your memory.
    Stripped of pride,
    I long to be near you,
    just once,
    to feel what it's like
    to be truly loved.

    Carlos de Campos
    Mesmo Casada, Ainda Sinto Frio
    Foto por Jc Laurio em Pexels.com
  • Distante do amor e próximo da dor

    Distante do amor e próximo da dor

    Loucura e morte,
    Imposição e medo,
    Desvio de caráter sem receio,
    Distante e tão perto ao mesmo tempo.

    É o tempo da distopia,
    Dos que não eram
    E passaram a ser vistos desde então.
    É o tempo do confronto da razão.

    Ninguém sairá vitorioso dessa batalha.
    Mercenários da ilusão,
    De um mundo em contínua submissão,
    Onde tudo se tornou um fracasso.

    Iluminados de autoritarismo
    Se somam aos ridicularizados.
    Ninguém estará fora ou dentro
    Dessa intervenção.

    Isolados e com medo, é como estamos:
    Distantes e próximos de nada,
    Do amor que eu perdi
    E, perdendo, me machuquei.

    É por dores assim que me movimento.
    Decepções são como baldes de água fria.
    Nem todos têm a mesma cabeça para lidar com a situação.
    Sofrimento: alimento para a alma dos decepcionados.

    Distante é como estou.
    Cada um segue o seu destino,
    Distinto e, ao mesmo tempo, próximo
    No sofrimento que nos une como irmãos.

    Diante do absurdo,
    O susto.
    Meus dias passam atropelando tudo.
    Eu sinto muito!

    Quem é o maior egocêntrico?
    O que o mundo deve esperar do homem?
    Do amor que nunca vem?
    Da ilusão que é a nossa realidade?

    Solidão: castigo dos corações apaixonados,
    Dos amores que nunca foram realizados,
    Da distância que nunca foi tão próxima,
    Alma que não soube amar na oportunidade que teve.

    Do céu buscam o socorro.
    Na Terra produzem destruição em massa,
    Tudo em nome da nobre arte de amar,
    Das virtudes que são violentadas.

    No mundo em que o caos é o imperador,
    Os soldados são os desesperançados,
    Forçados ao front de batalha,
    Sucumbem em êxtase de esperança.

    Faz-se ver ao longe,
    Caminhando entre corpos e escombros,
    A esperança!
    Recolhendo os corpos despedaçados.

    Limpando as feridas dos sobreviventes,
    Alimentando a alma dos esfomeados.
    Quem és tu, bela donzela?
    Como ousas salvar os meus condenados?

    Deixa-os para serem alimento de minha irmã, a morte.
    Quem leva a sério esses humanos tão patéticos?
    Deixa que suas almas alimentem a morte.
    Saia daqui!

    Imersa em solidariedade,
    Aquela honrada jovem continua o seu trabalho,
    Doando-se em amor, tempo, esperança e cuidado.
    Ao longe, ainda se pode ouvir o imperador vociferando.

    Palavrões, insultos e ordens de guerra são direcionados,
    Tudo em uma tentativa em vão de dissuadi-la de sua missão.
    Nesse momento, nada e ninguém é capaz de movê-la de seus propósitos,
    Na firmeza de seus passos descalços.

    Caminhante nessa vida,
    Alimenta almas e corpos com o dom sagrado,
    Com os dois únicos dons capazes de salvar esta humanidade.
    Cantemos ao amor! Cantemos à solidariedade!

    Carlos de Campos
    Foto por Jonathan Borba em Pexels.com
  • À meia-noite, a carne em festa

    À meia-noite, a carne em festa

    Sou um ser letal,
    Distinto de outros animais,
    Um anjo que esconde o demônio,
    Impelido por impulsos flamejantes.

    Em noite de lua cheia, sou predador.
    Não vire as costas para mim.
    Enjaulada encontra-se uma fera,
    Contida, vive na tristeza de sua jaula.

    Os desejos desajustados
    Perseguem a sua carne,
    Desfrutam de sua energia inconsciente,
    Querem sangue para beber.

    Noite de lua cheia.
    Sai para os becos escuros,
    À procura de sangue fresco,
    Canibal em tempo de desespero.

    Carlos de Campos