Tag: literatura contemporanea

  • Luxúria


    Luxúria

    Nos dias ruins,
    eu adormeço em ti.
    Eu, em êxtase,
    estou dentro de você,
    sem nenhuma excitação.
    A ti me entrego;
    sem nenhum remorso, eu me despeço.

    Carlos de Campos
    Foto por Frantiu0161ek u010canu00edk em Pexels.com
  • Viver para vencer o medo da morte



    Viver para vencer o medo da morte

    Morte: pesadelo de cada ser humano.
    Tamanha é a nossa contradição.
    Ao mesmo tempo que temos medo da morte,
    sofremos ao invés de ver a vida.

    Tudo é mal-aproveitado:
    Saúde…
    Tempo…
    e relacionamentos.

    Na vida queremos a morte.
    No leito de morte, clamamos pela vida.
    Vida que esperamos passar,
    passou e não deixou saudades.

    Lamentação é o que ouço pelo mundo afora:
    lamentos de que a vida não presta,
    de que tudo está errado.
    Esquece-se de que tudo depende de você.

    É vida sendo desperdiçada,
    jaula da hipocrisia,
    dos desertores da esperança.
    Nada há de cair do céu.

    Viva a sua vida.
    Viva as relações comunitárias.
    Separe os seus dramas particulares da vida social.
    Procure ajuda e viva plenamente o momento presente.

    Carlos de Campos

    Foto por Alex Sever em Pexels.com
  • Força acolhedora



    Força acolhedora

    Todo o meu amor por você é vibrante. A vida passa despercebida quando não te vejo.
    É no meu íntimo que tudo se dá. É um sentimento poderoso e crescente.
    É o sentimento desamparado unindo-se a sentimentos cordiais.

    Carlos de Campos
    Foto por Marek Piwnicki em Pexels.com
  • Na medida em que adormeço



    Na medida em que adormeço

    É o vento quebrando nas folhas das árvores. É a solidão deitada no vazio, música insistente para a sua mente. Abraço esse sentimento que já é tão meu.

    Carlos de Campos


  • Os indeléveis passos para a morte



    Os indeléveis passos para a morte

    Nada impede que você deixe o amor falar,
    sair para respirar um ar fresco
    e sentir, em seu peito, o seu aconchego.
    Nada o impede de tentar.

    Tentar superar os seus medos,
    medos que nem fazem parte de sua história,
    mantendo-se firme diante dos burburinhos da vida
    e podendo sentir, em seu peito, esse aconchego.

    Quem nunca se decepcionou com alguém?
    Quantas foram as ilusões já sentidas?
    Passou deixando tudo como terra arrasada,
    e seguir acreditando se tornou insuportável.

    São as dores de uma vida maltratada,
    vilipendiada em todos os seus direitos,
    inclusive no direito de amar.
    Amar e ser amado… que dificuldade.

    Singulares são os afetos
    que afetam a todos nós.
    Singulares são as dores que movem os corações.
    Singulares somos nós, com os nossos universos em rota de colisão.

    Tudo o que vive e respira alguma vez já amou,
    diluímos quem éramos para o outro
    para o amor acontecer.
    No final, só restaram duas almas vagando vazias.

    Carlos de Campos
    Foto por Vasily Kleymenov em Pexels.com
  • É improvável que seguiremos sem rumo



    É improvável que seguiremos sem rumo

    Desse jeito,
    tudo se esconde,
    nada reflete nada,
    um tira e não volta mais.

    Tudo surge de um instante,
    um instante improvável
    que seguirá sem direção.
    Só seguirá.

    É iminente o fato
    de nada mais fazer sentido.
    Tudo seguirá sem direção,
    sem ocaso.

    Meu sentido pede paz.
    Para se ter paz,
    é preciso lutar,
    e lutar já não quero mais.

    O modo como tudo acontece
    é rápido, e isso me aborrece,
    me tira a razão,
    razão que nem quero mais pensar.

    Improvável que acabe;
    cabe uma decisão:
    a de não olhar para trás
    e seguir, mesmo sem direção.

    Carlos de Campos
    Foto por MART PRODUCTION em Pexels.com
  • O amor consumido pela eternidade



    O amor consumido pela eternidade

    É um medo que me assombra,
    Se esquece de que eu já não tenho vida.
    Esquecido por mim mesmo,
    Subtraio os bons sentimentos.

    Tudo me dá má impressão.
    São dias frios,
    Uma ansiedade para me esconder,
    Esconder-me dos meus pensamentos intrometidos.

    Estranhamento do meu próprio mundo,
    Das perfeitas imperfeições que me assolam,
    Que fazem os meus mundos ruírem.
    Exatamente aqui foi que me dei conta.

    Sou a encarnação da infelicidade,
    Rascunho malfeito,
    O impasse existencial,
    O fim como chegada.

    Singelo toque que me devolve,
    Volto para o campo de batalha:
    Da aniquilação total à proexistência,
    A verdade que acende o meu ser.

    Fixo o meu olhar no que transcende,
    No que me alveja em sentimentos,
    No que me faz vibrar em gemidos
    Deliciosos, intensos e contínuos.

    Carlos de Campos

    O sistema da internet me contou um segredinho: você está adorando o poema — alguns até voltam para reler ou reassistir (e eu fico todo bobo com isso). Mas aí vem a grande questão filosófica: por que você ainda não curtiu, comentou, compartilhou ou me seguiu?
    Ajuda o poeta aqui! Essas ações simples fortalecem demais o conteúdo.
    Consumir sem interagir? Aí o algoritmo me olha torto e derruba meu trabalho…
    Se quiser que eu pare, é só avisar — mas eu prefiro continuar, viu? 😂💛
    Foto por Zu00fclfu00fc Demirud83dudcf8 em Pexels.com
  • Perdido



    Perdido

    Perder-me em você em noites frias como a de hoje.
    Perder-me em sua história, história de um dia encoberto pela noite.
    No caos, é como me encontro — encontro-me sozinho.

    Carlos de Campos


    Foto por cottonbro studio em Pexels.com
  • Meu Tempo Brutal



    Meu Tempo Brutal

    As mudanças me cercam.
    Estou enroscado,
    perdido no tempo,
    meu contrassenso.

    Estou enroscado no tempo,
    no contrassenso do bom senso.
    Sensações de um mau tempo —
    é tempo de mudanças.

    Enroscado na mudança
    de um tempo perdido,
    cercado de gente infeliz,
    me sinto tão triste.

    Fiel aos meus pensamentos,
    divago pelo tempo.
    No contrassenso do bom senso,
    eu me entrego.

    Infelicidade é a mudança
    de um desejo não correspondido,
    da brutalidade permissiva —
    desejo tempo.

    Divagam em minha memória
    as mudanças dos tempos terríveis,
    da antipatia do destino,
    destino de um dia triste.

    Carlos de Campos

    Foto por Skyler Ewing em Pexels.com
  • Silêncio do meio-dia

    Esse verso é do poema Silêncio do meio-dia, que escrevi pensando na dor que só o silêncio traz. O que te incomoda mais que o frio?

    poema Silêncio do meio-dia
    poema Silêncio do meio-dia