É um medo que me assombra, Se esquece de que eu já não tenho vida. Esquecido por mim mesmo, Subtraio os bons sentimentos.
Tudo me dá má impressão. São dias frios, Uma ansiedade para me esconder, Esconder-me dos meus pensamentos intrometidos.
Estranhamento do meu próprio mundo, Das perfeitas imperfeições que me assolam, Que fazem os meus mundos ruírem. Exatamente aqui foi que me dei conta.
Sou a encarnação da infelicidade, Rascunho malfeito, O impasse existencial, O fim como chegada.
Singelo toque que me devolve, Volto para o campo de batalha: Da aniquilação total à proexistência, A verdade que acende o meu ser.
Fixo o meu olhar no que transcende, No que me alveja em sentimentos, No que me faz vibrar em gemidos Deliciosos, intensos e contínuos.
Carlos de Campos
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Foto por Zu00fclfu00fc Demirud83dudcf8 em Pexels.com
São momentos como esses, na vida, que nos fazem apaixonar profundamente. O que esperar além da fusão total dos corações que se encontraram?
Sou você amanhã
O desejo alcança a alma Na intimidade do seu coração. É meu sonho... Quem me faz ser assim?
É sonho que se funde à realidade, E amor que se manifesta na ação. Amor é ação que acolhe E vida que frutifica.
E não serei esquecido, Nem colocado de lado. Nunca é o bastante saber.
Vem ser amado! Que caiam todas as correntes que nos aprisionavam. Vem, porque este é o nosso momento.
Carlos de Campos
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Um poema sombrio e filosófico sobre o colapso da humanidade diante do medo, da violência e da inevitável rendição interior. Reflexão poética sobre o fim e a perda da esperança.
O mundo sob rendição
É noite de escuridão. O medo toma conta da cidade. De maldade em maldade, espalha-se o terror.
É para deixar a vida seguir o seu percurso, Diuturnamente, O mundo dorme fingindo que está acordado. Tudo muda de sentido.
O medo assombra o nosso futuro — Futuro de incertezas certas, Certas de novidades, Que dão origem ao novo amanhã.
É a vida sendo desgastada pela agonia, Pela imoralidade dos tempos modernos, Que sucumbem em meio às promessas. É uma vida devastada pela nossa agonia.
É a mãe encurralada pelo próprio filho, Filho caindo, alvejado pelo destino, Destino frio, Esvaindo-se — vão-se suas memórias.
Oh, alegria dos momentos que não passam, Oh, pedra preciosa do destino! É a vida futura, distante de nós, É a sensação gélida da sorte.
Um poema sobre o amor impossível e a beleza trágica de sentir o que não pode ser vivido. “Na vida, os caminhos se cruzaram” reflete o encontro entre duas almas destinadas, mas separadas pelas circunstâncias. É uma poesia sobre desejo, dor, aceitação e a força de amar em silêncio — escrita para quem já amou além do possível.
Na vida, os caminhos se cruzaram
Ver você é como ver o meu coração Desfigurado por amar quem não pode ser amado, Quem existe para o outro. O amor e suas controvérsias.
É um sinal limitante, E, um tanto quanto interessante, Ver o seu amor com outro. Como o amor prega peças.
Que, no coração, bastaria você — Sua energia feminina Percorrendo o meu corpo inteiro, Sem propósito algum.
Sua maior dor gera as tuas vitórias: Uma alma sedenta Por paz em meio aos conflitos. Te amo, sabendo que nunca será minha.
Um poema profundo sobre a solidão, o amor e o mergulho interior. “Imensa é a loucura dos que se arriscam” revela a coragem de quem enfrenta o próprio medo para encontrar, no fundo de si mesmo, o verdadeiro encontro com o outro e com a alma.
“Vítima de uma sociedade doentia” é uma composição que traduz, com intensidade e sobriedade, o colapso existencial do sujeito moderno diante de uma realidade opressora.
Vítima de uma sociedade doentia
O elevador quebrou. Como sair daqui? Na aparência, transbordo calma, mas me encontro transtornado.
O elevador parou entre o oitavo e o décimo quinto andar. Estou sozinho, angustiado e sem comunicação. Morte iminente?
Na iminência de uma vida em risco, uma vida solitária, destemida, até ser surpreendida.
Cabe não estar perto. O destino está no fio da navalha, destino ao alcance da vida, de uma vida triste.
O elevador me sufoca com suas mãos metálicas, envolvendo o meu pescoço, enquanto definha a minha alma.
Desce a minha alma, engolida pelo fosso da existência, existência de horrores, pela minha própria falta de sorte.
O elevador parado no quarto andar. Destino concentrado na alma que se foi. A vida vai dando os seus últimos suspiros no fio de uma navalha afiadíssima.
O elevador chega ao seu destino — um destino incerto, de uma caminhada vacilante, destino destemido.
E a minha alma? Quando retornará a esse pobre corpo? Ao corpo que mais se parece a escombros, que caminha fingindo ser feliz.
Elevador parado no décimo andar: um corpo fétido de morte, uma alma decaída no fosso da negligência, em seu último suspiro.
Ufanismo de uma epopeia trágica, de um existir encarcerado por sua própria mente, uma mente que mente para si mesma, nada do que faça faz mais nenhum sentido.
Deixo o tempo passando Passado em que tudo se desfaz. Inspirando… Expirando… A verdade ou a mentira? Relaxamento ou ação? Onde você se esconde? Tudo vai ao encontro, ao encontro do equilíbrio, com calma e verdade, de um dia feliz. Com calma em saber onde reside a verdade, na verdade em que habita a certeza, a plena e única certeza que faz em você sua eterna morada. Que insiste… persiste… e continua até vencer.