O mistério que envolve essas linhas
Que meus dias sejam sempre intensos
Tuas mãos macias
Teus olhos atentos
Ouvidos entregues a ouvir
Enquanto, tua boca, balbucia.
Na meia luz do seu quarto
Se vive com aquela constante impressão
De que está sempre à espera do momento certo
O momento de continuar sentindo.
Põem-se a balbuciar novamente
O mistério que envolve essas linhas
Olhar atento a deslizar nas folhas, com alegria.
Profunda é a entrega
Intensa como alguém que está amando
Que livremente vai se entregando.
Amadurecer para não mais sofrer
Surpresas do destino
Sempre a nos lembrar
Que não estamos no controle
Precisamos ter atenção.
É com o tempo que devemos aprender
A lição de uma vida inteira
Que existe uma razão em nosso viver
É preciso querer para entender.
Um dia, quem sabe
Nossa atenção se volte para o essencial
Quando acontecer, seremos livres interiormente.
Um dia faremos as pazes com nossa consciência
Nessa imensidão de desejos
E, para o amor verdadeiro, retornaremos.
O equilíbrio é a meta
No balanço da vida, me seguro
O medo é presente
Insinuante como se esperava
Continuo me segurando.
Ouço o medo falando comigo
Sem qualquer pudor
Nem meias palavras
Ouço e faço que não o escuto.
O medo é persistente
Mas existe uma solução
Não mais o alimentarei.
Com segurança, convenço o ego
Que no balanço da vida
Seguirei me equilibrando.
Que o grito seja ouvido
No amanhecer deste dia
Seu rosto ilumina
O coração machucado
Que, aflito, sucumbe em gemidos.
Marcado pela contradição
Dos erros que ainda assombram
E, pela história, perambulam
O silêncio ainda é lei.
Um silêncio que asfixia
Protege a ilusão
Gritar é um ato de revolução.
Que o sol volte a brilhar!
Para que todos saibam
Que não existe mais lugar para se calar.
Onde repousa a paz?
No desejo que se encontra a busca
No encontro e desencontro
Em cada um em que se manifesta a maldade
Na deturpação do sentimento fragmentado.
Na extravagância onde se esconde a imoralidade
Que fica na espreita
Reagindo aos pequenos delitos
Nos maltratando interiormente.
Odeio e sinto ódio
Engulo o passado sem solução
Impunidade, é como chamo.
Odeio o dia de paz
Odeio as noites de guerra
Busco uma solução pacífica.
Carlos de Campos
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