Tag: poema autoral

  • Não é mais uma mulher, é a regra do machismo





    “Não é mais uma mulher, é a regra do machismo” é um poema que transcende a estética para se tornar denúncia. Aqui, cada verso é um passo em direção ao colapso — não só do corpo da personagem, mas de uma estrutura social adoecida. Um texto que precisa ser lido com o coração aberto e a consciência alerta.



    Não é mais uma mulher, é a regra do machismo

    Impaciente…
    Dirige-se ao balcão do caixa.
    Está com pressa,
    E a fila é enorme.

    Impaciente, fila enorme,
    Começa a passar mal.
    Seu corpo pálido e fraco
    Desaba na fila daquele supermercado.

    A ambulância chega.
    A mulher, ali mesmo, recebe os primeiros socorros.
    É preciso levá-la com urgência para o hospital:
    É mais grave do que parece.

    É vida ou morte!
    É sangramento interno.
    Os paramédicos correm contra o tempo.
    É vida ou morte!

    O silêncio do centro cirúrgico
    É interrompido pelo “piiiiiii” do monitor cardíaco,
    Um som específico que revela
    Que a vida se esvaiu.

    Os médicos nada mais podiam fazer.
    Um tiro nas costas perfurou seu pulmão.
    Foi alvejada na fila do supermercado
    Pelo próprio filho.

    Carlos de Campos
    Foto por Charlie Rock-driguez em Pexels.com
  • O barco da vida, turbulência encontra

    Poema intenso e existencial que reflete sobre insistir, desistir e o sentido de viver em meio ao caos. Leitura para pensar e sentir profundamente.

    O barco da vida, turbulência encontra

    No desistir, o insistir é uma chance de existir?
    Existimos…
    Por que existimos?
    Desistir de existir.

    Insistir em um projeto é burrice?
    É a valentia dos heróis?
    Alguém forçado pelo sistema?
    Um fracassado que só não quer dar o braço a torcer?
    Desistir de existir é uma opção viável?

    Existir, o que andas fazendo?
    Sonha acordado e anda parado?
    Insiste em desistir,
    O sonho dos alucinados?

    O sonho de existir passa pela realidade de desistir.
    Desisto, logo estou fodido,
    Frustrado em insistir no existir.
    Eis o âmago da existência.

    Carlos de Campos
    Foto por Katia Miasoed em Pexels.com