Tag: poesia autoral

  • Canto da ausência presente

    Canto da ausência presente

    No abismo dos teus olhos,
    me vejo só,
    infeliz em tua companhia,
    sozinho me encontro.

    No abismo dos teus olhos,
    os mesmos olhos ausentes,
    sentindo frio
    em um sótão.

    Olhos ausentes
    em um frio imensurável,
    destino solitário
    no abismo do sótão da indiferença.

    Destino de olhar profundo
    no fundo de um subsolo obscuro,
    destino escondido
    de um olhar extasiante.

    É uma dor contida,
    de desejos sem sentido,
    de sol sem as estrelas,
    estrelas que pulsam no subsolo.

    De um olhar como o teu,
    olhar de um abismo profundo,
    que no silêncio grita por presença
    na ausência da tua lembrança.

    Carlos de Campos
    Foto por Ali Karimiboroujeni em Pexels.com
  • Interior é a vida que vivemos



    Interior é a vida que vivemos

    Quem deseja ir
    Sem saber o que quer
    E sem saber para onde vai,
    Vai sem direção.

    Em que direção devo seguir?
    Sigo o coração perdido?
    Os escombros de uma história inteira?
    Parado, encontro a existência.

    Existe uma resistência em prosseguir.
    O abismo é...
    Um silêncio que grita no vazio.
    É uma luta desesperada pela sobrevivência.

    Caminho de difícil acesso,
    Entre buracos e desníveis.
    Mas é preciso continuar.
    Não dá para ficar estagnado.

    O interior é a força que nos influencia,
    É quem dita para onde devemos seguir
    E como percorremos esse trajeto —
    Justamente onde damos menos atenção.

    A alma interior
    É quem nos conduz
    Para onde estamos ancorados.
    Você está ancorado em que cais, nesta existência?

    Carlos de Campos
    Foto por Heiner em Pexels.com