Tag: poesia autoral

  • Sobriedade existe até no submundo

    Sobriedade existe até no submundo

    Os demônios insistem,
    divagando em labirintos secretos,
    sem saber ao certo
    a direção que vão tomar.

    Os subjugados na escuridão
    se revoltam contra toda luz,
    sem saber ao certo
    que direção vão tomar.

    São os luzeiros do céu
    que causam em nós tanta ira;
    são os caminhos incertos que nos fazem perder,
    são as luzes que clareiam nossa alma.

    Não existe solidão
    quando a alma se apequena;
    quando tua vida perde o brilho,
    rastejando, tu te encontras.

    Ímã da paixão,
    desencantos,
    vida perdida,
    rasteja-se pela sombra.

    No auge do amor:
    tentações,
    insegurança,
    calamidade até o fim.

    Carlos de Campos
    Foto por Andre Moura em Pexels.com
  • Sentimentos arrastados pela escuridão



    Sentimentos arrastados pela escuridão

    Em suas tramas me envolvo,
    em desejos me desfaço,
    no calabouço de uma vida maldita
    que dita as regras de minha agonia.

    O desespero bate à porta,
    das incongruências me alimento,
    despido de minha arrogância,
    dos medos que me subtraem toda a esperança.

    Imutável é o meu desejo,
    e por isso sinto calafrios
    que perpetuam a minha angústia,
    feia e terrível.

    É a divindade que sufoca
    no sufoco mortal de uma vida,
    de uma vida ferida,
    no peito que sangra todos os dias.

    Nos escuros da viela nos encontramos,
    copulamos…
    restando corpos nos telhados,
    que destelhados estavam nesse momento.

    Me escondo nas vielas,
    na morte que me persegue,
    nos corpos desossados,
    no desejo que me faz viver.

    Nos dias que maltratam a alma,
    que cegam a minha razão,
    nos dias que não passam,
    na esperança que não existe mais.

    Eficientes são as tuas maneiras de enxergar,
    de ver na sombra da vida uma solução,
    dominando a arte da sedução,
    da ilusão que mais te comove.

    Incinerar o amor de sua vida,
    que há anos já se encontra putrefato,
    e que seguir é preciso,
    mesmo diante de um espelho sem reflexo.

    Mudar sua mentalidade corrompida,
    carniceira de um ego podre,
    podre pelos delírios do passado,
    que passa à margem de sua história.

    Ufanismo de uma epopeia trágica,
    de um existir encarcerado por sua própria mente,
    uma mente que mente para si mesma,
    nada do que faça faz mais nenhum sentido.

    Carlos de Campos
    Foto por Can Ceylan em Pexels.com
  • Me reconheço sob o amparo da verdade

    Me reconheço sob o amparo da verdade

    Mentiras — é só o que vejo e ouço. Vejo-as em todos os lugares, mas o lugar onde mais as observo, e que mais me preocupa, é vê-las e ouvi-las estampadas no coração humano. É a mentira tomando o lugar da verdade.

    Levantou-se para defender a verdade com defesas aniquiladoras. Nada é mais poderoso do que a verdade; quando proferida, ela é como subir aos telhados para ser ouvida nos quatro cantos do mundo.

    Nada é sem consequência. Sempre se levantarão contra nós os mentirosos contumazes, os libertinos da imoralidade, os defensores das coisas ocultas e secretas. É preciso manter-se firme quando se trata de defender a verdade.

    Carlos de Campos

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    Foto por Pixabay em Pexels.com
  • Meu espelho


    Meu espelho

    No auge,
    me vi.
    A solidão é você.

    Carlos de Campos


    Foto por Tasha Kamrowski em Pexels.com
  • Canto da ausência presente

    Canto da ausência presente

    No abismo dos teus olhos,
    me vejo só,
    infeliz em tua companhia,
    sozinho me encontro.

    No abismo dos teus olhos,
    os mesmos olhos ausentes,
    sentindo frio
    em um sótão.

    Olhos ausentes
    em um frio imensurável,
    destino solitário
    no abismo do sótão da indiferença.

    Destino de olhar profundo
    no fundo de um subsolo obscuro,
    destino escondido
    de um olhar extasiante.

    É uma dor contida,
    de desejos sem sentido,
    de sol sem as estrelas,
    estrelas que pulsam no subsolo.

    De um olhar como o teu,
    olhar de um abismo profundo,
    que no silêncio grita por presença
    na ausência da tua lembrança.

    Carlos de Campos
    Foto por Ali Karimiboroujeni em Pexels.com
  • Interior é a vida que vivemos



    Interior é a vida que vivemos

    Quem deseja ir
    Sem saber o que quer
    E sem saber para onde vai,
    Vai sem direção.

    Em que direção devo seguir?
    Sigo o coração perdido?
    Os escombros de uma história inteira?
    Parado, encontro a existência.

    Existe uma resistência em prosseguir.
    O abismo é...
    Um silêncio que grita no vazio.
    É uma luta desesperada pela sobrevivência.

    Caminho de difícil acesso,
    Entre buracos e desníveis.
    Mas é preciso continuar.
    Não dá para ficar estagnado.

    O interior é a força que nos influencia,
    É quem dita para onde devemos seguir
    E como percorremos esse trajeto —
    Justamente onde damos menos atenção.

    A alma interior
    É quem nos conduz
    Para onde estamos ancorados.
    Você está ancorado em que cais, nesta existência?

    Carlos de Campos
    Foto por Heiner em Pexels.com
  • Nada é como antes

    Nada é como antes

    Não bem.
    Orgasmo mental,
    desejo incontrolável
    de olho.

    Em nada vejo,
    nada sinto,
    nada sei.
    Orgasmo mental.

    O instinto se rebela
    na contradição de uma vida
    desajustada, ferida —
    promessa de vazio.

    Instinto que se rebela
    no esconderijo da ferida
    de uma vida promíscua.
    Em nada me vejo.

    Orgasmo mental.
    Dê-me as suas entranhas
    para que eu revele a sua inocência
    de uma vida machucada.

    Cabe a você, meu bem,
    me impedir
    e opor-se, em meu ouvido,
    às loucuras de uma mente desequilibrada.

    Carlos de Campos
    Foto por cottonbro studio em Pexels.com
  • Abramos os nossos corações e mentes às novas ideias



    Abramos os nossos corações e mentes às novas ideias

    A minha história é de busca,
    De intensidade e interioridade.
    É ser e não ser,
    Desejo e reclusão.

    A minha história é de fracasso,
    E, como todo bom fracassado, me justifico.
    Me justifico da pobreza que recebi como herança,
    E querem me ver calado.

    A minha história é como a sua:
    Nos calaram até não querer mais.
    Nos mantiveram presos nessas ideias,
    Ideias que nos fizeram acreditar.

    É hora de dar um basta nessa opressão,
    Passou da hora de se libertar dessas ideias,
    Ideias que não se justificam com tanta injustiça.
    É hora de deixar novos ares entrar.

    São nessas horas que temos que nos convencer
    De que seguir essas ideias do sistema não dá mais.
    O mundo está perdido em egos,
    Egos de poucos, mas egos autoritários.

    Ir em direção às ideias fundamentalistas é um erro.
    É preciso dar espaço e valorizar o debate.
    É debatendo que chegamos às boas e novas ideias —
    Que as boas e novas ideias então floresçam.

    Carlos de campos
    Foto por Landiva Weber em Pexels.com
  • Amor como ato de liberdade



    Amor como ato de liberdade

    Quem, absorvendo o amor, o ignora?
    Quem compreende as ideias quiméricas do amor?
    Quem é o amor?
    O que se pode esperar do amor?

    Cada coração como oferta ao amor?
    O amor é um ente?
    Por que amar?
    O amor é uma energia?

    Eu, em nada, me vejo amando.
    São só conceitos abstratos.
    Nem sabemos o que é o amor,
    e não fazemos a menor ideia do que seja.

    Seguimos uma ideia do que é o amor.
    O que é o amor?
    O amor, como nós compreendemos e vivemos,
    é cárcere privado.

    Ninguém ama na essência do que é o amor.
    O amor é essencialmente liberdade.
    Liberdade em sua plenitude.
    O amor é liberdade no cuidado.
    O amor é a plenitude da confiança.

    Quem ama é totalmente livre.
    Quem ama se sente cuidado e liberto.
    Quem ama de verdade transgride
    o conceito vigente do patriarcado.
    Amar é viver em um jardim aberto.

    Carlos de Campos
    Foto por Pixabay em Pexels.com
  • Ser o Mar



    Neste poema, o mar é metáfora do equilíbrio e da aceitação. Não há tormenta, nem euforia — apenas o fluxo natural da vida. “Ser o Mar” é um convite ao desapego, à leveza e ao entendimento de que viver é navegar com confiança no que não se controla.

    Poema contemplativo sobre o mar como metáfora da vida, do equilíbrio e da entrega. Um texto profundo sobre navegar com leveza, sem resistência.


    Ser o Mar

    O mar da vida me carrega,
    me incentiva a prosseguir,
    me direciona para bons lugares.
    O mar da vida me inspira.

    Vou para onde sou levado,
    vou na direção do vento,
    do viver enquanto se existe,
    do amar enquanto se vive.

    Vou em direção ao vento.
    Em alto-mar me vejo,
    velejando o barco da minha história.
    Ao mar me rendo.

    O meu direcionamento é o mar.
    O vento de esperança me carrega.
    Ser o mar é o meu objetivo:
    imenso e profundo.

    Carlos de Campos
    Foto por Kenzhar Sharap em Pexels.com