Te amo” é um poema que engana com sua simplicidade: ele se inicia com a proposta de um sentimento universal, mas logo mergulha em reflexões existenciais, dissoluções afetivas e colisões psíquicas.
Te amo
Vê, gente, o amor? Não é ilusão, descaso e mortalidade.
Sou o sonho desfeito, caminho de felicidade destruído, sou desejo esquecido.
O átomo da vida, sou a consciência diluída, sou você em rota de colisão.
Este não é apenas um poema que se lê — é um poema que lê você. Ele reconhece, em silêncio, os lugares onde o tempo deixou marcas: dor, saudade, arrependimento, maturidade. Não tenta convencer. Apenas revela uma verdade universal: o tempo não é neutro. Ele molda, esvazia, esculpe… e, às vezes, sepulta. Cada verso é um espelho — e cada espelho, uma travessia.
No passar do tempo, instante desfeito
No existir do tempo, o tempo nos comove. Diante de tua grandeza exuberante, o tempo deixa de existir.
Sou o tempo que passou, o tempo que se faz presente, o tempo em construção permanente. Sou o tempo em tempo.
Tempo em tempo, a vida dita o ritmo. Em tempo, em tempo, a vida vai se esvaindo.
O tempo é quem me mantém vivo, ditando o ritmo sinistro. O tempo vai... e, com ele, também vai a minha paz.
No fim do tempo, existe uma pessoa que pensa e se incomoda. O tempo é irremediável, e o fim geralmente é negado.
O tempo amadurecido é o tempo de ser colhido. É tempo da aceitação, tempo da mais pura transição.
Ele não oferece redenção — oferece lucidez. Ele não consola — denúncia o preço de sonhar. Se ainda temos o poder de dizer o que ninguém tem coragem de verbalizar, então 'Me vejo sonhando acordado' é esse poema — mesmo que precise pegar todos os dias os vagões de metrô lotados, onde nós carregamos o peso dos sonhos não realizados.
Me vejo sonhando acordado
No Atlântico Norte eu avistei Dezenas de possibilidades Que eu nunca experimentei. O que devo fazer?
Sair em busca de um sonho, Sonhar enquanto se está dormindo, Na esperança de que tudo seja realidade. Vejo as possibilidades, mas não tenho como alcançá-las.
Momentos como esses são raros, Requerem de nós meios para realizá-los, Do princípio à realização como um fim pleno. Quem pode sonhar com algo tão grande?
Me vejo sonhando um sonho sozinho, Distante de qualquer sucesso. O que devo esperar da vida? O que esperar de ações sem incentivos?
Negar a impossibilidade de realizar um sonho é difícil, Como também é difícil sonhar com o que não se pode realizar. Os sonhos são o que são, Não são nem bons nem ruins.
Sonhar acordado implica em sonho irrealizável. Sonhar exige ter uma boa carteira financeira. Do lado do Atlântico Norte eu vi… Insônia de um sonho não realizado.
“Preciso me dar um tempo” é um poema honesto, impactante e sensivelmente atual. Ele traduz, com lucidez e dor, o retrato de um sujeito contemporâneo esgotado pelas exigências do mundo, que encontra no próprio colapso uma chance de lucidez: cuidar-se antes que seja tarde.
Preciso me dar um tempo
Leveza de um destino entrelaçado Em uma busca sem desfecho Ironia É só o que encontro.
Os desafios são sem fim No auge, procurei desistir Sem saber que não estava no auge Só estava cansado.
Ir sempre além Mesmo estando cansado É como gostaria de pensar Só que a realidade me diz que ando esgotado.
Cansado… Estou aflito por sentimentos que não sinto Ir além… É ir de encontro com a morte.
Preciso me afastar do mundo Das pessoas que sabem de tudo É vital focar nas coisas que se passam em minha mente E parar de ser intransigente comigo.
Com urgência, preciso me cuidar Antes que seja tarde demais E eu venha a sucumbir Me desfazendo em partículas pelo asfalto.
Ninguém sairá vitorioso dessa batalha. Mercenários da ilusão, De um mundo em contínua submissão, Onde tudo se tornou um fracasso.
Iluminados de autoritarismo Se somam aos ridicularizados. Ninguém estará fora ou dentro Dessa intervenção.
Isolados e com medo, é como estamos: Distantes e próximos de nada, Do amor que eu perdi E, perdendo, me machuquei.
É por dores assim que me movimento. Decepções são como baldes de água fria. Nem todos têm a mesma cabeça para lidar com a situação. Sofrimento: alimento para a alma dos decepcionados.
Distante é como estou. Cada um segue o seu destino, Distinto e, ao mesmo tempo, próximo No sofrimento que nos une como irmãos.
Diante do absurdo, O susto. Meus dias passam atropelando tudo. Eu sinto muito!
Quem é o maior egocêntrico? O que o mundo deve esperar do homem? Do amor que nunca vem? Da ilusão que é a nossa realidade?
Solidão: castigo dos corações apaixonados, Dos amores que nunca foram realizados, Da distância que nunca foi tão próxima, Alma que não soube amar na oportunidade que teve.
Do céu buscam o socorro. Na Terra produzem destruição em massa, Tudo em nome da nobre arte de amar, Das virtudes que são violentadas.
No mundo em que o caos é o imperador, Os soldados são os desesperançados, Forçados ao front de batalha, Sucumbem em êxtase de esperança.
Faz-se ver ao longe, Caminhando entre corpos e escombros, A esperança! Recolhendo os corpos despedaçados.
Limpando as feridas dos sobreviventes, Alimentando a alma dos esfomeados. Quem és tu, bela donzela? Como ousas salvar os meus condenados?
Imersa em solidariedade, Aquela honrada jovem continua o seu trabalho, Doando-se em amor, tempo, esperança e cuidado. Ao longe, ainda se pode ouvir o imperador vociferando.
Palavrões, insultos e ordens de guerra são direcionados, Tudo em uma tentativa em vão de dissuadi-la de sua missão. Nesse momento, nada e ninguém é capaz de movê-la de seus propósitos, Na firmeza de seus passos descalços.
Caminhante nessa vida, Alimenta almas e corpos com o dom sagrado, Com os dois únicos dons capazes de salvar esta humanidade. Cantemos ao amor! Cantemos à solidariedade!