Luxúria
Nos dias ruins,
eu adormeço em ti.
Eu, em êxtase,
estou dentro de você,
sem nenhuma excitação.
A ti me entrego;
sem nenhum remorso, eu me despeço.
Carlos de Campos

Luxúria
Nos dias ruins,
eu adormeço em ti.
Eu, em êxtase,
estou dentro de você,
sem nenhuma excitação.
A ti me entrego;
sem nenhum remorso, eu me despeço.
Carlos de Campos

Vejo o que esperava ser
Mas até quando coisas assim acontecerão?
Tudo está envolto em uma névoa,
um destino desafiado.
São sete horas da manhã.
É a essência da vida se revelando,
conduzindo pela mão,
mão ferida pelo trabalho duro.
Cansado, apenas desejo seguir.
Observo o dia que começa,
que traz a alegria e as contradições.
Na vida existem riscos,
perigos escondidos.
Olhar atento no caminhar
que se debruça sobre a existência,
na mera ocasião
de uma dor que não tem fim.
Podemos nos sustentar de improviso?
A vida é um contínuo improviso?
Existe vida além do trabalho?
Trabalho: mentira dita por séculos.
Insisto em continuar a viver,
porque a vida é nada além de insistir.
Um dia o amanhã é belo e exuberante;
no outro, terrível e assustador.
Carlos de Campos

Uma viagem no universo de nosso rio
Ponho-me a pensar
No universo que existe dentro de mim,
Na imensidão que eu sou.
O que carrego é maior do que posso compreender.
O que é esse mundo?
O que são essas estrelas?
São desejos latentes
Colidindo entre si.
Que movimentos são esses,
Caindo uma por uma,
Desprendendo-se das soleiras da alma
De um universo desconhecido?
Bom é a companhia
De seres amigos
Que brotam das profundezas do meu próprio ser,
Me encorajando a sempre continuar.
Dizem, em uma região não acessível,
Que milagres vêm sendo colhidos o dia inteiro,
Que, na abóbada universal,
Correm leite e mel.
Rio caudaloso que desce a montanha,
Que refresca o corpo e a mente.
Tua oposição à sujeira é firme;
Há beleza nas profundezas desse rio.
Carlos de Campos

Um poema sobre o amor, o tempo e a inevitável perda, revelando a fragilidade humana diante das mudanças e do destino.
É certo que nossas almas escaparam?
É vivido o meu amor por você,
As idas e vindas
No fluxo desse ocaso
Que engoliu as nossas lembranças.
É para deixar a vida seguir o seu percurso,
Diuturnamente,
O mundo dorme fingindo que está acordado.
Tudo muda de sentido.
O medo assombra o nosso futuro —
Futuro de incertezas certas,
Certas de novidades,
Que dão origem ao novo amanhã.
É a vida sendo desgastada pela agonia,
Pela imoralidade dos tempos modernos,
Que sucumbem em meio às promessas.
É uma vida devastada pela nossa agonia.
É a mãe encurralada pelo próprio filho,
Filho caindo, alvejado pelo destino,
Destino frio,
Esvaindo-se — vão-se suas memórias.
Oh, alegria dos momentos que não passam,
Oh, pedra preciosa do destino!
É a vida futura, distante de nós,
É a sensação gélida da sorte.
Carlos de Campos

Onde você se esconde?
Fim do mundo
Dos pensamentos coerentes,
Do ânimo individual,
Procuro nem entender.
Os desejos que afloram na alma,
Distantes da vida,
Sucumbindo…
Os dias passam correndo.
Vão e vêm, todos apressados,
Em um ata e nem desata,
Na pura ilusão,
Distante de tudo.
Sofrimento,
Paz,
Nada mais importa.
Deixem tudo como está.
Carlos de Campos
