Em um belo dia A natureza estava radiante Tudo é mais intenso do que o normal Do sabor, da cor e do sexo.
É um dia caprichosamente melhor do que foi ontem Ouço a quilômetros de distância o rio brincando em seu leito Ouço os pássaros cantando em uma linda sinfonia E observo uma mãe amamentando a sua cria.
Que esse dia se estenda pelos séculos São dias como esse que valem a pena contemplar Dia em que a eternidade resolveu se manifestar Sou esse anjo de luz a vibrar.
O enigma celestial a nos envolver de paz Sou eu compactado plenamente nas entranhas de Deus Capricórnio no jardim do Éden Quem sou eu além de um magnífico querubim?
Os meus dias de glória vão se acabando E com eles vou me acordando
Voltando a ser mais um mortal Tendo que abrir os olhos para a dura realidade.
Durmo no colo das deusas Acordo compactuando com o capeta Beijo os lábios mais doces que o mel Para deitar-me com os “escrupulosos”.
Os sonhos foram destruídos Como as nossas memorias de infancia Uma a uma se vão Sem paz observo no escuro.
Moedores de esperança Triunfam sobre as nossas cabeças Desacreditada Maldito és tu capitalismo.
O que somos? Além de artefatos para gerar riqueza alheia Somos os sonhos que foram destruídos Somos quem vive por viver.
Em um mundo onde as cartas já estão marcadas O que somos além da memória? Uma parcela enorme que vive de barriga vazia O que somos além de assalariados?