Tag: poesía existencial

  • Um instante passageiro


    Um instante passageiro

    Me vejo absorto.
    Nada parece estável.
    Preciso de segurança.
    O solo deixa buracos.

    No percurso, destilamos ofensas.
    Encaramos os nossos próprios medos,
    sabendo que, lá no fundo, estamos apavorados.
    Precisamos seguir sem demonstrar inquietação.

    Lutar é o que dá sentido para a vida.
    Internamente, somos tão humanos
    que cada passo parece uma longa jornada.
    Tentamos dar os passos mais seguros.

    Há pior momento do que perder?
    Tudo, absolutamente tudo,
    no movimento seguinte,
    deixamos algo pelo caminho.

    Quem, olhando para a própria vida,
    quis desaparecer?
    Procurou sentido no próprio existir?
    Na fadiga que nos envolve?

    Não estou vendo uma saída,
    se é que existe uma saída.
    Um olhar mais detalhista,
    um dia de sorte.

    Olhei para além do que via
    e vi que existia uma saída.
    Uma nova chance eu encontrava,
    além das minhas possibilidades.

    Insisti em reconsiderar,
    como se tudo estivesse acabado,
    como se os meus desejos não contassem.
    Respirei para reconsiderar.

    Purifiquei as minhas ideias.
    As distrações me perseguiam.
    Desejo e sonho ao mesmo tempo.
    O que farei agora?

    O meu testemunho é verdadeiro.
    Lutar para viver é necessário.
    É a realidade indagando,
    o mundo estreitando.

    Um belo sonho estou sonhando,
    um canto estou compondo.
    Tudo é santo,
    como eu sou pecador.

    O sonho é verdadeiro
    quando sonhar faz total sentido.
    No meu viver, não fez.
    Não estou sendo pessimista demais?

    Meu Deus do céu,
    o sol apagou.
    Na escuridão da vida,
    sigo a minha rotina.

    Um breve silêncio ecoou.
    Na chama fria da vida se fez,
    se fez desejo, sonho e solidão,
    se fez a mais pura contradição.

    Instante ferido pela morte
    não poupou nem a própria sorte.
    Nas profundezas de um sortilégio,
    sem nenhuma animação.

    O que passou, passou.
    Sou este instante,
    essa lucidez calculada.
    Eu sou o tempo perdido.

    Leveza abstrata,
    sonho fascinante,
    um toque.
    Tua é a nossa sorte.

    Uma cadência pura de razão.
    Vê quem está perto,
    perto demais para entender
    que o momento exige paciência.

    Os seus olhos me seduzem,
    me revelam detalhes,
    detalhes que passam despercebidos
    e que são essenciais nesse momento.

    Peça batendo cabeça,
    sorte contida,
    impulsos desprovidos de certezas.
    Desistir tornou-se uma opção.

    A morte é a minha nova sorte,
    é o destino insistindo,
    é o preço a se pagar.
    Respiro para voltar.

    Oh, demasiadamente bizarro,
    os desígnios se revelam,
    as abstrações tomam formas.
    O que vejo é imperdoável.

    Resta saber: quem viu?
    Quando, estando prestes a saber, soube
    que esse seria o movimento certo,
    quem não soube compreender?

    Os desejos inflamados querem correr.
    Cegaram os olhos que nunca viram
    além do que lhes era permitido ver,
    e, quando viram, já era tarde demais.

    Resistir é necessário,
    mas qual seria a melhor resposta?
    Sem saída,
    o fim se aproxima.

    Apego-me às soluções improvisadas,
    em espantalhos imaginários,
    no destino traçado pela sorte
    para quem ainda não viu.

    O que são esses movimentos,
    além de movimentos
    de meras incertezas,
    sem observações?

    Um recuo se faz necessário,
    um salto para o escuro.
    Sem medo algum, eu sigo o meu destino,
    incerto, mas ainda é o meu destino.

    Move-se em pleno voo
    um pensamento congruente,
    um passado absoluto
    contando um presente.

    Nossa é a vida presente
    dos momentos apaixonados.
    Um dia é como vemos.
    Voar é estar livre.

    Carlos de Campos

    Poema baseado “Na partida imortal de xadrez do dia 21 de junho de 1851 entre adolf andressen e lionel kieseritzky”
    Foto por Alvaro Camacho em Pexels.com
  • Sonhos de falsas verdades


    Sonhos de falsas verdades

    Onde está o amor?
    Os sonhos de dias felizes?
    Nas circunstâncias da vida,
    sinto saudades de sonhar com dias mais otimistas.

    Suas mãos estão sujas de sangue inocente.
    Tua indiferença é tão corrompida.
    São pesadelos em noites mal dormidas.
    Otimista é o caralho.

    Os teus olhos me cegam pela verdade.
    Delinquente.
    Olhos de vidro.
    Desmascaram a minha face.

    Iludi-me muito nessa vida.
    Meus sentimentos foram atravessados.
    Me enganaram.
    Abusaram de minha bondade.

    Mostre-me a lua sangrando.
    Gritos aterrorizantes.
    Desrespeito
    das sórdidas madrugadas.

    Os teus sonhos foram roubados.
    Na verdade manipulada,
    no estreito foram estuprados.
    Ninguém está ligando para mais nada.

    Carlos de Campos
    Foto por Brett Sayles em Pexels.com
  • Sem amor nada faz sentido

    Sem amor nada faz sentido

    Me sufoca o ar raro efeito.
    Não consigo respirar.
    Aqui é frio.
    Onde posso me esconder?

    O poder do amor soterra,
    maltrata o amante,
    mata quem é amado.
    O que me faz amar, além da morte?

    O meu corpo não pensa.
    Meu destino é segredo.
    No incêndio da mente,
    o poder é destrutivo.

    Ruas destruídas,
    estradas sem saídas,
    queimadas por todos os lados.
    Falta água.

    Nos últimos dias,
    tudo se dispersou,
    se alinhou
    e seguiu.

    Vejo o amor despido,
    enlouquecido,
    nos seus delírios,
    se entregando.

    Carlos de Campos

    Foto por u00f6mer u00e7elik em Pexels.com
  • O meu sofrimento não me permite elevação


    O meu sofrimento não me permite elevação

    Não bebo a solidão,
    ela é quem me toma,
    me possui em tudo:
    sentido...
    tato...
    olfato...
    paladar...
    Nada está fora do seu alcance.

    Algoz do meu mundo,
    que em medo me enche,
    o que nada desafia
    na fria escrita
    que rompe o silêncio.
    Tempo sombrio.

    Tudo o que faz sentido
    está longe de ser revelado.
    O que faz sentido não se explica:
    observa,
    sente e observa,
    sente até sentido fazer.

    No meu mundo é difícil sentir,
    porque o sentido se desfaz
    na ilusão do meu entendimento.
    Meu caro, devo lhe dizer:
    o Invisível é quem te guia,
    na escuridão ou na iluminação.

    Carlos de Campos
    Foto por Dorran em Pexels.com
  • A ilusão é o meu destino


    A ilusão é o meu destino

    Quem sou eu diante do absurdo do meu reflexo? Feliz no instante egoísta da própria limitação. O medo é encorajado pelo instante duvidoso. Sou a decepção dos triunfos não alcançados de um dia a mais, fadigado. Sou a beleza da plena lamúria que um dia ousou se rebelar dos instantes perfeitos; só me restou a imperfeição. Cada dia é um dia a mais de morte e ressurreição.

    Existe em mim amor, ainda que turvado por meu egoísmo? Por minha grandeza sustentada pela areia? Existe um lugar pouco conhecido, quase esquecido por mim; é aí que a força poderosa do amor vive, em um cômodo de um metro quadrado, sem luz, sem água, sem dignidade, esquecido por você para que morra de frio na mais pura e intensa solidão.

    Em artesanato, esbocei a minha perigosa relação de queda, como um anjo perdido, cheio de ambição e certo de que irei falhar. Existe um medo da grandeza; é como se fosse querer me engolir. Nada mais faz sentido quando o que sinto não faz parte da minha realidade. É como se eu fosse o eu de ontem, o eu de um passado distante, que só observa e não faz mais nada.

    Carlos de Campos
    Foto por shajahan shaan em Pexels.com
  • Nascidos da essência do caos


    Nascidos da essência do caos

    Tudo o que existe
    Respira
    Tem o dedo
    Do caos.

    Caos que encontrou
    Caldo cósmico
    Oportunista galáctico
    Caos nada tão natural.

    O mundo existe do caos.
    Você é caos bruto.
    Nada existe antes
    E nunca existirá depois.

    O caos é a energia primordial de toda a existência.
    O caos é o seu destino final.
    A morte é o anti-caos.
    Nada vem antes, durante ou depois do caos.

    Organicamente, somos caos.
    Politicamente, somos caos.
    Psicologicamente, somos caos.
    Naturalmente, somos filhos e filhas do caos.

    Olhe para si mesmo
    E contemple a beleza,
    O pulsar de uma vida que constantemente se reorganiza do caos.
    Olhe e contemple: há caos por todos os lados.

    Carlos de Campos
    Foto por Marco Milanesi em Pexels.com
  • Deus e demônio, eu sou os dois


    Deus e demônio, eu sou os dois

    Morte, desejo estranho, distante de mim. O que devo pensar no interior da alma? Camadas perdidas dentro de mim, rosnando para o meu ser. Quem sou eu, afinal? Ilusão e realidade. Dúvidas e certezas. Deus e demônio habitam o meu ser, guerreiam para decidir quem será o cafetão de minha alma, alma dividida pela divisão infinita, pela contradição estabelecida no caos de uma perversão enfraquecida. Deixo toda a minha alma para você.

    Instantes finais de uma decisão tomada, de um delírio constante. Quem sabe um dia tudo fará sentido. Bando de porcos corre por cima do meu corpo, buscando ouvir a palavra de salvação; carniceiro da pregação, aludindo ao prelúdio bestial dos homens purificados que ejaculam de sua própria arrogância e moralidade. É o fim de um final em que o início sempre piora. Estou ouvindo os deuses reivindicando que toda glória é merecida, tudo o que desejo é que assim seja.

    O lábio terrível da maldição não é o lábio que fala; é o lábio que, enquanto beija, injeta todo o seu veneno. Lábios da maldita maldição que nos mata por dentro, em silêncio, enquanto honramos o Deus de toda a perversão.

    Carlos de Campos
    Foto por Lisa from Pexels em Pexels.com
  • A lenda que ainda vive


    A lenda que ainda vive

    Um dia bem vivido
    Vale mais que mil anos vividos no sofrimento.
    Vivo o que preciso viver hoje,
    Intensamente, como deve ser.


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    Os teus dias passam,
    A morte nos espreita.
    Viver e morrer sem tesão
    É uma escolha a se fazer.

    Viver e morrer com alegria
    É se tornar uma lenda.
    É uma lenda quem soube aproveitar o que tinha.
    Seja você mesmo: é o que basta.

    Sê lenda em nossos dias,
    A lenda da alegria,
    Que sabe dosar esse tempero em toda a vida.
    Sê lenda: é o teu destino.

    Viver na alegria
    É saber exatamente o momento de ser alegria.
    É preciso confiar em seus instintos
    E se soltar.

    A morte é o ato da infelicidade,
    A desesperança em nosso ser.
    O antídoto para tudo isso
    É viver a potencialidade de um dia feliz.

    Carlos de Campos
    Foto por Pixabay em Pexels.com
  • O corpo e a mão veem os sentidos


    O corpo e a mão veem os sentidos

    O nosso destino está no ver.
    No ver de quem sente,
    no ver de quem ouve.
    Ver é ouvir o sentido.


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    O sentido que vê
    é o mesmo sentido que ouve,
    que sente o sentido do olhar.
    Vê como eu sinto?
    Sente o que eu vejo com o ouvido?

    Sua capacidade de ver está extremamente aguçada.
    Seu corpo se arrepia todo.
    Sua mão suada me toca,
    toca como quem quer ver o que está ouvindo.
    Sua boca deixa sair os sentidos.
    Sua alma está plena em ver o que eu vejo.

    O estado de ver
    é visto nos olhos,
    é sentido.
    As minhas comoções vêm à tona,
    ligadas ao meu ver.
    Eu vejo o que vejo.
    Suas mãos estão frias.

    Suas mãos veem o meu corpo,
    passeiam pelo meu corpo.
    Meu corpo vê os sentidos.

    Carlos de Campos
    Foto por Paulina Bermudez Castellanos em Pexels.com
  • Uma opção é ver, e a outra?


    Uma opção é ver, e a outra?

    Os caminhos são tortuosos.
    Tudo é precário.
    São caminhos,
    caminhos necessários.


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    O que preciso fazer para passar por esse caminho?
    Caminho da desolação,
    do tédio,
    da ilusão à flor da pele.

    Moedor da dignidade,
    dos valores esquecidos.
    Caminham juntos pelos caminhos tortuosos,
    caminham com o risco de não caminharem mais.

    Vê o que não se pode ver?
    Porque, vendo, você descobre a lucidez.
    Porque, vendo, você vê o que eu vejo.
    Vê, porque é preciso ver?

    Diga-me: o que vê?
    Para que lado olhas?
    Vê-se com outros sentidos também.
    Vê-se sentindo o pulsar da razão.

    Jovem ou idoso,
    todos fazem parte desse caminho.
    Caminhos, por muitas vezes, tortuosos.
    Caminho que nos dá a esperança de caminhar.

    Carlos de Campos
    Foto por Dee Onederer em Pexels.com