Tag: poesía existencial

  • Livro 10: O poder da morte: nascer, viver e morrer (Poema 01/150)Nascer é como o sol da manhã acariciando as plantinhas

    Livro 10: O poder da morte: nascer, viver e morrer (Poema 01/150)
    Nascer é como o sol da manhã acariciando as plantinhas

    É belo esse momento:
    o nascimento de uma pessoa,
    o existir no berço da Terra de Santa Cruz.
    É mistério quem nos envolve.

    O momento nos pede celebração,
    uma festa bem animada,
    que hoje tragamos em nossos corações só a alegria,
    de espaço somente para o amor.

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    O nascer é vida que se renova,
    são reflexões que nos incomodam,
    é a natureza que vence a nossa vontade.
    Cada vida que existe nasce para si mesma.

    Prometeu o amor.
    O amor não veio.
    Nascer é saber ser ferido
    em sua vulnerabilidade reprimida.

    A vida é uma dádiva
    para quem vive nas mansões dos ricos,
    para quem é acudido ao menor dos gemidos.
    O nascer de um pobre é violento.

    É dependente da esmola alheia,
    é grito de fome de milhões de desnutridos,
    é a incapacidade de olhar para o lado,
    é a morte que nos é apresentada desde o começo.

    Carlos de Campos

  • Livro 1: A Arte da Trégua Não existe anistia para quem atenta contra a democracia (Poema 01/60)

    Livro 1: A Arte da Trégua
    Não existe anistia para quem atenta contra a democracia (Poema 01/60)

    O que está acontecendo com a gente?
    Nós nos perdemos pelo caminho,
    Nos orientamos por nossos desejos mesquinhos.
    O que aconteceu com a gente?

    Desejos mesquinhos,
    “Poder” conservador,
    Destituído de nossa razão,
    Pressão que não acaba mais.

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    Jogados na cadeia,
    Vivemos na mais pura ilusão.
    Acordar desse delírio coletivo
    Ainda é muito dolorido.

    Dói acordar e saber que a verdade nunca existiu,
    A verdade que todos os dias me consolava.
    Os desejos se foram;
    Quem permanece é o vazio que me trouxe até aqui.

    A solidão que fica nesta cela cheia
    É impossível de refletir quando a raiva ainda queima,
    Quando tudo o que me resta
    São os anos que ainda restam nesta cela.

    Tudo o que vivi
    É repleto de muita mágoa,
    Desejos dedicados a uma ilusão:
    A ilusão de ainda receber a visita de alguém.

    Carlos de Campos
    16AL01
  • Livro 7: Título provisório — A Filosofia do Gramado O Tempo (Poema 01/60)

    Livro 7: Título provisório — A Filosofia do Gramado
    O Tempo (Poema 01/60)

    O que é o tempo em uma partida de futebol?
    Sair de campo sem ter feito o seu melhor?
    O que cada um sabe sobre companheirismo?
    Perder, e o sabor amargo que fica?

    Tudo gira em torno de uma bola,
    um objeto minúsculo,
    capaz de movimentar corpos e almas.
    Futebol, da origem ao colapso.

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    Muitas crianças, algum dia, sonharam em ser jogadores de futebol,
    um sonho que aparentemente parece ser o caminho mais fácil
    para quem sabe, um dia, sair da pobreza.
    O futebol era o alimento, dia e noite, de suas almas.

    Almas abatidas por tanta injustiça,
    que, desde crianças, precisaram driblar cedo para se virar na vida.
    Que aulas precárias frequentavam,
    porque sabiam que precisavam ser o Man of the Match.

    O estádio está lotado.
    Almas frenéticas.
    Tudo é decidido em pouco tempo,
    no tempo da dedicação.

    O vento sopra.
    O apito recebe o estímulo vital.
    Tudo é paradoxal:
    o tempo para quando o jogo começa.

    Carlos de Campos
    16AL01
  • Cansado de Ser Solidão

    Cansado de Ser Solidão

    Abro a janela com o desânimo estampado na alma.
    Na escuridão da noite, eu me refugio.
    Da mente atormentada tento me afastar,
    e no vazio encontro o meu sentido.
    Suave é o peso que devo carregar.
    É suave nos sufocar constantemente.
    De um dia para o outro, me prendo ainda mais.

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    Um mar de mágoas me submerge.
    Me afogo, esperneio até me cansar.
    Afundo devagar, muito devagar.
    Aos poucos, não sinto mais meu corpo.
    Esse antro de preocupações,
    desejos assombrados,
    volta para a superfície.
    Tento respirar os tóxicos existenciais,
    a amargura universal
    estampada em nossa cara,
    a cara de iludidos.
    Me afogo no êxtase da realidade,
    no alcoolismo das minhas entranhas.
    Na fuga, acendo um cigarro contendo nicotina.

    Aqui nesta terra precisamos escolher.
    Um passo de cada vez para sobreviver.
    Um experienciar de cada sensação por vez.
    Na sutileza da vida, desconfiar
    para mais tarde não se ferir.
    Em cada amanhecer é preciso ser feliz,
    mesmo que isso lhe custe a própria vida.

    Carlos de Campos
    Foto por Leonid Danilov em Pexels.com
  • A loucura de uma verdade

    A loucura de uma verdade

    Os loucos andam entre nós.
    Nos machucam.
    Diferente de nós,
    são iluminados com a verdade.
    A verdade sempre dói.

    Ah, os loucos!
    Tidos como incapazes,
    observam o que a nossa mente sóbria não percebe.
    Sóbria?
    A verdade sempre dói.

    Me diga a verdade.
    Somos incapazes por estarmos chapados de tanta sobriedade.
    Somos a história de nossas meias verdades.
    Ah, os loucos!
    A verdade sempre dói na carne.

    Na verdade, não sabemos lidar com a nossa contrariedade,
    com a promiscuidade latente em nossa mente.
    Mentimos para nos escondermos da nossa realidade.
    Mentimos para nos protegermos da dor que dói o dia inteiro.
    Essa é a verdade que vai doendo até mais tarde.

    Vem e veja essa dor.
    É a dor feita de verdades,
    verdades que tentamos esconder.
    Ah, os loucos!
    Não temem a verdade que dói o dia inteiro.

    Carlos de Campos
  • Viajante do espaço

    Viajante do espaço

    Ordem, grita a voz rouca.
    Não és um animal incontrolável.
    Na verdade, és a chama a me incinerar,
    doente dos olhos.

    Ordem é o meu nome.
    Começo a não mais enxergar.
    É a vista enfraquecida,
    humor desproporcional.

    Ordem e desordem me acompanham.
    Cabeça baixa.
    Insultos posso ouvir.
    Mercadoria, tudo em ruína.

    Desordem em meu ser,
    na história que se revela,
    que se abate sobre nós,
    nessa triste escuridão.

    Carlos de Campos

  • O gorjear da alma

    O gorjear da alma

    Gorjeia, no fundo de nossa alma,
    o canto do sabiá,
    cantando o cântico da solidão,
    da solidão.

    Gorjeia a alma solitária,
    cantada pelo sabiá.
    Canto no canto da alma,
    da alma ferida pelo amor.

    Não se ouve mais o sabiá;
    seu gorjear silenciou-se
    pela ferida da alma.
    A solidão nos convida.

    Carlos de Campos


  • Quem deseja a traição?

    Quem deseja a traição?

    Um entre nós
    É o traidor,
    Digno de exclusão,
    De uma vida esquecida.

    Os traidores estão à espreita,
    Desorientados…
    Tornando-se ainda mais perigosos,
    Estão desejosos por sangue.

    Não estará vencido
    Desde que seja detido.
    Todo o processo de educação
    É o lugar certo para se obter a transformação.

    Carlos de Campos
  • Mostre-me as suas mãos

    Mostre-me as suas mãos

    Suas mãos trêmulas
    Diante da vida,
    trêmulas em meio ao desconforto.
    Das mãos aos pés, eu absorvo.

    Mãos que seguram o copo com água,
    que bebem a água,
    que vivem na busca
    do desfecho mais real.

    No altar da vida, celebramos as mãos
    que, mesmo trêmulas, seguram com firmeza.
    Na vida, produzem o nosso sustento,
    são-nos consolo a todo instante.

    Mãos que nos ajudam a superar,
    no dia a dia nos encorajam a continuar,
    a solução sempre nos fazem encontrar,
    mãos que nos são estendidas para ajudar.

    Mãos do amado,
    mãos da amada,
    mãos que, distantes, teimam em continuar,
    mãos que precisam se reconciliar.

    Aproximo-me de suas mãos,
    com respeito e carinho me aconchego,
    beijo essas mãos em agradecimento,
    e tudo volta a fazer mais sentido.

    Carlos de Campos