Ele não oferece redenção — oferece lucidez. Ele não consola — denúncia o preço de sonhar. Se ainda temos o poder de dizer o que ninguém tem coragem de verbalizar, então 'Me vejo sonhando acordado' é esse poema — mesmo que precise pegar todos os dias os vagões de metrô lotados, onde nós carregamos o peso dos sonhos não realizados.
Me vejo sonhando acordado
No Atlântico Norte eu avistei Dezenas de possibilidades Que eu nunca experimentei. O que devo fazer?
Sair em busca de um sonho, Sonhar enquanto se está dormindo, Na esperança de que tudo seja realidade. Vejo as possibilidades, mas não tenho como alcançá-las.
Momentos como esses são raros, Requerem de nós meios para realizá-los, Do princípio à realização como um fim pleno. Quem pode sonhar com algo tão grande?
Me vejo sonhando um sonho sozinho, Distante de qualquer sucesso. O que devo esperar da vida? O que esperar de ações sem incentivos?
Negar a impossibilidade de realizar um sonho é difícil, Como também é difícil sonhar com o que não se pode realizar. Os sonhos são o que são, Não são nem bons nem ruins.
Sonhar acordado implica em sonho irrealizável. Sonhar exige ter uma boa carteira financeira. Do lado do Atlântico Norte eu vi… Insônia de um sonho não realizado.
Não vem. O que é normal é assustador, mas é normal. Imita ser, mas não é. Quem você pensa que é?
É ilusão desejar o que você deseja, sentir o que você sente. É inegável. Você sente e vê. E o que você sente e vê? E o que você sente? Vê o que sente? O que os outros captam, mesmo estando com você? Lógica do ilógico. O que sinto e vejo são coisas absolutamente distintas.
Vê! Existe a realidade, só que não é como acreditamos. Diferente? Como explicar algo que estamos experimentando e que, mesmo explicando, não acreditamos? O que vemos e sentimos está em nós e, ao mesmo tempo, está além. O que está além, nós enxergamos e sentimos, só não compreendemos.