Não existe paz onde se cultiva o medo. Não existe paz onde só há rancor. Não existe paz diante da indiferença. Tudo se esvai de nossas mãos.
O que anda cultivando em sua alma? Diga em voz alta, para que você possa ouvir. Diga para que a tua consciência tome consciência. Diga para que penses sobre o que andas fazendo.
Dúvidas sobre o que acontece após a morte? Você toma consciência de como mal viveu. Você toma consciência de tanta mesquinharia. Você só quer ter mais uma chance.
Você quer mais uma chance, só que não existe mais chance. Você argumenta que não sabia. Querer saber demais: esse é exatamente o problema.
Mais do que saber, é fundamental viver. É preferível ser ignorante diante da morte, para que a vida tenha espaço. Se luta por justiça, é para que a vida tenha espaço.
Não existe morte onde a vida imperou, onde o amor amou, onde o foco foi viver. A morte nunca foi o fim.
Noite fria, apesar do calor, noite tenebrosa. Assustadora é essa noite sem fim, noite de uma solidão intensa.
Os dias que se tornaram noites me orientam nessa jornada. Tateando, eu prossigo. Insisto.
No caminhar, me guio pela persistência. A resistência é minha fortaleza. O desejo de continuar só aumenta: é o caminho dos vitoriosos.
Que o nosso mundo se ilumine, nos oriente para irmos além — não distante — caminhe.
No anoitecer, por mais escuro que esteja, há esperança de que voltará a amanhecer, que a solidão dará lugar à confraternização e que a paz interior prevalecerá.
No estandarte do amor estão escritas as seguintes palavras: não existe glória na covardia, no desumano ato de amedrontar.
É nesse momento em que a vida separa os homens dignos dos ratos covardes.
E essa é, finalmente, a maior glória que alguém pode receber: não ser incluído no rol dos ratos, dos imundos que habitam o submundo.
Célebre por ser considerado digno de carregar este estandarte, digno por dedicar sua vida à transparência, digno de caminhar sob o amparo da ética.
Estandarte dos que lutam por dignidade, pela sua e pela dos outros, dos que podem dormir com a consciência fria. Dignos são todos que assim buscam viver.
Cante, em uníssono coro, o cântico dos mártires, dos que derramam todo o seu sangue para ser íntegro a todo momento.
Nada impede que você deixe o amor falar, sair para respirar um ar fresco e sentir, em seu peito, o seu aconchego. Nada o impede de tentar.
Tentar superar os seus medos, medos que nem fazem parte de sua história, mantendo-se firme diante dos burburinhos da vida e podendo sentir, em seu peito, esse aconchego.
Quem nunca se decepcionou com alguém? Quantas foram as ilusões já sentidas? Passou deixando tudo como terra arrasada, e seguir acreditando se tornou insuportável.
São as dores de uma vida maltratada, vilipendiada em todos os seus direitos, inclusive no direito de amar. Amar e ser amado… que dificuldade.
Singulares são os afetos que afetam a todos nós. Singulares são as dores que movem os corações. Singulares somos nós, com os nossos universos em rota de colisão.
Tudo o que vive e respira alguma vez já amou, diluímos quem éramos para o outro para o amor acontecer. No final, só restaram duas almas vagando vazias.