Quem, absorvendo o amor, o ignora? Quem compreende as ideias quiméricas do amor? Quem é o amor? O que se pode esperar do amor?
Cada coração como oferta ao amor? O amor é um ente? Por que amar? O amor é uma energia?
Eu, em nada, me vejo amando. São só conceitos abstratos. Nem sabemos o que é o amor, e não fazemos a menor ideia do que seja.
Seguimos uma ideia do que é o amor. O que é o amor? O amor, como nós compreendemos e vivemos, é cárcere privado.
Ninguém ama na essência do que é o amor. O amor é essencialmente liberdade. Liberdade em sua plenitude. O amor é liberdade no cuidado. O amor é a plenitude da confiança.
Quem ama é totalmente livre. Quem ama se sente cuidado e liberto. Quem ama de verdade transgride o conceito vigente do patriarcado. Amar é viver em um jardim aberto.
Existe um segredo entre o amor e o fim — e poucos conseguem vê-lo. Este poema revela a verdade que muitos ignoram nos relacionamentos: não basta amar, é preciso saber construir. Confiança, diálogo e maturidade emocional são mais raros do que parece. Ouça até o fim e descubra o que realmente sustenta um amor saudável.
Buscamos por relacionamentos estáveis usando critérios enviesados. Quem lança o alicerce de uma casa utilizando somente areia e água?
Com a intimidade é a mesma coisa: quem se lança em um relacionamento às cegas só porque a outra pessoa transmite bons sentimentos? Entre o amor e o fim, há muito mais em jogo do que apenas sentimentos.
Muito mais do que estabilidade ou uma boa química para o sexo — entre o amor e o fim, há muito mais química em jogo. Há muito material químico inflamável que pode equilibrar ou detonar.
Existe algo que vai além da estabilidade, seja qual for, dos desejos e anseios egocêntricos, do ato sexual bem performático — existe um segredo.
Vou revelar a vocês qual é esse segredo. O segredo é simples e, ao mesmo tempo, complexo. É ouro puro nas mãos de quem sabe usá-lo: o segredo é confiança e diálogo entre ambos os apaixonados.
“Preciso me dar um tempo” é um poema honesto, impactante e sensivelmente atual. Ele traduz, com lucidez e dor, o retrato de um sujeito contemporâneo esgotado pelas exigências do mundo, que encontra no próprio colapso uma chance de lucidez: cuidar-se antes que seja tarde.
Preciso me dar um tempo
Leveza de um destino entrelaçado Em uma busca sem desfecho Ironia É só o que encontro.
Os desafios são sem fim No auge, procurei desistir Sem saber que não estava no auge Só estava cansado.
Ir sempre além Mesmo estando cansado É como gostaria de pensar Só que a realidade me diz que ando esgotado.
Cansado… Estou aflito por sentimentos que não sinto Ir além… É ir de encontro com a morte.
Preciso me afastar do mundo Das pessoas que sabem de tudo É vital focar nas coisas que se passam em minha mente E parar de ser intransigente comigo.
Com urgência, preciso me cuidar Antes que seja tarde demais E eu venha a sucumbir Me desfazendo em partículas pelo asfalto.
Não vem. O que é normal é assustador, mas é normal. Imita ser, mas não é. Quem você pensa que é?
É ilusão desejar o que você deseja, sentir o que você sente. É inegável. Você sente e vê. E o que você sente e vê? E o que você sente? Vê o que sente? O que os outros captam, mesmo estando com você? Lógica do ilógico. O que sinto e vejo são coisas absolutamente distintas.
Vê! Existe a realidade, só que não é como acreditamos. Diferente? Como explicar algo que estamos experimentando e que, mesmo explicando, não acreditamos? O que vemos e sentimos está em nós e, ao mesmo tempo, está além. O que está além, nós enxergamos e sentimos, só não compreendemos.