Tag: Poesia Sombria

  • Dúvidas que pairam no coração e na mente



    Dúvidas que pairam no coração e na mente

    No que devo me apoiar?
    Tudo me parece tão esquisito.
    No que devo recolher a minha atenção?
    Tudo me parece tão desatento.

    Em nada posso confiar.
    Tudo me parece raso demais.
    Estúpido!
    Na profanação desses versos me esqueço.

    O que precisamos entender desta vida?
    O que é profanar os versos inversos?
    Quando chega o ponto em que precisamos rasgar a alma
    e liberar a nossa dignidade?

    O que devo esperar de uma alma libertada?
    Alma que vagueia sem sentido,
    desligada de todas as emoções,
    vagueia assombrada.

    É primavera, as borboletas renascem.
    Conflitos sangram no calor das emoções.
    O silêncio reivindica.
    Tudo se destrói.

    Tudo persiste como um incômodo,
    um inverno em plena primavera.
    É a condição de uma alma presa ao corpo humano,
    humano que profana versos o dia inteiro.

    Carlos de Campos
    Foto por Tima Miroshnichenko em Pexels.com
  • O mundo sob rendição


    Um poema sombrio e filosófico sobre o colapso da humanidade diante do medo, da violência e da inevitável rendição interior. Reflexão poética sobre o fim e a perda da esperança.


    O mundo sob rendição

    É noite de escuridão.
    O medo toma conta da cidade.
    De maldade em maldade,
    espalha-se o terror.

    Não são as nossas almas que vamos perder,
    mas as nossas memórias dos dias felizes.
    É a vingança sendo exercida,
    é o absurdo se multiplicando.

    Seres implacáveis invadem a nossa mente,
    parasitando a nossa vontade,
    paralisando os nossos desejos.
    É o nosso fim.

    Não temos nenhuma chance de vencer.
    Nessa guerra, já entramos derrotados.
    Diluídos até o âmago,
    a rendição se faz necessária.

    Carlos de Campos

    Foto por Victor Moragriega em Pexels.com