Tag: poesía

  • Os sonhos escondidos


    Os sonhos escondidos

    Foi no auge de minha lucidez,
    onde os caminhos já não tinham mais volta,
    os sonhos foram despedaçados.
    A vida complicada ficou,
    a ilusão finalmente chegou.

    Carlos de Campos

  • Ruminar no santuário do coração


    Ruminar no santuário do coração

    Os deleites da alma
    transbordam em emoção.
    São décadas enclausuradas,
    cultivando o amor sagrado
    que, sangrando, se faz sozinho.

    Carlos de Campos
  • Mudanças


    Mudanças

    O sonho me leva para onde quero ir,
    para dentro dos meus desejos.
    Vou livremente,
    e nada pode me impedir.

    Mostro o caminho,
    a estrada toda arruinada.
    São necessários passos cuidadosos
    nas ruas esburacadas.

    É a hora certa de prosseguirmos,
    mesmo diante de tantas dúvidas.
    O caminho a percorrer é esse,
    as memórias são o que são.

    Meus dias cansados,
    as horas passando,
    o tempo é o tempo,
    livre, sonhando.

    Carlos de Campos
  • Quem não está consciente de si está como na vida?


    Quem não está consciente de si está como na vida?

    O sonhador esquecido,
    diante do amor se revela.
    Em sua lucidez se esconde,
    a realidade é muito dura,
    vê tudo em um mundo idealizado.

    O sonhador hesita em sua vida,
    tudo é radical em seus sonhos,
    tudo é igualmente um fracasso.
    Quando é convidado a despertar pela manhã,
    é um rio fluindo em sua contenção.

    O solo duro após a chuva
    encontra a correnteza de um rio.
    Uma ave bebe água,
    um peixe tenta respirar fora da água,
    o mistério desse fim de tarde.

    Os domínios do meu corpo
    estão sob os domínios do vento,
    domínios de uma natureza amorosa
    que canta as mais belas canções de ninar,
    enquanto balança o berço da nossa existência.

    A ilusão é avassaladora em nossa mente,
    é o destino mais temido pelas pessoas,
    o arcabouço secreto em nossa alma,
    o ver quando nada mais faz sentido —
    não cabe no peito essa informação.

    Um sinal do céu,
    um arco-íris repleto de flores,
    momento de êxtase vibrante,
    de pensamentos em alto astral,
    da certeza de que ainda há esperança.

    O que esperamos alcançar de verdade,
    ainda que pela metade?
    Ainda que tenha que acordar desse sonho?
    Um sonhador que sonha a sua verdade,
    a verdade que nos faz acordar para a realidade de verdade.

    Um misto de emoção me toma
    e me carrega pela mão,
    me leva para ver o horizonte
    dos meus sonhos mais profundos,
    os mais intrigantes da minha vida.

    Todos nós somos sonhadores,
    sonhando em tempos de paz,
    sonhando para que sonhos se tornem realidade.
    Um sonhador consciente de seus sonhos,
    dos sonhos que nos fazem levantar todas as manhãs para continuar.

    Carlos de Campos
  • Morrer aos poucos


    Morrer aos poucos

    Pouco a pouco, tudo se vai,
    Sem encontrar barreiras, se vai.
    Tudo é instável, Perdemos o chão.

    Carlos de Campos
  • Morrer aos poucos


    Morrer aos poucos

    Pouco a pouco, tudo se vai,
    Sem encontrar barreiras, se vai.
    Tudo é instável,
    Perdemos o chão.

    Lealdade para com o existir
    É como a brisa batendo no rosto,
    É chuvisco de uma noite de outono.
    Para além de viver, é preciso existir.

    O que precisamos focar?
    Olho para esse belo jardim,
    Suas flores estão murchas.

    Compreendo o meu lugar nessa vida,
    Distante do que sonhei.
    Hoje, existo como posso.

    Carlos de Campos
  • Nós estamos muito cansados


    Nós estamos muito cansados

    O empecilho na estrada
    Nos impede de ver,
    De sentir,
    De existir aqui.

    Tenho o que não preciso,
    A distância me irrita,
    O fôlego diminui,
    Sinto-me exausto.

    Reúno a coragem,
    Coragem para persistir,
    Insistir em continuar respirando.

    Respiro a pureza do existir,
    Da vida que nos faz teimar
    E que nos leva a prosseguir.

    Carlos de Campos
  • Um instante passageiro


    Um instante passageiro

    Me vejo absorto.
    Nada parece estável.
    Preciso de segurança.
    O solo deixa buracos.

    No percurso, destilamos ofensas.
    Encaramos os nossos próprios medos,
    sabendo que, lá no fundo, estamos apavorados.
    Precisamos seguir sem demonstrar inquietação.

    Lutar é o que dá sentido para a vida.
    Internamente, somos tão humanos
    que cada passo parece uma longa jornada.
    Tentamos dar os passos mais seguros.

    Há pior momento do que perder?
    Tudo, absolutamente tudo,
    no movimento seguinte,
    deixamos algo pelo caminho.

    Quem, olhando para a própria vida,
    quis desaparecer?
    Procurou sentido no próprio existir?
    Na fadiga que nos envolve?

    Não estou vendo uma saída,
    se é que existe uma saída.
    Um olhar mais detalhista,
    um dia de sorte.

    Olhei para além do que via
    e vi que existia uma saída.
    Uma nova chance eu encontrava,
    além das minhas possibilidades.

    Insisti em reconsiderar,
    como se tudo estivesse acabado,
    como se os meus desejos não contassem.
    Respirei para reconsiderar.

    Purifiquei as minhas ideias.
    As distrações me perseguiam.
    Desejo e sonho ao mesmo tempo.
    O que farei agora?

    O meu testemunho é verdadeiro.
    Lutar para viver é necessário.
    É a realidade indagando,
    o mundo estreitando.

    Um belo sonho estou sonhando,
    um canto estou compondo.
    Tudo é santo,
    como eu sou pecador.

    O sonho é verdadeiro
    quando sonhar faz total sentido.
    No meu viver, não fez.
    Não estou sendo pessimista demais?

    Meu Deus do céu,
    o sol apagou.
    Na escuridão da vida,
    sigo a minha rotina.

    Um breve silêncio ecoou.
    Na chama fria da vida se fez,
    se fez desejo, sonho e solidão,
    se fez a mais pura contradição.

    Instante ferido pela morte
    não poupou nem a própria sorte.
    Nas profundezas de um sortilégio,
    sem nenhuma animação.

    O que passou, passou.
    Sou este instante,
    essa lucidez calculada.
    Eu sou o tempo perdido.

    Leveza abstrata,
    sonho fascinante,
    um toque.
    Tua é a nossa sorte.

    Uma cadência pura de razão.
    Vê quem está perto,
    perto demais para entender
    que o momento exige paciência.

    Os seus olhos me seduzem,
    me revelam detalhes,
    detalhes que passam despercebidos
    e que são essenciais nesse momento.

    Peça batendo cabeça,
    sorte contida,
    impulsos desprovidos de certezas.
    Desistir tornou-se uma opção.

    A morte é a minha nova sorte,
    é o destino insistindo,
    é o preço a se pagar.
    Respiro para voltar.

    Oh, demasiadamente bizarro,
    os desígnios se revelam,
    as abstrações tomam formas.
    O que vejo é imperdoável.

    Resta saber: quem viu?
    Quando, estando prestes a saber, soube
    que esse seria o movimento certo,
    quem não soube compreender?

    Os desejos inflamados querem correr.
    Cegaram os olhos que nunca viram
    além do que lhes era permitido ver,
    e, quando viram, já era tarde demais.

    Resistir é necessário,
    mas qual seria a melhor resposta?
    Sem saída,
    o fim se aproxima.

    Apego-me às soluções improvisadas,
    em espantalhos imaginários,
    no destino traçado pela sorte
    para quem ainda não viu.

    O que são esses movimentos,
    além de movimentos
    de meras incertezas,
    sem observações?

    Um recuo se faz necessário,
    um salto para o escuro.
    Sem medo algum, eu sigo o meu destino,
    incerto, mas ainda é o meu destino.

    Move-se em pleno voo
    um pensamento congruente,
    um passado absoluto
    contando um presente.

    Nossa é a vida presente
    dos momentos apaixonados.
    Um dia é como vemos.
    Voar é estar livre.

    Carlos de Campos

    Poema baseado “Na partida imortal de xadrez do dia 21 de junho de 1851 entre adolf andressen e lionel kieseritzky”
    Foto por Alvaro Camacho em Pexels.com
  • Escolhas que precisam ser feitas?


    Escolhas que precisam ser feitas?

    O que me faz sentir?
    O que sinto me faz bem?
    Me traz paz?

    O que sinto me leva a prejudicar alguém?
    Sinto-me ferido pelo que sinto?
    No sentir violento, eu fiquei cego.

    Sou diligente em meu sentir?
    Procuro romper com esses sentimentos violentos?
    Carrego dentro de mim sentimentos desse tipo?

    Move-se dentro de mim esse sentimento?
    No auge de uma discussão, o que eu faço?
    O que eu empunho contra o outro?

    O que me diferencia de um mau caráter?
    Sou hipócrita em que nível?
    Carrego desejo de vingança dentro de mim.

    Os deleites de paz
    precedem a vitória da guerra interior.
    Bom será o dia em que estarei pacificado.

    O que vou escolher?
    Um viver sem controle do meu sentir?
    Ou viver uma vida de verdade?

    Carlos de Campos
    Foto por Steve Johnson em Pexels.com
  • Espionagem


    Espionagem

    Vê-se que ondas eletromagnéticas
    derrubaram os sinais
    dos satélites que espionavam
    o território do Brasil.

    É possível ver o satélite?
    Ondas eletromagnéticas
    derrubaram os sinais
    e agora estamos todos no escuro.

    Carlos de Campos
    Foto por SpaceX em Pexels.com