Não bebo a solidão, ela é quem me toma, me possui em tudo: sentido... tato... olfato... paladar... Nada está fora do seu alcance.
Algoz do meu mundo, que em medo me enche, o que nada desafia na fria escrita que rompe o silêncio. Tempo sombrio.
Tudo o que faz sentido está longe de ser revelado. O que faz sentido não se explica: observa, sente e observa, sente até sentido fazer.
No meu mundo é difícil sentir, porque o sentido se desfaz na ilusão do meu entendimento. Meu caro, devo lhe dizer: o Invisível é quem te guia, na escuridão ou na iluminação.
No estandarte do amor estão escritas as seguintes palavras: não existe glória na covardia, no desumano ato de amedrontar.
É nesse momento em que a vida separa os homens dignos dos ratos covardes.
E essa é, finalmente, a maior glória que alguém pode receber: não ser incluído no rol dos ratos, dos imundos que habitam o submundo.
Célebre por ser considerado digno de carregar este estandarte, digno por dedicar sua vida à transparência, digno de caminhar sob o amparo da ética.
Estandarte dos que lutam por dignidade, pela sua e pela dos outros, dos que podem dormir com a consciência fria. Dignos são todos que assim buscam viver.
Cante, em uníssono coro, o cântico dos mártires, dos que derramam todo o seu sangue para ser íntegro a todo momento.