Tag: reflexão

  • Sorte é florescer no jardim da própria morte

    Sorte é florescer no jardim da própria morte

    O sol
    pôs-se diante dos meus olhos,
    dos mesmos olhos que viram a saudade
    sem saber das cores
    de uma vida sem flores,
    que floresceu na morte —
    morte que desabrocha a nossa sorte,
    sorte de não se ter o amanhã.
    É importante o dia da morte,
    que floresceu em um dia de sorte.

    Em dia de sorte,
    provamos da própria morte,
    da sorte que gera a ilusão
    de sermos eternos —
    eternos até florescer a nossa própria sorte.
    Caímos na própria teimosia:
    eternos até o grande dia,
    dias de paz,
    de um silêncio sepulcral.

    Flores que florescem a todo tempo,
    flores da morte,
    da sorte,
    da insensibilidade com a vida —
    vida temida.
    A morte deu sorte:
    sorte de florescer na própria morte.

    Carlos de Campos
    Foto por u6d6a u90ed em Pexels.com
  • Viva antes que seja tarde demais

    Viva antes que seja tarde demais

    Qual é o mistério da vida que mais perturba as pessoas? A morte. É sempre bom lembrar que ela é irremediável. O melhor negócio é viver a vida ao máximo.

    Carlos de Campos

  • Há um clima pesado na atmosfera do mundo. Ganhar e perder a vida se resume a isto.


    Este poema-reflexão mergulha fundo na sensação universal do vazio existencial, explorando o peso do sofrimento e a busca constante por sentido em um mundo marcado pela dor e pela injustiça. Com linguagem acessível e forte impacto emocional, a obra convida o leitor a uma viagem filosófica sobre a origem da consciência e o conflito entre esperança e desespero.
    Uma leitura essencial para quem busca compreender melhor o próprio lugar no mundo e os dilemas que moldam a experiência humana contemporânea.



    Há um clima pesado na atmosfera do mundo. Ganhar e perder a vida se resume a isto.


    No princípio da vida, existia um lugar onde encontrávamos conforto e segurança. Neste lugar, só eu e minha esperança coexistíamos. Mas, mesmo nesse lugar belo e confortável, eu me perguntava: Onde estou? Para onde vou?

    Dia após dia, na medida em que ia se formando a minha consciência, os meus questionamentos só aumentavam e iam se tornando cada vez mais intensos. E, com eles, os medos e as angústias me dominavam. O desejo de querer saber era terrível.

    Em dias “normais”, o desejo era mais intenso, essa minha “loucura” de querer saber qual era o sentido da minha vida. Era intrigante constatar que, desde a minha concepção até o meu nascimento, tudo o que experimentei e experimentava era só dor e sofrimento, com pequenos momentos de alívio que chamamos de felicidade.

    Em um dia mais tranquilo, eu vi o ódio, a fome, o genocídio, a injustiça — só para citar alguns — arrasarem livremente o mundo, e ninguém fazia nada para conter. Onde estava a lógica nisso tudo? Nascer, crescer, só para sofrer e ver os outros sofrerem? Quem preferiu a dor em vez do amor? A fome em vez do prazer?


    Eu sou só mais um, em meio a outras bilhões de pessoas que carregam em seu peito essa brasa flamejante, que, com persistência, nos queima a todo instante. Essa profunda marca nos interroga a todo momento sobre o que estamos fazendo aqui.

    Aconteça o que acontecer hoje de bom ao longo de seu dia, o que estamos fazendo aqui continuará ecoando dentro de você, e nada poderemos fazer sobre isso. E tudo isso, querendo ou não, influencia o nosso comportamento e decisões diariamente. O vazio existencial é assustador.

    Carlos de Campos
    Foto por Pixabay em Pexels.com
  • A vida segue girando: E você é culpado, inocente ou só mais um otário?

    A vida segue girando: E você é culpado, inocente ou só mais um otário?

    O rodar significa que não existe segurança em nossa vida.

    Seja, na vida, um girassol que tem foco e sabe diferenciar quem é lua e quem é sol.
    Seja como o girassol, meu amigo e minha amiga.


    Quem nunca foi otário?
    Quem nunca…?
    Quem nunca acreditou no amor para toda a vida?
    Quem nunca…?

    Nunca deixe de acreditar
    Que o mundo é um lugar perfeito,
    Que Deus é brasileiro.
    Só não seja mais um otário.

    Uma dica para a vida:
    Nunca seja otário,
    Nem acredite que é um malandro de excelência.
    Só sinta em quem você deve confiar nesta vida.

    A vida é uma imensa mineradora a céu aberto.
    É preciso garimpar com muito cuidado
    Quem você quer ao seu lado.
    Amigo que vale ouro é raro.

    Nunca seja um idiota
    Que só segue o fluxo da vida,
    Que acha maneiro ter ao lado más companhias
    Só para ter o prazer de comprovar o seu ponto de vista.

    A vida é uma enorme roda-gigante.
    É lenta no girar, mas sempre chega ao seu destino.
    A vida é igual para punir ou absolver.
    O melhor que temos a fazer é não ser mais um otário.

    Carlos de campos
    Foto por Ayu015fenaz Bilgin em Pexels.com
  • Sonho da alma para a eternidade

    Sonho da alma para a eternidade

    No sonho que sonhei,
    estava você,
    linda e radiante,
    percorrendo todo o meu sonho.

    E ver você caminhando
    me enchia de alegria,
    uma alegria extasiante,
    intensa…

    Uma alegria que não cabia em meu peito.
    Era tão mágica
    que me fazia confundir com a realidade
    o que eu peço: ter você comigo.

    Era poder experimentar essa alegria novamente,
    sem medo…
    sem receios…
    ser eu mesmo.

    Ir até você e abraçá-la,
    e beijá-la, sabendo que seria a última vez.
    O teu cheiro está por toda a casa,
    em cada cômodo, o seu sorriso ressoa.

    Sonho, alma e esperança
    foi o que restou para mim,
    já que a alma da minha alma se foi,
    e, com ela, foi também a minha filha.

    Carlos de Campos
    Foto por cottonbro studio em Pexels.com
  • O desejo me desafia a desejá-lo

    O desejo me desafia a desejá-lo

    O meu universo vai além das cores e formas,
    Além de tudo o que está além,
    Divagando…
    O que ninguém pode falar.

    Fala-se o que carrega peso
    Do tempo que ainda nem é tempo.
    Fala-se sobre o impronunciável,
    Divagando…

    O impronunciável detesta ser observado.
    De olhar atento, permanece como sentinela,
    Diluído e fragmentado,
    Esquecida está a sua fala.

    O impessoal precisa ser levado em conta,
    Desponta na escuridão,
    Doando-se.
    Déjà-vu…

    Encontro com o inesquecível,
    Perdido no vazio.
    Solidão…
    De rara e inesquecível beleza.

    Inesquecível beleza,
    Beleza rara,
    Destemida,
    Incompreendida.

    Ao destino, falo o que sinto,
    Falo o que omito.
    Desisto de falar porque me envergonho.
    Diante da realidade, apenas me comovo.

    São falas como essas que me aprisionam.
    Me sinto deslocado.
    Enfurecido estou, agora
    Perdido no tempo.

    Divago…
    Nos tumultos existentes, me desaguou.
    Na interminável exploração, eu reflito.
    Desisto, enquanto sinto.

    O impronunciável volta a se pronunciar
    No andar leve,
    No olhar sedutor.
    Fala-se o que não se pode falar.

    Beleza irradiante.
    Comovido, escorrem lágrimas.
    São lágrimas que não podem ser faladas,
    Falas que não podem ser sentidas.

    Discurso ofegante.
    Divago no presente ausente,
    Nas lutas perdidas,
    Dor dos abraços não correspondidos.

    Loucura…
    Mortandade…
    Funeral dos sentimentos.
    Loucura sentida.

    Sentimentos reprimidos
    Do que não pode ser falado.
    Dor…
    Deslocado estou no desejo.

    Imperfeito,
    Do mundo interior me escondo.
    Me abstenho dos desejos,
    Desejos imperfeitos.

    Impronunciáveis são os meus desejos,
    Distorcidos e incompreendidos,
    Desejos retidos,
    Encarcerados pelo sentido.

    Me encontro divagando em meus pensamentos.
    Desejo…
    Do falar impronunciável,
    Carcereiro dos meus atos.

    No auge do amor, me entrego.
    Destino traçado.
    Imparável!
    No demais, deixem o amor falar, se expressar.

    Carlos de Campos
    Foto por Alexander Grey em Pexels.com
  • O lendário medo de ter tempo

    O lendário medo de ter tempo

    Meu mundo muda e fica mudo
    Dialogam…
    Entre um e outro existe um espaço de tempo
    Tempo…

    O tempo dialoga com o meu mundo
    Um mundo que fica mudo
    O tempo requer espaço
    Intervalo…

    No intervalo de tempo existe o meu mundo
    O mundo que fica mudo
    Explosões sensoriais
    Dentro do meu mundo que fica mudo.

    Olha no meu mundo
    Delícia…
    Existencial…
    Olhar antinatural.

    Demasiadamente obsoleto
    Olhar comportado, desconfiado
    Confinado no ar
    No meu corpo.

    Instinto condenável
    No ar congestionado
    Corpo inteiro
    Desejo escondido.

    Meu mundo é um labirinto
    Lá existe um labirinto escuro
    Um mundo de labirintos escuros
    O tempo é no labirinto.

    Lá, o tempo fica mudo
    Sem o tempo, tudo fica insosso
    Labirinto…
    No mundo distante e escuro…

    Meu mundo é um mundo de desejos
    Enrolado em papel cor-de-rosa
    Dá nuances
    Prefiro um labirinto cor-de-rosa.

    Jovem cheio de energia
    De nuance, prefiro a cor da pele
    Mundo cheio de labirinto
    Cai a bolsa e tudo tem um novo aspecto.

    Me deixe ir
    Soltar a pipa
    Debaixo daquele aquário
    Que laboriosamente foi esculpido.

    Com o sangue cor-de-rosa
    Meu mundo é um labirinto escuro
    Fechado…
    Escuro…
    Ainda é o meu mundo mudo.

    Meu mundo é um mundo mudo
    Estrela no céu brilha no escuro
    Mudo é como me sinto
    Lá existe um medo existente.

    O meu medo está no labirinto
    No labirinto escuro
    Isto é assustador
    Um labirinto que causa tanta dor.

    Medo…
    Tempo do medo
    Escuro do medo
    Delícia…

    Mundo do medo
    Do tempo
    Lá existe o tempo do medo
    Medo do medo.

    Existe o medo da existência
    Para a sobrevivência
    De soberba
    Sua mania do tempo.

    Existe o medo da existência
    No mundo mudo
    Quem sobrevive é porque tem medo
    Medo de um mundo sem tempo.

    Carlos de Campos


    Foto por Tom Fisk em Pexels.com
  • O corpo quer nos falar

    O corpo quer nos falar

    O momento é de cuidado especial com o que você tem de mais precioso em sua vida, que é o seu corpo. Contemple o seu corpo, ame o seu corpo como ele é — nem mais, nem menos.

    O teu corpo é um templo de todas as suas expressões; é por ele que nós nos comunicamos a maior parte do tempo consigo e com o outro. Nosso corpo é nosso comunicador por excelência.

    O seu corpo fala com os outros e, principalmente, fala com você — fala o tempo todo. Por vezes, descomplica a sua vida, te protege de todo o mal, te leva ao amor. O nosso corpo é o nosso pedagogo, que nos pega pela mão e nos conduz com segurança.

    O problema é que pouco ou nada damos de atenção ao que o nosso corpo tem a nos dizer. É preciso ouvir atentamente e diariamente o que o nosso corpo nos fala. Ouça o que ele te diz, agora.

    Carlos de Campos

    Foto por Cliff Booth em Pexels.com
  • Encanto e desencanto de um encontro

    Encanto e desencanto de um encontro

    O que não quero
    É encontrar, pela estrada da vida,
    Os dias difíceis e sem solução,
    E o que encontro, não quero a companhia.

    E o que encontro pela estrada da vida?
    Encontro a companhia de quem não quero.
    Quero o imperativo do desejo,
    Do querer estar em sua companhia.

    Quem quis o que não podia ter?
    Quem, diante do medo, não se expõe?
    Ninguém sabe o que deseja realmente;
    O que queremos, muitas vezes, é obscuro.

    Indo ao encontro da sorte,
    Dos milagres oportunos que a vida reservou
    Aos pobres desantenados,
    Bem quis a vida que nós nos encontrássemos.

    Em meu teatro de oportunidades,
    Do baixo ao mais baixo da vida,
    Na difícil tarefa de amar,
    Os encontros obscuros.

    Um fiel escudeiro do amor é o que sou,
    Do amor que promove o encontro e o desencontro.
    Dentre segredos guardados a sete chaves,
    O amor é com quem não quero estar na estrada.

    Carlos de Campos

    Foto por Wendell Stoyer em Pexels.com
  • No mundo em que vivemos, é possível ser feliz?

    No mundo em que vivemos, é possível ser feliz?

    Há opressão na maneira como as pessoas se impõem umas sobre as outras, e isso é o que mais impacta nossa saúde mental. Estar sempre pronto e disposto a ser feliz a todo instante é uma das expressões... Não sei se esse é o melhor caminho.

    O que buscamos é, de modo geral, impossível. Nem todas as pessoas têm essa mesma disposição. É um jeito de ser impositivo que mais oprime do que liberta a pessoa — até mesmo porque, segundo nossa concepção, a liberdade está justamente em ser quem se quer ser neste momento.

    O que se pode esperar de uma pessoa forçada a ser quem ela não é? Que sente a emoção em outra frequência? Deus? Quem é esse ser tão distante da nossa realidade? Não seria Deus o capataz da moralidade falida?

    O que mais me entristece é saber que tudo está como era antes, e que o que simplesmente mudou foi o acréscimo de maquiagem. Não tenhamos a ilusão de que, um dia, tudo isso possa mudar. A energia mental que prevalece sobre o mundo — e sobre as nossas cabeças — é uma energia profundamente opressora.

    O mundo é um ambiente hostil para nós, meros seres humanos. É um lugar que provoca nossa mentalidade selvagem. O que podemos esperar de pessoas sob o domínio do que há de mais animalesco em si? Temos escolhas?

    Me pego pensando: a felicidade existe? Será que não convencionamos certas atitudes como sendo aquelas mais próximas de uma demonstração de felicidade? A felicidade que dizemos sentir é uma felicidade genuína? Quem é feliz, de fato? É preciso ser ou ter algum tipo de poder que valide a felicidade que ocasionalmente sentimos?

    Carlos de Campos

    Convido você a ler, refletir comigo e compartilhar sua visão.
    Vamos juntos transformar a dúvida em consciência.

    Foto por Deklanu015fu00f6r 67 em Pexels.com