Tag: reflexão

  • Boas e más notícias

    Boas e más notícias

    Numa tarde qualquer, um homem desorientado, embriagado por mágoas. Longe dos olhares que o condenam, pessoas iguais a mim. Sou cão sem dono, sem princípios. Aos homens como eu, digo apenas uma coisa: tudo é tempo. Tempo que passa, que passa longe de mim. Nada melhor que o tempo para nos curar.

    Carlos de Campos

    Foto por Meshack Emmanuel Kazanshyi em Pexels.com
  • Minhas lembranças

    Minhas lembranças

    Memória distante,
    Distante de tudo,
    Distante da própria realidade,
    Olhar ausente.

    Hoje, me recordo
    Que estive distante por muito tempo,
    Cansado de tudo, esqueci
    Das memórias, me perdi.

    Não existe realidade no esquecimento,
    Onde as memórias se perdem.
    Até o esquecimento se esvai;
    Em frações de segundo, não existe mais.

    Motivado pela ilusão,
    Sigo no controle do meu esquecimento,
    Das memórias vazias.

    Nossa tranquilidade vive abalada.
    Distante da realidade, sou um perigo,
    Letal no esquecimento.

    Carlos de Campos
    Foto por Pavel Danilyuk em Pexels.com
  • Me dê o que me tiraram

    Me dê o que me tiraram

    O limite fomenta a decadência,
    Deteriorando qualquer relação.
    A pessoa precisa se expressar,
    Dialogando com outras realidades.

    Vi na fila da vida
    Desejos incomunicáveis,
    Desejos que eram meus.
    Incomunicável sou eu.

    Sou delírio à flor da pele,
    Que repele todos à minha volta.
    Voltas que não voltam mais,
    Sigo dando essas voltas que não voltam mais.

    Hoje sou só mais um errante,
    À deriva de uma vida ferida.
    Lobotomizado de qualquer esperança,
    Disfarçada com muita elegância.

    O meu universo é uma realidade paralela,
    Que diariamente vai sendo tensionada.
    Me deem um dia de paz,
    Tenho lutas para lutar em minha cabeça.

    Quando nada mais fizer sentido,
    Deitado quero estar.
    Enquanto sou mergulhado em minha lucidez,
    Me dê só mais um dia de paz.

    Carlos de Campos
    Foto por Pavel Danilyuk em Pexels.com
  • Queima em nossos corações a esperança

    Queima em nossos corações a esperança

    Sua fala reflete a sua opinião
    Seus argumentos cristalizados
    Me dizem exatamente quem você é
    Hoje, só argumentos distorcidos.

    Ideias que vão e vêm
    Sem unidade
    Distantes da realidade
    Realidade sequestrada.

    Quebraram todos os lacres de segurança
    Deitaram e rolaram na rodovia
    Desafiaram o limite de uma vida
    Liberdade corroída.

    Soberano é o amor
    Que, na justa medida, educa
    Unificando a realidade à consciência
    Resgatando o náufrago do emburrecimento.

    Unificando o soberbo à humildade
    Dos deleites extravagantes, recuperado
    De sua maior estupidez, vai se educando
    Para não se esquecer do passado.

    Levantou-se no belo horizonte
    Uma chama de esperança
    Uma chama que não se apaga
    Chama que arde nos corações.

    Carlos de Campos

    Foto por Badarost em Pexels.com
  • Sua busca

    Sua busca

    Calma bem-vinda
    Que vem do fundo do ser
    De uma alma cansada,
    Atolada de trabalho,
    Que impede a vida de ter sentido,
    Experimentando os aborrecimentos contínuos.

    Empoderando os desafios,
    Suprimindo uma vida de afetos,
    Afetos de um companheirismo.
    Finge que está tudo bem,
    Quando, na verdade, está no fundo de uma fossa,
    Uma fossa profunda, escura e úmida.

    Lá no fundo da fossa,
    A alma encontra forças para resistir,
    Mesmo sem saber como vai sair.
    A alma, devotamente, começa a entoar o canto da resistência,
    O canto sobre a esperança,
    Que canta o amor que nos faz seres humanos.

    De dentro do fosso,
    Em meio ao canto que está sendo entoado,
    Sem mais qualquer esperança,
    Entre o medo e a perseverança,
    Entre o abuso e o amor,
    A alma, em meio à intensa dor,
    Rasga as vestes corporais.
    Mesmo ainda fraca, a alma rasteja,
    Rasteja para fora daquela fossa.
    Sai em busca de um sentido para sua vida,
    No ápice do seu esquecimento,
    Enquanto pessoa humana,
    Que, mesmo sendo anulada de todas as formas,
    Busca ser resistência,
    Busca ser a expressão real e verdadeira do amor.
    E nunca pensa em desistir.

    No interior do seu ser,
    Existe uma fonte natural
    Da mais pura água,
    Água límpida e refrescante,
    Capaz de matar a sede por justiça,
    Dando ao corpo, alma e espírito
    Uma vitalidade sobrenatural,
    Um olhar místico,
    Que vê a realidade além da materialidade,
    O bem em tudo à sua volta,
    Em uma vida repleta de amor
    E que só vê sentido se for para amar.

    O movimento mais importante em uma vida
    É o movimento sincronizado de uma alma.
    É onde a alma encontra o seu próprio caminho,
    Um destino de escolhas fáceis,
    De vitórias bem celebradas
    E de derrotas aceitas e muito bem digeridas.
    Movimento que move a alma sempre para a verdade,
    Íntegra caminha com a sabedoria,
    E de mãos dadas segue com a esperança.

    Carlos de Campos
    Foto por Kseniya Budko em Pexels.com
  • Sangue escorrendo

    Sangue escorrendo

    Não dá para ter dignidade
    Se não sei o que será de mim amanhã.
    Se vivo em um sistema de incertezas,
    Em um mar de opressão.

    Sangue escorrendo, opressor feliz,
    No fim de uma vida, vivendo de migalhas.
    Quanta sacanagem.
    Só agora sei que não sei.

    Como se libertar dessa máquina de moer gente?
    E deixar de ser um simples burro de carga?
    Preciso me libertar dessa opressão.
    Quanta sacanagem.

    Carlos de Campos
    Foto por Olga Petrova em Pexels.com
  • Som da Alma

    Som da Alma

    Mostre o abismo da solidão
    Fincado na rejeição.
    Não machuque a memória
    No cansaço da negação.

    Mulher, teu cansaço
    Diminui ao longo da vida,
    Impondo diferentes perspectivas,
    Nenhuma igual à outra.

    Mãe que acolhe,
    Filho que abandona.
    Em cada novo nascimento,
    Se mina o relacionamento.

    Muitos relacionamentos findaram,
    Corações sangraram.
    Imutáveis são as consequências;
    O que se pode fazer?

    Na vigilante memória,
    Debruço-me em expectativas,
    Impondo-me a mais nobre resolução.
    Do teu seio, bebo dessa dor.

    Oh, estrela casta!
    De olhar deslumbrante,
    Equilíbrio peculiar ao teu alcance.
    Tens honra que dignifica.

    Carlos de campos
    Foto por PNW Production em Pexels.com
  • Afeto memorável

    Afeto memorável

    Minhas lembranças me comovem,
    Em tempos de tristeza,
    Elas vêm e me confortam.

    Recordo-me da minha infância,
    Das brincadeiras com os amigos,
    Da primeira namorada.

    Como tudo isso me faz bem,
    Sentir as emoções à flor da pele,
    Em memórias tão vívidas.

    Mesmo que no passado a vida tenha sido difícil,
    Mesmo que tudo tenha faltado,
    Saudades carrego em minha memória.

    Me pego chorando,
    Em meio às belas recordações,
    Que alegram a minha alma.

    Carlos de Campos

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  • Mistério

    Mistério 

    Move-se os montes
    De um lado para o outro,
    Cada um com seu enigma.

    Carlos de campos

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    Foto por Mateusz Sau0142aciak em Pexels.com
  • Janela

    Janela

    Não dê ouvido à ganância
    Impropriedade da alma
    Movimento falso
    Medo consumado.

    Labirinto de mentiras
    Ilusão desconfortável
    Medo consumado
    Estou atormentado.

    Iminente é a força destruidora
    De uma mente desorientada
    Geme e chora a minha alma
    Por não saber de onde vem tanta dor.

    Em vão reflito
    E distante permaneço do conflito
    Finalmente chego, mas ainda não compreendo
    O desejo é mais forte que a sanidade.

    Os dias são exageradamente idênticos
    Corroídos por ideias banais
    Camuflados de moralidade
    Enquanto a vingança é a alma do negócio.

    Vejo a beleza que há no equilíbrio
    O canto dos pássaros pela manhã
    O rosto de um amanhecer inesquecível
    É a saudade batendo à nossa porta.

    Carlos de Campos

    Foto por cottonbro studio em Pexels.com