Numa tarde qualquer, um homem desorientado, embriagado por mágoas. Longe dos olhares que o condenam, pessoas iguais a mim. Sou cão sem dono, sem princípios. Aos homens como eu, digo apenas uma coisa: tudo é tempo. Tempo que passa, que passa longe de mim. Nada melhor que o tempo para nos curar.
Calma bem-vinda Que vem do fundo do ser De uma alma cansada, Atolada de trabalho, Que impede a vida de ter sentido, Experimentando os aborrecimentos contínuos.
Empoderando os desafios, Suprimindo uma vida de afetos, Afetos de um companheirismo. Finge que está tudo bem, Quando, na verdade, está no fundo de uma fossa, Uma fossa profunda, escura e úmida.
Lá no fundo da fossa, A alma encontra forças para resistir, Mesmo sem saber como vai sair. A alma, devotamente, começa a entoar o canto da resistência, O canto sobre a esperança, Que canta o amor que nos faz seres humanos.
De dentro do fosso, Em meio ao canto que está sendo entoado, Sem mais qualquer esperança, Entre o medo e a perseverança, Entre o abuso e o amor, A alma, em meio à intensa dor, Rasga as vestes corporais. Mesmo ainda fraca, a alma rasteja, Rasteja para fora daquela fossa. Sai em busca de um sentido para sua vida, No ápice do seu esquecimento, Enquanto pessoa humana, Que, mesmo sendo anulada de todas as formas, Busca ser resistência, Busca ser a expressão real e verdadeira do amor. E nunca pensa em desistir.
No interior do seu ser, Existe uma fonte natural Da mais pura água, Água límpida e refrescante, Capaz de matar a sede por justiça, Dando ao corpo, alma e espírito Uma vitalidade sobrenatural, Um olhar místico, Que vê a realidade além da materialidade, O bem em tudo à sua volta, Em uma vida repleta de amor E que só vê sentido se for para amar.
O movimento mais importante em uma vida É o movimento sincronizado de uma alma. É onde a alma encontra o seu próprio caminho, Um destino de escolhas fáceis, De vitórias bem celebradas E de derrotas aceitas e muito bem digeridas. Movimento que move a alma sempre para a verdade, Íntegra caminha com a sabedoria, E de mãos dadas segue com a esperança.
Minhas lembranças me comovem, Em tempos de tristeza, Elas vêm e me confortam.
Recordo-me da minha infância, Das brincadeiras com os amigos, Da primeira namorada.
Como tudo isso me faz bem, Sentir as emoções à flor da pele, Em memórias tão vívidas.
Mesmo que no passado a vida tenha sido difícil, Mesmo que tudo tenha faltado, Saudades carrego em minha memória.
Me pego chorando, Em meio às belas recordações, Que alegram a minha alma.
Carlos de Campos
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Move-se os montes De um lado para o outro, Cada um com seu enigma.
Carlos de campos
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