Tag: silêncio

  • O silêncio de uma noite de terror


    O silêncio de uma noite de terror

    Foi em uma manhã qualquer
    Vi-me aterrorizada.
    Sem chão, lá estava eu,
    Diante do medo indomável.

    Mostrou-me a sua face,
    Sem qualquer pudor, arruinou-me.
    Em uma manhã qualquer,
    Deitada eu me encontrava.

    Tudo parou de repente.
    Era como se aquele trauma
    Tivesse sobre mim um poder sobrenatural.
    Sinto-me triste.

    Suas mãos me dominavam,
    Nada me era possível fazer.
    Eu chorava em silêncio,
    Um choro que só desejava vingança.

    Na manhã seguinte,
    Sem muito o que pensar,
    Além do terror da noite anterior
    E de como tudo aquilo já se tornara rotina.

    Na manhã desta triste vida,
    Termina aqui.
    Nada mais tenho a falar,
    Além do meu silêncio, que deve incomodar.

    Carlos de Campos
    Foto por Kat Smith em Pexels.com
  • Sorte é florescer no jardim da própria morte

    Sorte é florescer no jardim da própria morte

    O sol
    pôs-se diante dos meus olhos,
    dos mesmos olhos que viram a saudade
    sem saber das cores
    de uma vida sem flores,
    que floresceu na morte —
    morte que desabrocha a nossa sorte,
    sorte de não se ter o amanhã.
    É importante o dia da morte,
    que floresceu em um dia de sorte.

    Em dia de sorte,
    provamos da própria morte,
    da sorte que gera a ilusão
    de sermos eternos —
    eternos até florescer a nossa própria sorte.
    Caímos na própria teimosia:
    eternos até o grande dia,
    dias de paz,
    de um silêncio sepulcral.

    Flores que florescem a todo tempo,
    flores da morte,
    da sorte,
    da insensibilidade com a vida —
    vida temida.
    A morte deu sorte:
    sorte de florescer na própria morte.

    Carlos de Campos
    Foto por u6d6a u90ed em Pexels.com