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  • Meu Tempo Brutal



    Meu Tempo Brutal

    As mudanças me cercam.
    Estou enroscado,
    perdido no tempo,
    meu contrassenso.

    Estou enroscado no tempo,
    no contrassenso do bom senso.
    Sensações de um mau tempo —
    é tempo de mudanças.

    Enroscado na mudança
    de um tempo perdido,
    cercado de gente infeliz,
    me sinto tão triste.

    Fiel aos meus pensamentos,
    divago pelo tempo.
    No contrassenso do bom senso,
    eu me entrego.

    Infelicidade é a mudança
    de um desejo não correspondido,
    da brutalidade permissiva —
    desejo tempo.

    Divagam em minha memória
    as mudanças dos tempos terríveis,
    da antipatia do destino,
    destino de um dia triste.

    Carlos de Campos

    Foto por Skyler Ewing em Pexels.com
  • Sorte é florescer no jardim da própria morte

    Sorte é florescer no jardim da própria morte

    O sol
    pôs-se diante dos meus olhos,
    dos mesmos olhos que viram a saudade
    sem saber das cores
    de uma vida sem flores,
    que floresceu na morte —
    morte que desabrocha a nossa sorte,
    sorte de não se ter o amanhã.
    É importante o dia da morte,
    que floresceu em um dia de sorte.

    Em dia de sorte,
    provamos da própria morte,
    da sorte que gera a ilusão
    de sermos eternos —
    eternos até florescer a nossa própria sorte.
    Caímos na própria teimosia:
    eternos até o grande dia,
    dias de paz,
    de um silêncio sepulcral.

    Flores que florescem a todo tempo,
    flores da morte,
    da sorte,
    da insensibilidade com a vida —
    vida temida.
    A morte deu sorte:
    sorte de florescer na própria morte.

    Carlos de Campos
    Foto por u6d6a u90ed em Pexels.com