Tag: memória

  • O contratempo da memória

    O contratempo da memória

    Morremos todos os dias
    Cada minuto é um minuto perdido
    É um minuto que não volta mais
    Um minuto que se foi.

    É o tempo quem nos mantém presos ao chão
    Perdidos em nossas convicções
    Surpresos de nossas contradições
    É o tempo quem nos faz perceber nossas limitações.

    Tudo vai se esvaindo pelas nossas mãos
    Ilusões são passageiras em nosso trem
    Compreensões incompreendidas se vão
    Busco só saber o que restou dessa quimera.

    Lampejos são as memórias
    De uma mente sem pátria
    Sendo o tempo a nossa âncora.

    Tempo de amar
    De viver o tempo todo
    Dando sentido às nossas memórias.

    Carlos de Campos

  • Minha falta de opção

    Minha falta de opção


    Não adianta tentar esquecer
    Quando tudo o que experimentamos é só ilusão
    Deveres e obrigações
    Noites de insônia sem fim.


    Quando os dias são pesados
    A esperança esperneia
    Não desistir é o ideal
    Luta, briga com as próprias emoções.


    Emoção à flor da pele
    Pele que sente o frio do abandono
    Desrespeito das loucuras alheias
    Fluidez de toda alucinação.


    Ódio como reprodução do medo que sinto
    Escondo-me para não ser mais ferido
    Morte por asfixia.


    A insânia se estende
    Contra a nossa própria vontade
    Entre traumas e desencontros.

    Carlos de Campos
  • Passado ferido

    Passado ferido 

    Movimento
    Distorce o pensamento
    Inflama o peito.

    Medito sentindo cheiro de sangue
    Das ilusões que te convencem
    Fracasso humanitário.

    Ódio arroubo da alma
    Ferida e cansada
    Pronta para ser exterminada.

    Carlos de Campos

  • Essencial à vida

    Essencial à vida 


    Árvore
    Fruto
    E sombra
    Combina com ar fresco.


    Árvores frutíferas
    Alimentam a vida na terra
    Com suas raízes a embalar
    Cuidado que arrefece.


    Sinto-me amado
    Minha alma está coberta por tuas folhas e flores
    Companhia silenciosa ao mesmo tempo presente.


    Há quem deseje destruí-la
    Sem perceber a consequência
    Você é a razão da existência humana.

    Carlos de Campos

    Foto por Cats Coming em Pexels.com
  • Move

    Move 

    Movimento da alma
    Espelha na vida
    Dia após dia
    Estamos presos às nossas escolhas.

    Mistura na vida
    Existimos conectados fisicamente
    Somos almas gêmeas
    Mistério da física quântica.

    Amor ou ódio
    São as escolhas que temos
    Afetamos e somos afetados.

    Equilíbrio, melhor opção
    Olhar para dentro
    Para que possas cultivar o amor.

    Carlos de Campos


    Foto por Google DeepMind em Pexels.com
  • O milagre moderno

    O milagre moderno

    Envergonho-me
    Diante da tua estupidez
    Do cinismo que te envolve
    Da incapacidade de se resolver.

    No delírio de grandeza
    Acomoda-se o medo da verdade
    Domados pela falsa realidade
    A injustiça não se vence com mentiras.

    São muitas as seduções para a alma
    Difíceis de serem recusadas
    E assim, deixamos que as falsas vantagens nos levem.

    Milagre!
    Grita o golpista articulado
    E almas são convencidas de imediato.

    Carlos de Campos

    Foto por Andrew Schwark em Pexels.com
  • Cuidado com tua vida

    Cuidado com tua vida


    Existe momento para colocar limite?
    Como saber qual é esse momento?
    Em que fase da vida é ideal o limite?
    Aceitar tudo, devo?


    O importante é o autoconhecimento,
    A solução das inconsistências,
    A constância em direção ao equilíbrio.
    A conquista vem com o trabalho de todos os dias.


    É importante a reflexão sobre si,
    Observar o que te desequilibra,
    E se afastar para que se ganhe vida.


    É possível alcançar muitas vitórias,
    Desde que você faça a sua parte.
    Cuide de pensar em coisas boas.

    Carlos de Campos

    Foto por Emre Can em Pexels.com
  • O melhor da vida é a busca que fazemos

    O melhor da vida é a busca que fazemos  

    Tenho muito medo de dar o próximo passo
    As certezas me fazem ver um futuro sem esperança
    Porque, hoje, são as lamentações que me alcançam
    Minha vida segue improvisada no romântico malabarismo.

    Tenho medo de que o malabarismo que pratico não dê certo
    Que a construção do meu futuro não tenha vista no presente
    Que os fundamentos do alicerce estejam em uma vida sem equilíbrio
    É difícil, chega a ser intolerável.

    É na busca destemida
    Mesmo quando as mãos já não sustentam
    E o frio que sinto seja por causa da ausência da emoção ferida
    Deito-me, adormeço tentando esquecer.

    Na falta de vontade
    Dos insucessos alcançados
    O sumiço do ânimo é real
    O que resta é a grade fria dessa cela.

    No caminho diário se faz presente
    A não-presença da resistência o fortalece
    Destruindo tudo o que encontra
    Asfixiando até a morte.

    O medo do próximo passo
    A ilusão do falso progresso
    De uma intimidade corrompida
    Pelos lapsos dos dias que passam.

    Quero acreditar que minha vida tenha jeito
    Que seja possível o meu encontro com a liberdade
    Ser quem sabe um dia o que sonho
    Um passo de cada vez para que o sonho se realize.

    Um passo certo e com segurança
    Elevando o meu pensamento para o foco principal
    No sonho que vai sendo lapidado
    E da própria vida, você se torna escultor.

    Pode existir fracasso que persista?
    Se você não se deixa abalar pelas contradições da vida?
    O melhor da vida não é a busca que fazemos todos os dias?
    Não são as buscas que nos movimentam e nos fazem experimentar novos ares de esperança?

    Carlos de Campos

    Foto por Yan Krukau em Pexels.com
  • Preguiça

    Preguiça


    Preguiça
    Que me envolve
    Em seus braços.


    Me deito e logo adormeço
    No colo de quem me tem nas mãos,
    De quem tenho dificuldades de me libertar.


    E onde quero permanecer,
    Entregue,
    Absorvido.


    Um a um,
    Meus músculos e membros vão se entregando,
    E livremente vão se acomodando.


    Meu corpo é levado ao máximo do relaxamento.
    Estou rendido,
    Gosto de estar exatamente assim.


    Preguiça,
    Só os vagabundos a ridicularizam,
    Enquanto os trabalhadores a veem com bons olhos.


    O sensato encontra em ti repouso,
    No aconchego do não fazer nada.
    Preguiça, alicerce de uma vida saudável.


    Carlos de Campos
    Foto por Lucas Pezeta em Pexels.com
  • Não sou melhor que ninguém


    Não sou melhor que ninguém

    No dia anterior,
    O impossível se podia ver.
    Em nada era parecido,
    Além da veneração.

    Como disse:
    “O momento dispensava falas distorcidas,
    Ideias incompreendidas,
    O clima é de tensão.”

    Movimento cada vez mais lento
    Exigia toda aquela situação.
    Caminhar se torna nocivo,
    Difícil é acreditar que voltamos.

    Não é bem assim.
    Dá até pena pensar dessa maneira,
    Insuflando a dor,
    Desejo oculto de morte.

    Onde existirem pessoas,
    Existirá a incompreensão.
    Bem ou mal, estará a solidariedade.
    Nossa meta é ser melhor do que fomos ontem.

    Carlos de Campos

    Foto por Kulbir em Pexels.com