Tag: poema contemporâneo

  • Quando iremos acordar para a realidade?


    Quando iremos acordar para a realidade?

    Vão as nossas esperanças
    Em uma tarde qualquer de domingo
    Vão os nossos sonhos
    De um sonho qualquer que tivemos.

    Vão as esperanças
    De um país que sonhava
    Sonhava, um dia, em ser grande
    Em uma tarde qualquer, tudo se desfez.

    O sonho de ser uma nação unida
    O sonho de ser uma nação acolhedora
    Quando acordamos desse sonho?
    Quando a realidade bateu duro em nossa cara?

    Tudo começou muito antes daquele domingo
    A realidade sempre esteve diante dos nossos olhos
    Nós que fingimos não enxergá-la
    Nós que preferimos nos manter acomodados.

    Um sonho é sempre bem-vindo
    Quando nos ajuda a seguir em frente
    Um sonho, quando ofusca a realidade,
    É um sonho muito perigoso de se sonhar.

    Inimigos da realidade, todos nós fomos
    Continuaremos a sustentar esse delírio?
    Do que temos medo?
    Temos medo de olhar para a realidade e nos descobrirmos fracassados?

    Carlos de Campos
    Foto por Norbert Kundrak em Pexels.com
  • O silêncio de uma noite de terror


    O silêncio de uma noite de terror

    Foi em uma manhã qualquer
    Vi-me aterrorizada.
    Sem chão, lá estava eu,
    Diante do medo indomável.

    Mostrou-me a sua face,
    Sem qualquer pudor, arruinou-me.
    Em uma manhã qualquer,
    Deitada eu me encontrava.

    Tudo parou de repente.
    Era como se aquele trauma
    Tivesse sobre mim um poder sobrenatural.
    Sinto-me triste.

    Suas mãos me dominavam,
    Nada me era possível fazer.
    Eu chorava em silêncio,
    Um choro que só desejava vingança.

    Na manhã seguinte,
    Sem muito o que pensar,
    Além do terror da noite anterior
    E de como tudo aquilo já se tornara rotina.

    Na manhã desta triste vida,
    Termina aqui.
    Nada mais tenho a falar,
    Além do meu silêncio, que deve incomodar.

    Carlos de Campos
    Foto por Kat Smith em Pexels.com