Vou desbravando este mar, não como um colonizador, mas como um amigo que busca as convergências culturais para celebrarmos mais uma amizade verdadeira neste cais.
Vou aonde o mar me leva, onde as culturas se encontram e o medo dá lugar à experiência do convívio. Feliz, sigo neste novo desafio.
O momento especial é estar com você, com todas as nossas diferenças latentes. Encontro em você a nossa unidade, porque a verdadeira celebração que nos une está em nossas diferenças.
No mundo em que vivemos, vivemos como uma família que mora na mesma casa, onde as nossas diferenças se fazem raízes em um longo olhar amoroso.
Jogados na cadeia, Vivemos na mais pura ilusão. Acordar desse delírio coletivo Ainda é muito dolorido.
Dói acordar e saber que a verdade nunca existiu, A verdade que todos os dias me consolava. Os desejos se foram; Quem permanece é o vazio que me trouxe até aqui.
A solidão que fica nesta cela cheia É impossível de refletir quando a raiva ainda queima, Quando tudo o que me resta São os anos que ainda restam nesta cela.
Tudo o que vivi É repleto de muita mágoa, Desejos dedicados a uma ilusão: A ilusão de ainda receber a visita de alguém.
O que aconteceu não foi uma ação humana. Não. É até difícil de acreditar. Estávamos no quartel, na torre do Distrito Norte.
— Peçam apoio aos caças!
Eu e outros dois respondemos imediatamente ao chamado. Tudo aconteceu em segundos para mim, mas meu comandante disse que ficamos desaparecidos por cinco anos.
Observei, enquanto nos aproximávamos do local, que tudo estava tranquilo, exceto por um cheiro estranho. Não conseguia distinguir de onde vinha.
Parecia que vinha de fora. Ao mesmo tempo, parecia que estava dentro da aeronave. Não conseguia distinguir de onde aquele forte cheiro vinha. Tudo ficava cada vez mais forte, estranho e intenso.
No cárcere desta longa solidão, alimento-me do medo, na embriaguez de minhas palavras, do ódio que alimento no canto mais frio da alma.
Os cadáveres me assombram todos os dias. Esqueletos são as minhas companhias. Noite fria, nua, me seduzindo. Mergulho em mim.
O que esperar desta solitária prisão? Dos dejetos que se acumulam em minha alma? Da sombria decisão da vida? O que devo esperar dos abusos que sofro aqui?
Tudo é tão gelado, sem dia para terminar. Nesta cela fria, eu me vejo. Encorajo-me a ser só solidão.
Olhem a escuridão à sua volta. Observem esse vasto campo de leitura. Leiam pelas brechas deixadas pela escuridão e, como um milagre, toda a cegueira vai embora. A ilusão é expulsa a cada leitura.
O nosso destino está no ver. No ver de quem sente, no ver de quem ouve. Ver é ouvir o sentido.
O sentido que vê é o mesmo sentido que ouve, que sente o sentido do olhar. Vê como eu sinto? Sente o que eu vejo com o ouvido? Sua capacidade de ver está extremamente aguçada. Seu corpo se arrepia todo. Sua mão suada me toca, toca como quem quer ver o que está ouvindo. Sua boca deixa sair os sentidos. Sua alma está plena em ver o que eu vejo.
O estado de ver é visto nos olhos, é sentido. As minhas comoções vêm à tona, ligadas ao meu ver. Eu vejo o que vejo. Suas mãos estão frias.
Suas mãos veem o meu corpo, passeiam pelo meu corpo. Meu corpo vê os sentidos.
Carlos de Campos
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