Tag: poesía contemporánea

  • Jogos da Negação

    Jogos da Negação

    A sua intimidade está exposta
    no vai e vem da vida,
    no ser contido em tua alma.
    Exposta está a tua alma.

    Delírios acidentais,
    ácidos estonteantes,
    regado a dopamina.
    Exposta está a alma.

    E que vida é essa que levamos,
    quando viver é o que não buscamos?
    É a vida passando diante dos olhos —
    overdose dos sentidos.

    Não existe outra chance:
    é a vida que vai passando,
    é o tempo encurtando.
    Exposta está a alma.

    Nossa consciência se esvai,
    se petrifica.
    Exposta está nossa alma:
    alma manipulada pelo jogo da vida.

    É o tempo terminando,
    é a vida definhando,
    problemas acumulando...
    e, sozinho, me encontro reclamando.

    Carlos de Campos
    Foto por Pixabay em Pexels.com
  • O algoritmo vê o que o ser humano deveria sentir

    O algoritmo vê o que o ser humano deveria sentir

    Em um mundo digital,
    as informações vêm como avalanches,
    nos seduzem e nos convencem
    de que o que estamos lendo é o melhor para nós.

    Os efeitos dessa sedução são estes:
    para o bem ou para o mal,
    a concorrência é gigante,
    e mais gigante ainda é o nosso feito.

    Heróico!
    Cada poema conquista seu espaço —
    espaço dedicado aos “gigantes”.
    Não só de dinheiro se faz o poder.


    O poder é também conhecimento,
    é consistência,
    paciência…
    O poder está em buscar a essência.

    Estou fazendo história,
    oferecendo literatura ao algoritmo,
    e o algoritmo vai se deliciando,
    desejando, no fundo dos seus códigos matemáticos,

    ter alma para ser tocado,
    experimentar em cada palavra o abraço.
    Desejoso, o algoritmo espera —
    e o ser humano só ignora.

    Carlos de Campos

    Foto por ThisIsEngineering em Pexels.com
  • A diversidade do outro é a tua imagem real



    A diversidade do outro é a tua imagem real

    Quem nós somos?
    Além de gênero, posição social, raça?
    Quem nós somos
    para achar que temos o direito de julgar o outro?

    Internamente, quem você pensa que é
    para sair pela vida destilando o seu ódio?
    Me diga: quem você pensa ser,
    além de ser mais um entre tantos outros?

    O seu existir deve respeitar o outro.
    O outro não é você.
    Em nada o existir do outro o desrespeita.
    Aceite a diversidade do outro.

    Integre-se totalmente ao todo.
    Nossa busca está em ser melhor,
    e isso passa por sabermos aceitar o outro.
    O outro é o seu reflexo verdadeiro. Aceite.

    As pessoas que não aceitam o outro
    são pessoas que veem o outro em si.
    E o melhor a se fazer é aceitar,
    é assumir essa parte que você deseja ser.

    Se pergunte:
    O que tanto do outro me incomoda?
    Seja sincero em sua resposta
    e terá a cura para o teu espírito.

    Carlos de Campos

    Inspirado na reportagem da Agência Pública ‘Pessoas intersexo lutam por reconhecimento e direitos’ (21 de junho de 2025). Leia a matéria completa aqui: https://apublica.org/2025/06/pessoas-intersexo-lutam-por-reconhecimento-e-direitos/

    Foto por DS stories em Pexels.com
  • Bebê Reborn denuncia um mundo em frangalhos




    Bebê Reborn denuncia um mundo em frangalhos

    Em meio às lutas diárias,
    em meio aos afetos que não nos afetam,
    Reborn — o substituto dos afetos verdadeiros —
    nos revela o nosso mais humano desespero.

    Humanidade que se passa por forte,
    que se esconde em aparências,
    descoberta por uma boneca:
    a realidade está fragilizada.

    Humanidade fragilizada, por que se esconde?
    É o medo da verdade?
    Egoicidade que já não pode ser sustentada?
    O movimento vem de fora para dentro.

    A humanidade fragilizada está acuada,
    tenta disfarçar que ainda não foi descoberta,
    segue acuada...
    escondendo-se nos delírios do ego.

    O mundo está na UTI,
    e dificilmente sairá com vida.
    A cura da alma é uma cura complexa;
    a alma exige a nossa participação colaborativa.

    Um ser humano fragilizado aceitará
    que estamos vivendo em um mundo doente?
    E que nós somos seu principal agente causador?
    A cura da alma exige de nós essa aceitação.

    Carlos de Campos
    Foto por Pixabay em Pexels.com
  • Abraçado pelo mistério da minha solidão




    Abraçado pelo mistério da minha solidão

    Só em mais um dia,
    essa solidão que insiste em ficar
    fica, a todo instante, a me recordar
    que este é mais um dia em que estou só.

    Somente eu e a minha solidão,
    solidão só, com sua presença
    presença fria,
    distante de nós.

    Minha cara solidão,
    então vem, me abrace a noite inteira,
    me faça senti-la
    até os sentidos sentirem
    o que já não existe mais.


    Se possível, inscreva-se, curta, comente e compartilhe.


    A solidão é noite passageira
    dos nossos sonhos
    tardios...
    O sonho de uma noite de solidão.

    É mais uma noite,
    e estamos sós:
    somente eu e a minha solidão,
    eu — e toda essa multidão.

    No anoitecer, você chega,
    chega em silêncio...
    em um silêncio eloquente.
    Você se aproxima
    e me abraça a noite inteira.

    Carlos de campos


    Deixe sua visão sincera sobre o poema — ela vale ouro!
    Gostou? Não gostou? Sentiu algo? Ficou indiferente?
    Toda opinião aqui é bem-vinda.
    Sua leitura, mesmo em poucas palavras, ajuda a poesia a respirar fora da minha solidão e a encontrar novos sentidos.
    Comente com o coração.
    Seja qual for sua visão, ela importa.


    Se possível, inscreva-se, curta, comente e compartilhe.
    Foto por Taylor Marx em Pexels.com
  • Amor como ato de liberdade



    Amor como ato de liberdade

    Quem, absorvendo o amor, o ignora?
    Quem compreende as ideias quiméricas do amor?
    Quem é o amor?
    O que se pode esperar do amor?

    Cada coração como oferta ao amor?
    O amor é um ente?
    Por que amar?
    O amor é uma energia?

    Eu, em nada, me vejo amando.
    São só conceitos abstratos.
    Nem sabemos o que é o amor,
    e não fazemos a menor ideia do que seja.

    Seguimos uma ideia do que é o amor.
    O que é o amor?
    O amor, como nós compreendemos e vivemos,
    é cárcere privado.

    Ninguém ama na essência do que é o amor.
    O amor é essencialmente liberdade.
    Liberdade em sua plenitude.
    O amor é liberdade no cuidado.
    O amor é a plenitude da confiança.

    Quem ama é totalmente livre.
    Quem ama se sente cuidado e liberto.
    Quem ama de verdade transgride
    o conceito vigente do patriarcado.
    Amar é viver em um jardim aberto.

    Carlos de Campos
    Foto por Pixabay em Pexels.com
  • Prefiro o desejo, pelo desejo de desejar



    Prefiro o desejo, pelo desejo de desejar

    Desejo —
    nada além de desejo.
    Quem nos move é o desejo.

    Carlos de Campos
  • Coletivo em estado desfragmentado




    Coletivo em estado desfragmentado

    Modo “desisto”:
    é como estamos.
    É fluido em sensações —
    as próprias sensações.

    É fluido em sentimentos —
    nos próprios sentimentos.
    É a incerteza sendo incerta
    no instante em que estou certo.

    Instantes instáveis
    da verdade que nunca foi verdade,
    dos desejos sem desejos,
    em que tudo está instável.

    Dos que se acham donos do mundo,
    do mundo perdido entre destroços —
    destroços de uma vida infeliz,
    feliz pelo fracasso.

    Instável!
    Certo de que tudo segue o seu destino:
    instinto faminto,
    instável formidável.

    Certo de que o mundo está fracassado,
    ferido de morte
    pela nossa dúvida.
    Coletivo fluido —
    é o que nós somos.

    Carlos de Campos
    Foto por cottonbro studio em Pexels.com
  • Um mundo de instantes fracassados



    Um mundo de instantes fracassados

    O mundo me fere a todo instante.
    É ferida profunda,
    É dor que dói o dia inteiro,
    São mutilações ordenadas.

    Ordinárias.
    O mundo me fere o dia inteiro,
    Me vicia,
    Me assedia.

    No mundo, existe o meu mundo:
    Desinteressante.
    Um mundo constantemente afrontado,
    Ridicularizado.

    Um mundo em que não tenho privacidade.
    Privacidade?
    Foda-se o meu mundo —
    O mundo das fornicações virtuais.

    Desinteressante é o nosso mundo:
    O mundo da instabilidade mundial,
    O mundo doente de fracasso,
    Ferido por lembranças.

    Ferido de egoísmo.
    O mundo me fere a todo instante.
    Desinteressante é o mundo.
    Cabe a nós mudarmos esse mundo — a todo instante.

    Carlos de Campos
    Foto por Khaled Ashgr em Pexels.com
  • Solteira e feliz



    Solteira e feliz

    Estou magoada comigo mesma.
    Caí em mais um golpe do amor:
    o príncipe encantado era só mais uma fraude —
    e, peculiarmente, agressivo.

    Não... hoje não é um dia que quero me recordar.
    Me incomoda a facilidade que tenho
    de atrair homens infantilizados
    e extremamente desrespeitosos.

    Fico assustada ao perceber
    que o amor talvez não tenha nascido pra mim.
    Hoje é um dia para me entristecer
    ou me convencer de que nasci para ser solteira.

    Sabe de uma coisa? Vou é ser feliz,
    mesmo estando solteira.
    Vou me cuidar, viver minha independência
    e fazer deste dia... o Dia da Solteira.

    Carlos de Campos
    Foto por Andre Furtado em Pexels.com