Tag: poesía contemporánea

  • Livro 9: A Profecia (Poema 01/20) No princípio o nada já existia

    Livro 9: A Profecia (Poema 01/20)

    No princípio o nada já existia

    Tudo já existia em forma de caos.
    O caos era sem forma e sem sentido.
    O caos apenas existia,
    e, junto com o caos, existia a vida organizada.

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    O caos e a vida coexistiam.
    A vida se fortalecia em meio ao caos.
    O caos se intensificava na medida em que a vida existia.
    Caos e vida: um depende do outro.

    Tudo o que existe hoje vem do caos.
    Está vivendo em pleno caos
    e para o caos voltará.
    Somos a plenitude do caos.

    De cada sensação de equilíbrio,
    o caos vai se movimentando e existindo.
    O caos é a força causal da vida.
    É o poder central do que vemos e somos.

    O caos é o nosso criador.
    É quem gera a nossa energia vital.
    O caos é o elemento primordial de tudo o que existe.
    Existir é ser caos.

    É por isso que não existe a perfeição,
    apenas o aceitável.
    Tudo, neste exato momento, está fervilhando na essência do caos,
    até este poema que você lê é feito de caos.

    Carlos de Campos
  • Livro 14: Rio Tietê (Poema 01/60) Não existe escolha fácil nesta vida

    ivro 14: Rio Tietê (Poema 01/60)

    Não existe escolha fácil nesta vida

    Toda escolha exigirá de nós renúncia,
    e toda renúncia vem carregada de sofrimento.
    Sofrimento.
    Palavra forte, carregada de sentimento.

    Só pode sentir que está sofrendo quem tem sentimento,
    quem um dia se colocou no lugar do outro,
    quem rasgou o próprio peito para alimentar o outro com compaixão,
    quem, a exemplo do Rio Tietê, soube ser.

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    Só quem sente na própria carne este mistério de amor
    sabe que o sofrimento vem carregado de sentimento.
    Quem de nós foi educado para acolher o sofrimento?
    Fugimos desse momento
    como se isso fosse possível.

    O sofrimento é, de fato, algo difícil de aceitar,
    e se torna ainda mais difícil quando decidimos fugir.
    O Rio Tietê nos ensina
    que todo sofrimento passa
    e que nossa doação se multiplica.

    Em seu nascimento, o Rio Tietê teve um destino imposto:
    seguir o instinto natural
    e ser apenas um breve caminho rumo ao mar,
    ou rebelar-se contra todo o sistema natural
    e tornar-se um dos raros rios do mundo
    a “correr de costas”.

    O Rio Tietê sabia que teria que arcar com todo o sofrimento.
    E, com resiliência, o rio rasgou o próprio peito
    e foi se adaptando à sua nova morada,
    reunindo em torno de si famílias
    que, até hoje, se alimentam
    das águas que brotam de sua nascente de amor.

    Carlos de Campos