Profundo está o meu desejo

Livro: Solidão Digital – Poema 03/60

Entre a minha mente vulnerável,
esquecida em um imenso apagão,
o meu raciocínio já não raciocina mais.
Estou refém desse momento.

Li o que não buscava e continuei lendo.
O rolo compressor da internet simplesmente passou por cima,
sem nem olhar para trás, me viciou.
Hoje, sou um dependente virtual.

O vício é alimentado dia e noite.
É impossível parar.
Quebrar essa barreira é quase impossível.
Viciado, sigo a rotina.

Chapado de lixo on-line,
quanto mais sem sentido, melhor fica.
Vidrado por horas a fio, permaneço,
fico buscando sentido em tudo isso.

Onde me escondo?
O lugar é a minha mente.
Ferve a minha cabeça,
explodindo os meus neurônios.

Em uma neurose profunda, sou levado.
Sou submetido a uma longa e intensiva tortura virtual.
Estou onde nunca desejei estar.
Quero sair e não consigo.

Carlos de Campos 

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