Sua força vital deixada no trabalho

Livro O verso humano ferido por trás do crachá Poema 01/20

Sua força vital deixada no trabalho

O tempo escorre pelo meu suor
A cada minuto sou mais desvalorizado
É o tempo que não voltará
O que ganhei com tudo isso?

Todo o esforço do meu trabalho
Me deixou sem nenhum tostão
E gerei toda a riqueza do meu patrão
Sou o funcionário do mês.

O trabalho nunca nos deixará ricos
Nem que tenhamos mil vidas
O trabalho como está projetado é para nos manter na miséria
Na exploração da mão de obra barata, bem-vindo ao capitalismo.

Sucatear ao máximo a saúde dos seus funcionários
Viva a jornada dupla de trabalho
Viva a pressão no final do mês por falta de salário
Viva o funcionário precarizado que é grato pelo trabalho que ainda tem.

Sem expectativas de mudanças, seguimos
Seguimos conduzidos pelo cabresto
Por não estarmos unidos por melhores salários
Seguimos implorando o nosso pão de cada dia.

Os sonhos que sonhamos juntos
É o sonho que realizaremos juntos
É o sonho de toda uma classe de trabalhadores
É um sonho revolucionário que beneficiará o nosso trabalho.

Carlos de Campos

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