Mistério que envolve a vida, Ferida que sangra e não tem cura. Mais além de você, Só você mesmo.
Diante da vida, existe a morte. O desejo incontido de sobrevivência Nos leva ao ostracismo. De repente, tudo para.
No último suspiro, Finalmente conseguimos a emancipação da Terra. Homem parado, sem questionamentos, Na ilusão da vida, recebemos a morte como prêmio.
Não existe defesa contra a morte, Nem acordo de rescisão. A morte é abusiva, Com poder opressor.
Com sua força, abusa do poder, Eliminando a todos — amigos e inimigos —, Atraindo para si olhares invejosos, Ostentando ganância em meio à miséria.
Seu poder e fama voam pelo mundo. Inveja e incerteza são os seus companheiros. Tudo o que ofereci foi por medo. A cada segundo, é mais um passo para o fim.
Empenho-me em dissuadi-lo dessa ideia, ideia que não se sustenta mais. E me comprometo a estar ao seu lado, especialmente quando tudo for só ilusão.
Os dilemas são constantes. O ideal é ter estabilidade, ancorar-se em resoluções, no mínimo, palpáveis, interiorizando o que se tem de melhor a oferecer.
Admira-me ver as coisas como estão. Entender o que se passa tornou-se fundamental. A felicidade, hoje, passa por essa compreensão: para quem ou para o quê a sua atenção está voltada?
Fala-se muito e tão pouco se ouve, e, quando se ouve, ouve-se somente o que se deseja. Torna-se difícil a vida dos seletivos, encapsulando-se em um mundo em que não se admitem contradições.
Iludidos — é como estamos. E, por isso, é preciso manter os dois pés no chão, saber lidar com as diversas contradições, contradições que nos permitem evoluir.
Não existe beleza sem defeitos, muito menos verdade pronta e acabada. A vida é uma contínua construção social, em que cada indivíduo oferece o que tem de melhor de si.