O nascer é vida que se renova, são reflexões que nos incomodam, é a natureza que vence a nossa vontade. Cada vida que existe nasce para si mesma.
Prometeu o amor. O amor não veio. Nascer é saber ser ferido em sua vulnerabilidade reprimida.
A vida é uma dádiva para quem vive nas mansões dos ricos, para quem é acudido ao menor dos gemidos. O nascer de um pobre é violento.
É dependente da esmola alheia, é grito de fome de milhões de desnutridos, é a incapacidade de olhar para o lado, é a morte que nos é apresentada desde o começo.
Vou desbravando este mar, não como um colonizador, mas como um amigo que busca as convergências culturais para celebrarmos mais uma amizade verdadeira neste cais.
Vou aonde o mar me leva, onde as culturas se encontram e o medo dá lugar à experiência do convívio. Feliz, sigo neste novo desafio.
O momento especial é estar com você, com todas as nossas diferenças latentes. Encontro em você a nossa unidade, porque a verdadeira celebração que nos une está em nossas diferenças.
No mundo em que vivemos, vivemos como uma família que mora na mesma casa, onde as nossas diferenças se fazem raízes em um longo olhar amoroso.
Jogados na cadeia, Vivemos na mais pura ilusão. Acordar desse delírio coletivo Ainda é muito dolorido.
Dói acordar e saber que a verdade nunca existiu, A verdade que todos os dias me consolava. Os desejos se foram; Quem permanece é o vazio que me trouxe até aqui.
A solidão que fica nesta cela cheia É impossível de refletir quando a raiva ainda queima, Quando tudo o que me resta São os anos que ainda restam nesta cela.
Tudo o que vivi É repleto de muita mágoa, Desejos dedicados a uma ilusão: A ilusão de ainda receber a visita de alguém.
Livro 7: Título provisório — A Filosofia do Gramado O Tempo (Poema 01/60)
O que é o tempo em uma partida de futebol? Sair de campo sem ter feito o seu melhor? O que cada um sabe sobre companheirismo? Perder, e o sabor amargo que fica?
Tudo gira em torno de uma bola, um objeto minúsculo, capaz de movimentar corpos e almas. Futebol, da origem ao colapso.
Muitas crianças, algum dia, sonharam em ser jogadores de futebol, um sonho que aparentemente parece ser o caminho mais fácil para quem sabe, um dia, sair da pobreza. O futebol era o alimento, dia e noite, de suas almas.
Almas abatidas por tanta injustiça, que, desde crianças, precisaram driblar cedo para se virar na vida. Que aulas precárias frequentavam, porque sabiam que precisavam ser o Man of the Match.
O estádio está lotado. Almas frenéticas. Tudo é decidido em pouco tempo, no tempo da dedicação.
O vento sopra. O apito recebe o estímulo vital. Tudo é paradoxal: o tempo para quando o jogo começa.
O que aconteceu não foi uma ação humana. Não. É até difícil de acreditar. Estávamos no quartel, na torre do Distrito Norte.
— Peçam apoio aos caças!
Eu e outros dois respondemos imediatamente ao chamado. Tudo aconteceu em segundos para mim, mas meu comandante disse que ficamos desaparecidos por cinco anos.
Observei, enquanto nos aproximávamos do local, que tudo estava tranquilo, exceto por um cheiro estranho. Não conseguia distinguir de onde vinha.
Parecia que vinha de fora. Ao mesmo tempo, parecia que estava dentro da aeronave. Não conseguia distinguir de onde aquele forte cheiro vinha. Tudo ficava cada vez mais forte, estranho e intenso.
No cárcere desta longa solidão, alimento-me do medo, na embriaguez de minhas palavras, do ódio que alimento no canto mais frio da alma.
Os cadáveres me assombram todos os dias. Esqueletos são as minhas companhias. Noite fria, nua, me seduzindo. Mergulho em mim.
O que esperar desta solitária prisão? Dos dejetos que se acumulam em minha alma? Da sombria decisão da vida? O que devo esperar dos abusos que sofro aqui?
Tudo é tão gelado, sem dia para terminar. Nesta cela fria, eu me vejo. Encorajo-me a ser só solidão.
Mudou o meu olhar para essa verdade: os fenômenos aéreos anômalos são reais. Eu vi o seu poder e a sua capacidade de se desintegrar. É assustador o que, ao mesmo tempo, é fascinante. Extraterrestres existem?
Abro a janela com o desânimo estampado na alma. Na escuridão da noite, eu me refugio. Da mente atormentada tento me afastar, e no vazio encontro o meu sentido. Suave é o peso que devo carregar. É suave nos sufocar constantemente. De um dia para o outro, me prendo ainda mais.
Um mar de mágoas me submerge. Me afogo, esperneio até me cansar. Afundo devagar, muito devagar. Aos poucos, não sinto mais meu corpo. Esse antro de preocupações, desejos assombrados, volta para a superfície. Tento respirar os tóxicos existenciais, a amargura universal estampada em nossa cara, a cara de iludidos. Me afogo no êxtase da realidade, no alcoolismo das minhas entranhas. Na fuga, acendo um cigarro contendo nicotina.
Aqui nesta terra precisamos escolher. Um passo de cada vez para sobreviver. Um experienciar de cada sensação por vez. Na sutileza da vida, desconfiar para mais tarde não se ferir. Em cada amanhecer é preciso ser feliz, mesmo que isso lhe custe a própria vida.