Entender o que se passou É entender para onde estamos indo, É entender qual é a melhor resposta que precisamos dar, E o que se passou não pode se repetir.
O que se passou no Brasil? O que levou uma multidão a quebrar tudo? O que esses indivíduos pensavam? E como viviam dentro de si?
Suas mentes foram capturadas? Não tinham forças para resistir? Não quiseram resistir? Como se convenceram de que isso era o correto a se fazer?
São situações pontuais Que, no descontentamento, se fazem. São promessas sobre promessas; Até no golpe ficaram na promessa.
Brasil, terreno fértil para golpistas. Falta tudo. Falta a falta de políticos. Falta o povo ser levado a sério.
Sonhamos com um país mais justo. Esse é o sonho que nunca vem. O sonho de quem já sonha apenas para se esconder. Foi em um pesadelo que tudo se tornou por aqui.
A mão invisível de um poder que nos oprime, que rejeita as vozes mudas de uma população cansada pelos inúmeros desmandos. O povo está saturado de políticos que privilegiam seus próprios interesses. Nada justifica tantos privilégios para que nada de bom seja produzido. É notável o desprezo de alguns políticos pelo povo, pelas pautas sociais, pelos interesses da população. Seu único interesse é se manter, a todo custo, no poder.
O descuido com as coisas públicas, o desprezível ataque à democracia e o caos que vai sendo implementado aos poucos. O nojo violento por causas populares. Onde estão os representantes do povo? O povo dormita, enquanto é saqueado em sua dignidade. Não sabe como reagir por ainda estar preso às falácias politiqueiras. Quando reage, reage mal, não visando o bem coletivo.
A empolgação por dias melhores só terá razão de ser caso a população, de uma maneira única e nunca vista na história deste país, se una em um só coração e em um só espírito democrático pelo bem-estar coletivo, fazendo uma dedetização nas urnas para banir, via voto, todos os políticos de todos os partidos que, de alguma forma, jogaram contra o presente e o futuro do Brasil e dos brasileiros e brasileiras, que jogaram contra as pautas de interesse de todos. Nossa resposta contundente precisa e deve ser nas urnas.
Não podemos mais continuar acreditando que a política só atrapalha, que não pode ser nossa prioridade e que, por isso, não precisa ser levada a sério. A política precisa ser a nossa prioridade, porque é um instrumento essencial para as nossas vidas. É a política que, no final das contas, vai determinar o nosso futuro. O meu trato com a política hoje é o fruto que iremos colher amanhã. Precisamos ter responsabilidade com o modo como fazemos política, porque, sim, em todos os momentos de nossas vidas estamos fazendo política. Que tipo de política você tem trabalhado no seu dia a dia?
Em tempos de crise política, o melhor a se fazer é exatamente nada. Não existe nada que possamos fazer neste momento da nossa história. A crise política é mais grave do que aparenta e vai além dos bastidores do poder. Os indivíduos que compõem esta sociedade e suas instituições enfrentam sua pior crise de identidade, ética e moral. Estamos vivendo em uma sociedade em pleno colapso.
A crise política nasce de uma sociedade que estava — e ainda está — abandonada. Ao longo dos anos, ela recebeu apenas migalhas sobre a mesa e, calada, teve que continuar, enquanto observava a classe política engordar à custa dos juros e do dinheiro público. Os indivíduos dessa sociedade, cansados, colapsaram; os que não colapsaram deram de ombros ou se juntaram a eles.
A sociedade está há muito tempo abandonada. Mesmo que quisesse, não conseguiria mudar esse roteiro. Estamos presos em um ciclo vicioso, no qual as nossas melhores escolhas acabam sendo sempre as mais destrutivas. Neste momento, o colapso social parece ser a nossa melhor escolha.
Lutar contra isso é uma luta inútil. É lutar contra o nosso próprio sistema de autodestruição individual e social; é lutar contra a nossa mentalidade de, em liberdade, fazermos as escolhas erradas. Não é possível, de uma hora para outra, transformar indivíduos “doentes” por um ambiente social salubre que, há anos, vem sendo ignorado, sem qualquer investimento relevante. A sociedade escolheu e chancelou, por meio dos seus políticos eleitos, que não ter uma educação que humanize as pessoas é o nosso melhor investimento. Essa foi a escolha dos nossos avós, dos nossos pais — e é também a nossa, ao perpetuar uma sociedade que nos faz viver em constante frangalhos físico, mental, emocional e financeiro.
Estamos cegos, caminhando sobre um precipício, equilibrando-nos em uma corda e carregando, em nossos braços, uma ogiva nuclear — e fazemos isso sem nos darmos conta do perigo. Avançamos e não temos como retornar.
Ir adiante é preciso, tentando nos proteger enquanto atravessamos essa dificuldade extrema. É uma mudança radical que se faz necessária. E, até que essa compreensão nos tome pelas mãos e nos coloque novamente no caminho do juízo, seguimos sobrevivendo como podemos.