O nosso destino está no ver. No ver de quem sente, no ver de quem ouve. Ver é ouvir o sentido.
O sentido que vê é o mesmo sentido que ouve, que sente o sentido do olhar. Vê como eu sinto? Sente o que eu vejo com o ouvido? Sua capacidade de ver está extremamente aguçada. Seu corpo se arrepia todo. Sua mão suada me toca, toca como quem quer ver o que está ouvindo. Sua boca deixa sair os sentidos. Sua alma está plena em ver o que eu vejo.
O estado de ver é visto nos olhos, é sentido. As minhas comoções vêm à tona, ligadas ao meu ver. Eu vejo o que vejo. Suas mãos estão frias.
Suas mãos veem o meu corpo, passeiam pelo meu corpo. Meu corpo vê os sentidos.
Carlos de Campos
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